Atingidos pelos Reflexos...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Entendes o que Lês ?

Recebi do meu irmão e amigo Silvio Luis, a indicação de leitura do texto abaixo. Não poderia de maneira alguma deixar de ler... O Silvio é uma pessoa de capacidade cognitiva fora do comum, um erudito. Possui uma faculdade de aprender rara... é aquela pessoa a qual você apresenta a questão e mesmo sem ter muito tempo, lhe dá subsídios quase sempre imediatos para elucidação de suas dúvidas. Procuro me espelhar nele nessa minha busca pelo aprender... e aproveitando sua indicação, após a leitura fiz algumas ponderações acerca do texto do grande poeta e escritor.

Mensagem:
O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.

Fernando Pessoa

O escritor Fernando Pessoa resume nesse pequeno (mas grande) texto, preciosíssimos conselhos, que nos ajudam na questão do entender e ser entendido. E para nós, que tentamos a cada dia fazer com que os textos e os símbolos sagrados, detentores de um poder transcendente, capazes de transformar , dar sentido e salvar vidas , encontrem naqueles que os receberão o efeito desejado, tornam-se (os conselhos) ferramentas imperativas na busca desse objetivo.

De forma resumida podemos entender as cinco qualidades das quais precisamos da seguinte maneira:

Fazer com que o receptor da nossa mensagem obtenha simpatia pelo que queremos transmitir. Caso não consigamos isso, a chance da mensagem não provocar interesse e, por conseguinte,deixar de ser interpretada será enorme... Pois apesar de o que querermos transmitir seja a infalível Palavra de Deus, pode estar certo de que corremos um grande risco de apresentá-la de forma antipática.

Ter um entendimento que supere... vá além do texto sagrado, ao qual queremos interpretar... para isso deveremos fazer o uso de nossa intuição. Podemos definir a intuição aqui como algo que usa a linguagem do coração, enquanto a razão podes ser considerada a que usa somente a linguagem do intelecto. A intuição, capacita a pessoa a acessar fontes distintas das fontes acessadas pela razão.

Usar a inteligência, de forma que o texto seja esmiuçado, analisado em seus pormenores, é o que nós estudantes da teologia chamamos de “ boa exegese do texto”, enfim , saber usar o intelecto de forma a tornar a mensagem análoga à realidade de seu receptor e à sua devida e satisfatória interpretação.

Fazer com que haja compreensão da mensagem que transmitimos, usando outras fontes que lancem luz sobre aquilo que falamos ou escrevemos.

E a última qualidade, que Pessoa teve dificuldade em definir, é aquela que julgamos ser a mais importante: A graça de Deus sobre nossas vidas inspirando-nos na mensagem a ser transmitida. A mão do Deus criador de tudo e de todos a guiar-nos como instrumentos naquilo que escrevemos ou falamos. A voz do Espírito Santo de Deus, fazendo-nos conhecer o que não conseguimos através de nossa capacidade cognitiva.


Sintetizando:
Os homens necessitam aprender com Deus, porque, além da leitura, é necessária a revelação do Espírito Santo, para que se possa perceber o que está além da letra.
“... porque a letra mata, e o Espírito vivifica”. II Coríntios 3:6b.

Valeu Silvio...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Qual o sentido da vida ?



Ontem estivemos estudando na classe de Jovens da Igreja Batista Elienai - Sumaré, sobre o tema : Qual o sentido da vida ? Qual a nossa visão de futuro ? Em que os jovens do mundo pós-moderno estão depositando suas esperanças ?

Percebemos que existe uma urgente necessidade de atentarmos para as coisas que realmente são importantes. Chegamos à conclusão de que a verdade para o mundo hoje, não tem mais uma origem transcendente, ou seja, ela não vem de Deus. Os parâmetros atuais para se descobrir a verdade tem sim uma fonte imanente, que indicam para nossas próprias experiências, de tudo aquilo que está em nós.

A vida de uma maneira geral, vem sendo guiada por princípios antropocêntricos, é baseada em nossos instintos, onde o ter agrega valor ao ser. Só valemos alguma coisa, se tivermos um tênis "Nike" no pé, uma bela armação de óculos e um aparelho de celular de última geração. Vivemos no sub-solo da vida contemporânea e adotamos como lema o "Fiz o que estava a fim de fazer, meu coração mandou, eu fiz..." é a teoria do "filósofo" Zeca Pagodinho..."Deixa a vida me levar...vida leva eu...".

A pergunta que fizemos a nós mesmos na classe foi: Até quando seremos produtos dessa ideologia imposta pelo mundo ? Até quando desejaremos ser como Deus, para definir por conta própria a nossa vida ?

Há um sentido claro para nossas vidas apresentado nas páginas da Bíblia.

A razão de tudo o que existe, incluindo eu e você é demonstrar (refletir) a glória de Deus. Nós fomos criados para a glória de Deus. (Isaías 43:7)

Temos que viver nossas vidas não por instintos, mas por princípios estabelecidos por Deus
...“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, ... Galatas 2:20

Por que, se dizemos que estamos em Cristo, temos que abandonar aquilo que em outro momento entendíamos como normal (todo mundo faz)...
"Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." ( II Cor. 5:15 e 17).

Devemos buscar para nossas vidas um sentido transcendente, e não aquele no qual fazemos as escolhas baseados em nossas próprias experiências e satisfação pessoal.
“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24).

Por isso, o sentido da nossa vida está em vivermos para a Glória de Deus !

Temos sidos orientados por quem ? Por nossas paixões e instintos...ou por Deus ?

"Mas os olhos do Senhor passeiam pela terra, afim de encontrar jovens dispostos, capazes de levar os que estão perdidos, a realização do seu maior sonho... SER LIVRE !"

Que Deus nos ajude !

José B. Silva Junior


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Matrix e a pílula vermelha...

Consegui arrumar um tempinho entre as atividades familiares, do trabalho, da faculdade e da igreja...(ufa)... para assistir à trilogia do filme "Matrix" nesse último final de semana. Tentando entendê-lo, pesquisei alguma coisa na internet que falasse sobre o tema. Achei o vídeo abaixo, que mostra um trecho do filme no qual fiquei refletindo e também o texto na sequencia abaixo, de autoria de Erico Tadeu do blog Salva-Vidas que diz exatamente o que penso e também o que aconteceu em minha vida...

Eu também tomei a
pílula vermelha...



Um dia desses, enquanto dirigia passei a me questionar acerca da minha fé. Não me lembro exatamente o porquê. Mas me fazia estas perguntas: Por que eu sou cristão? Por que eu frequento uma igreja? Para ser cristão eu preciso frequentar a igreja? Por que eu acredito naquilo em que acredito? Não contente com esses questionamentos, procurei refletir um pouco sobre o assunto.

Esses questionamentos provoracam um desequilíbrio em minha fé cristã. E isso foi bom, pois ao procurar um novo estado de equilíbrio, percebi que minha fé em Jesus Cristo fora fortalecida, como num processo de equilbração majorante descrito por Jean Piaget. Não pretendo, aqui, dar explicações teológicas a essas questões, até porque não sou teólogo, tampouco estudioso em teologia. Minha formação acadêmica é em física, sou físico e licenciado em física, e todo os meus estudos posteriores têm sido na área da educação, e agora, também, em microscopia eletrônica. Com relação ao campo da teologia (se é que assim posso dizer), ainda venho engatinhando.

Por que sou cristão? Quando me fiz essa pergunta, não estava questionando apenas a minha própria consciência. Estava orando e também fiz tal pergunta a Jesus. Perguntar ao próprio Deus por que eu creio nele me pareceu algo estranho. Afinal, será que a análise da minha própria fé estaria sendo "isenta"? Me converti à fé cristã aos 15 anos de idade, aceitando a Jesus como único Senhor e Salvador da minha vida, e de lá pra cá tenho caminhado com Jesus, nos passos da fé cristã apostólica. Nesse tempo tenho aprendido os valores da vida cristã, num processo de enculturação. Minha cultura não fora mudada, completamente, mas tenho apreendido novos valores da vida cristã. Jesus Cristo foi forjando em mim um novo caráter, Cristo me permitiu enxergar o mundo a partir de um novo referencial. É como ter consciência da "Matrix".

No primeiro filme da trilogia "Matrix", o Morpheus oferece ao Neo duas pílulas (na mão esquerda uma azul, e não mão direita, uma vermelha). Morpheus diz ao Neo que, tomando a pílula azul, tudo voltaria ao normal e ele continuaria vivendo a sua vida, sem ter consciência do seu mundo e acordaria em sua cama acreditando no que quisesse. A pílula vermelha proporcionaria ao Neo ir ao "País das Maravilhas" e Neo saberia até onde vai a "toca do coelho". Tomar a pílula vermelha é tomar consciência da "Matrix". Mesmo Morpheus não consegue definir o que é a Matrix, mas ele a descreve assim:

"A Matrix está em todo lugar. À nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai à igreja, quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade. Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não consegue sentir nem tocar. Uma prisão para sua mente".

Usando a Matrix como uma analogia, o cativeiro e a prisão onde as pessoas nascem é o mundo de pecados em que reina a morte. Morte, aqui, não significa aniquilação, mas separação de Deus. Segundo a Bíblia todo homem sem Deus é morto espiritualmente (EFÉSIOS 2:5; COLOSSENSES 2:13; APOCALIPSE 3:1). Em Mateus (8:21,22) um dos seguidores de Jesus lhe pedira para sepultar seus pais antes de o seguir, e Jesus lhe disse que deixasse aos mortos essa tarefa: "Venha comigo e deixe que os mortos sepultem os seus mortos" (Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH). Também em Lucas (15:24;32) Jesus faz essa comparação, o filho pródigo é comparado a um morto e agora revive de volta à presença do pai. Em Efésios (2:1; NTLH) Paulo escreve: "Antigamente, por terem desobedecido a Deus e por terem cometido pecados, vocês estavam espiritualmente mortos".

A Cruz de Cristo reconcilia o homem com Deus e em Jesus todos são tornados filhos de Deus, por adoção (ROMANOS 8:15 e 9:4; GÁLATAS 4:5; EFÉSIOS 1:5). Embora estejamos no mundo, Jesus disse que não somos do mundo, e por isso o mundo nos odeia (JOÃO 15:19). Aceitar que Jesus mude nossa vida é como tomar a pílula vermelha (digo "como", pois não há analogia que descreva perfeitamente a liberdade que temos em Cristo Jesus, através do plano da salvação). Aceitar a salvação em Cristo é como ser livre do cativeiro da Matrix. Em Cristo passamos a enxergar o mundo como ele é e ter consciência desse mundo natural (ou virtual?) e de um outro mundo real, que também é espiritual (representada no filme, pela cidade Zion, ou Sião). Tendo, pois, consciência de quem eu sou em Cristo, não me preocupo com a objeção ao meu primeiro questionamento que fiz ao próprio Deus acerca da minha fé Nele. Tenho consciência da "Matrix" e de "Zion".

John Stott aponta em seu livro "Porque sou cristão" algumas razões para isso, dentre elas:

(1) Porque Cristo me escolheu, e não eu a ele. Stott compara Jesus a um "cão de caça do céu". Não sou cristão porque atendi um apelo para ir à frente da igreja num belo culto, ou porque fiz uma oração de entrega a Deus, simplesmente. Sou cristão porque Jesus me escolheu e me chamou para ser filho de Deus;

(2) Sou cristão pelas afirmações de Jesus acerca de si próprio. Diferentemente de qualquer outro líder religioso, ou qualquer outro profeta, Jesus declarou ser Deus e assumiu essa condição;

(3) Por causa da cruz de Cristo. Em Jesus Deus manifestou seu amor e sua justiça. Ele foi justo condenando o pecado na carne, no corpo de Jesus, cumprindo a professia de Isaías (ISAÍAS, 56:4-10); e "amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (JOÃO, 3:16). Como oferta e sacrifício vivo Jesus se entregou para morrer em nosso lugar e pagar o preço pelo nosso pecado. Por preço de sangue Ele nos comprou para Si próprio.

Como John Stott coloca, alguém simplesmente poderia dizer: por que Deus simplesmente não perdoa os pecados? A questão é porque Deus é justo, e a Bíblia diz que "o salário do pecado é a morte" (ROMANOS, 6:23). Dessa forma o pecado deve ser condenado na carne, naquele que pecou. E porque Deus é amor, ele nos ofereceu o perdão pelos pecados oferecendo a Si próprio, em Jesus, para que o pecado fosse condenado no corpo de Cristo, na cruz. Mesmo sem ter pecados, Jesus se fez maldito (GÁLATAS, 3:13) levando sobre Si os nossos pecados, pagando preço de sangue. Jesus comprou a nossa "carta de alforria" e a queimou, nos oferecendo a liberdade de sermos nós mesmos, a liberdade de encontrarmos o nosso eu verdadeiro, em Cristo. Jesus "morreu a nossa morte para vivermos a Sua vida".

"Lembre-se... Tudo que ofereço é a verdade, nada mais."

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Reforçando o elemento contemplativo...‏

A Inquietação Moderna

Em direcção a oeste, a movimentação moderna torna-se cada vez maior, de modo que, para os Americanos, os habitantes da Europa na sua totalidade se apresentam como seres que gostam do sossego e dele usufruem, quando estes mesmos, no entanto, voam em confusão como abelhas e vespas. Esta movimentação torna-se tão grande que a cultura superior já não pode madurar os seus frutos; é como se as estações do ano se seguissem umas às outras demasiado depressa. Por falta de sossego, a nossa civilização vai dar a uma nova barbárie. Em nenhuma época, os activos, ou seja, os irrequietos, foram tão considerados. Reforçar em grande medida o elemento contemplativo faz parte, por conseguinte, das necessárias correcções que se tem de efectuar no carácter da humanidade. No entanto, desde já, cada indivíduo, que seja calmo e constante de coração e de cabeça, tem o direito de crer que possui não só um bom temperamento, mas também uma virtude de utilidade geral e que, ao conservar essa atitude, até cumpre uma missão superior. Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Numa das postagens anteriores, escrevi sobre essa inquietação da sociedade pós- moderna descrita aqui pelo grande filósofo. Confesso que esse assunto tem produzido em mim uma constante reflexão no sentido de que preciso buscar escapar dessa situação... Mas não é fácil.

Não é a primeira vez que leio
Nietzsche, e percebo em seu pensamento ateísta, lampejos de idéias que remetem à crença na existência do DEUS que conheço. Quando ele conclui seu pensamento com a expressão... “ até cumpre uma missão superior..”, nada mais faz, ainda que sem intenção, do que incentivar-nos à reflexão para as coisas que o SER SUPERIOR , ao qual conhecemos como Yavé , nos impele.

“Ser calmo e constante de coração e de cabeça...”, me faz lembrar do conselho Paulino:

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” Filipenses 4:8.
No original grego, a frase "nisso pensai" significa: "isto ocupe a sua mente por todo o tempo." Nossos pensamentos são um termômetro e um indicativo de nosso caráter. É lei da vida que se alguém pensa com freqüência ou persistência em algo, o momento chegará quando não mais poderá deixar de pensar nisso. Essa é a razão porque é de importância máxima que a pessoa humana pense em coisas dignas.

E nesse tempo de “falta de sossego”, convém encorajarmos as pessoas a terem bons pensamentos. O resultado natural dessa prática, nos indica um vida de boa saúde mental e espiritual. Não é a toa que a palavra grega no novo testamento que indica arrependimento seja metanoia (metanoia), que significa "mudança de mentalidade". Daí a idéia de “uma virtude de utilidade geral” conforme a citação de Nietzcshe, pois a partir da mudança de nossas mentes, os valores morais da verdade poderão ser reconhecidos pelos que estão à nossa volta.

Pra mim, Nietzsche não era tão ateu quanto dizia...

José Junior

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Relevância Ministerial






Pastor Irland Pereira de Azevedo
Falando à seminaristas na Faculdade Teológica Batista de Campinas



Esta semana é marcada por uma série de conferências denominada “Liderar e Influenciar”, que trata de temas relevantes ao ministério pastoral e acontece na Faculdade Teológica Batista de Campinas. Ontem, 12/05, tivemos como preletor o Pastor Irland Pereira de Azevedo, muito conhecido e queridíssimo no meio batista. No ministério há 49 anos, o Pr. Irland falou aos futuros líderes, pastores e missionários e também à membros do corpo docente da faculdade sobre o tema: “Crises no Ministério Pastoral”.

Faz-se necessário de minha parte uma manifestação pública de agradecimento em nome de todo corpo discente, pelo empenho da faculdade que na pessoa de seu diretor Pr. Marcilio Gomes Teixeira e do coordenador acadêmico Pr. Antonio Lazarini Neto, envidaram todos os esforços possíveis para que temas tão atuais e importantes fossem trazidos aos alunos por preletores de tão alto nível.

Queria falar aqui, sobre o conteúdo da palestra de ontem, que tenho certeza, baseado nos comentários de nossos colegas ali presentes, serviu para esclarecer alguns pontos proeminentes sobre crises no ministério. Para quem acompanha os textos que tenho escrito sobre o assunto, já imaginam de antemão a ênfase que darei sobre tudo que ouvimos ontem. É isso mesmo caros amigos e leitores... Crescimento de Igrejas.

Entre os vários motivos que provocam crises no ministério sobre os quais ouvimos nesse encontro, um tem sido amplamente discutido e estudado nos dias atuais, a saber: A crise de identidade ministerial e a dúvida sobre qual metodologia temos usado ou devemos usar, para que o desenvolvimento e crescimento da igreja seja constante e satisfatório.

O Pr. Irland dá um precioso conselho para que enfrentemos a crise: “SEJA VOCÊ MESMO”. O conselho que ele dá é para que não compremos pacotes prontos, como algumas igrejas têm feito. Usando suas próprias palavras: “ Não queira ser Bill Hybels ou Rick Warren... conheça bem suas ovelhas, a comunidade, relembre os princípios bíblicos...Verifique os princípios bíblicos da ação ministerial de B.Hybels e Rick Warren, verifique se são rigorosamente bíblicos....Os métodos tem vínculos culturais, eles não são transculturais”...“Não espere resultados imediatos, lembre-se, você é um lavrador. Deve cuidar e trabalhar para que o crescimento natural da lavoura aconteça”...

O preletor manifestou uma grande preocupação com métodos trazidos até nós por esses pacotes fechados que mais parecem comprometidos com o marketing religioso de nossos dias e com a busca das necessidades e anseios das pessoas. “Como exemplo, citou uma filosofia de ministério de nosso conhecido “doutor em crescimento de igrejas”, Rick Warren, que diz: “ Muitos cairão pelo caminho... não aceitarão a visão...não importa ..Deus levantará outros”. Segundo Irland Pereira de Azevedo não pode e não deve ser assim... “Deus não chamou para prostrar aqueles que creram e por tantos anos serviram... é gente de Deus... Não precisamos fazer morrer ninguém para que nosso plano sobreviva.”

A contrapartida disso, creio eu, deve ser uma busca ao verdadeiro evangelho. Seja você mesmo, tenha convicção de sua divina chamada e de que seu modelo deve ser bíblia, o Novo Testamento. Nosso objetivo é pastoral, é dar vida. Devemos ter o desejo de levantar pessoas e não de deixá-las cair. O sopro de doutrina que derrubam pessoas, na verdade são sopros de falsas doutrinas. Usando as palavras do Pr. Irland, das quais faço as minhas: “Gente precisa de gente, gente precisa de Deus, pessoas precisam de pessoas.”


Que Deus no ilumine e nos capacite, para sabermos viver nesse tempo, e nos dê entendimento sobre a relevância de nossos ministérios.


José B. Silva Junior
Seminarista 3º anista da
Faculdade Teológica Batista de Campinas.



O Blogueiro e seminarista Tiago Nogueira e esse que vos escreve durante o intervalo da conferência...

Vista geral do auditório onde estão sendo realizadas as palestras

sábado, 9 de maio de 2009

Um dia você aprende...

"Por isso dediquei-me a aprender, a investigar, a buscar a sabedoria e a razão de ser das coisas, para compreender a insensatez da impiedade e a loucura da insensatez. "(Eclesiastes 7:25)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Indicado...


Rapaz, que surpresa agradável... olha o selo que eu ganhei...

Disse o grande pensador cristão Santo Agostinho: "Deus é mais profundo no homem do que o mais íntimo do próprio homem"...

Portanto, entendo através desse pensamento que Deus tem a sublime e poderosa capacidade de calcular e inspirar nossos pensamentos, motivações e desejos mais íntimos...

Agradeço ao
Teophilo de quem tenho compartilhado alguns pensamentos, pela indicação. Sinto-me muito honrado com a lembrança. Agradeço ao Deus poderoso e misericordioso a oportunidade que nos dá de exercitar nossas mentes na busca do entendimento das coisas. E compartilho essa gratidão, (conforme as regras estabelecidas pelo criador do selo Grandes Pensadores da Blogosfera e que transcrevo abaixo) indicando outros que tem pensado e feito muitos outros pensarem...

Escolher pelo menos outros 5 blogs que condigam coma a idéia desta premiação;
Entrar em contato com os blogs premiados;
Montar uma postagem explicativa, nos moldes desta;
Ter o link do blog que o indicou;
Manter o link do selo direcionado para este post;
Apresentar os blogs homenageados;


and my indication goes to....

1 – Anderson Costa do
Fazendo Theoslogia
2 – Jordanny Silva do
Blog do Jordanny
3 –
Voltemos ao Evangelho
4 – Alessandro Monteiro do
Membro de Banco
5 – Luis Carlos Batista do
A Fé em Busca de Entendimento



Encerro esse post com um pensamento do grande apóstolo Paulo...

"A pessoa que pensa que sabe alguma coisa ainda não tem a sabedoria que precisa" (1ª Coríntios 8.2)

terça-feira, 5 de maio de 2009

E Então...Vamos Crescer ?


E Então...Vamos Crescer ?

Novamente estive a pensar um pouco sobre essa “onda” de crescimento de igrejas. Tenho conversado com várias pessoas de igrejas que freqüento e também das que já freqüentei sobre o assunto e percebo que as dúvidas e por que não dizer a insatisfação com o que se vê por aí, é muito mais comum do que podemos imaginar. Mas, o que vejo também, é que assim como em nossa sociedade, onde políticos e pessoas detentoras de poder tem cometido os maiores desmandos com a autoridade conferida à eles pelo povo, também vemos em algumas igrejas pastores e líderes copiarem esse triste modelo. Aproveitando-se de um poder religioso, amparado por um título eclesiástico para impor o que na verdade está longe de ser orientado pela verdadeira Palavra de Deus. É importante que saibamos distinguir bem esse poder religioso, daquele poder que vem do céu, o Poder Divino. Esse poder religioso, é aquele mesmo poder que em nome de Deus, cometeu tantas atrocidades no decorrer da história da igreja cristã, e que comparo hoje às nossas lideranças que como “sacerdotes”, tiram proveito pessoal dos sacrifícios oferecidos à Deus.

Este não é o poder, como o de nosso Senhor, que deveria ser escrito em maiúsculo. Ele é o poder dos homens que falam em nome Dele.

E sei que há alguns pensadores que através dessa mesma ferramenta que utilizo aqui tem denunciado esse poder e essa prática que corroem nossa prática Cristã, ( o que me faz pensar nos profetas dos tempos bíblicos que tinham a missão de confrontar sacerdotes e líderes políticos com a palavra de Deus) e que de alguma maneira por defenderem essa prática sentiram em algum momento, a dificuldade de serem entendidos e compreendidos. O que tenho a dizer para Leonardo Gonçalves, Teophilo Noturno, Luis Carlos Batista, Anderson Costa, O Bereiano, Edvar, Jordanny Silva, Alessandro Monteiro , para mim mesmo e à tantos outros blogueiros que fazem da verdadeira apologética da fé Cristã sua luta constante é que não percamos a vontade de expressar nossas reflexões, e muito menos, restrinjamos nossos leitores, com medo de possíveis retaliações do sistema. Infelizmente, a Palavra da Verdade incomoda, e que bom que incomoda. É neste momento que vemos o agir de nosso Mestre. Não um mestre sobrenatural, que nos dá aquilo que necessitamos aqui e agora, e que quer ser cultuado como pop star. Mas, Aquele Mestre que escolhemos a silêncio para refletirmos, e nos encontrar com quem o enviou. Aquele que não tinha tudo, mas estava satisfeito pelo pouco que tinha e que foi silenciado com brutalidade porque ousou questionar o sistema religioso mantido pelos homens que deveriam prestar culto a ELE.

Não há dúvidas, o seu silenciar foi a nossa salvação. E graças devemos dar a ELE eternamente por ter tido compaixão de nós desde o princípio. E qual e a melhor forma de prestigiá-lo? Sermos profetas ou sacerdotes?

Ah! Não que queira dicotomizar esta questão, acredito que há sacerdotes que são profetas, mas estes em nosso tempo são tão raros que muitas vezes são confundidos com agitadores e "inimigos" porque neste mundo pós-moderno, é a mensagem liberal, que não modifica o comportamento moral, mas que dá alegria ao coração pecaminoso de nossa espécie é que é larga e excessivamente pregada. Talvez seja por isto que Paulo, João e outros escritores falavam que nos fins dos tempos, a Palavra seria pregada e ninguém entenderia.

Falando agora como um estudante de teologia, devo dizer que é uma satisfação e uma realização enorme poder me aprofundar no conhecimento da Palavra e vontade de Deus para minha vida... Ser exercitado à pensar e fazer do ato de reflexão uma atividade diária, mexe muito comigo e acredito também, com cada um que se dispõe a querer saber mais sobre esse Deus Grandioso.

Ao fazermos isso, temos o véu do primeiro amor à Deus descortinado diariamente. Não que o percamos, não, não é isso. O primeiro amor arde da mesma maneira, mas, com critérios mais rigorosos e profundos. Ao nos dedicarmos ao estudo da Teologia, entendemos que o Deus que servimos não é um ser imaginário ou fictício como eu tenho certeza, muitos assim o pensam...Ele se torna materializado, não na matéria, mas nos critérios e valores que vamos observando e aprendendo ser a vontade Dele e não de humanos.

E o que causa esse descortinar do primeiro amor é a incoerência entre o que aprendemos (seja num curso de teologia ou no estudo das escrituras pelos chamados leigos) e o que vemos nossas lideranças fazerem. Então, choramos. Choramos, porque percebemos que em algumas igrejas a hipocrisia é as vezes um mal necessário a boa e tranqüila convivência cristã dos tempos pós-modernos.

Mas, voltando ao nosso assunto sobre crescimento de igrejas, achei o artigo abaixo que nos dá um interessante ponto de vista sobre o tema e provoca uma reflexão sobre as perguntas: A igreja cresce por que prega o evangelho ?, ou... Prega o evangelho por que cresce ?

Boa reflexão...


O movimento chamado "igreja ao gosto do freguês" está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de "desigrejados" ou "João e Maria desigrejados"). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os "desigrejados", mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!


Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren ("Uma Igreja com Propósitos"). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.



Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.



Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de "fazer igreja".


O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de "o guru do crescimento da igreja", diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?

Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é "loucura para os que se perdem" e que Cristo é uma "pedra de tropeço e rocha de ofensa" (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).

Megaigrejas adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds. Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.


Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.


Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão: ...procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada "Espírito Santo" ou "Consciência Cósmica" ou o "Verdadeiro Eu". É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de "indústria da experiência" (pp. 20-21).


Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas "igrejas ao gosto do freguês" (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de "desigrejados" juntando-se à igreja.


Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interessadas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de "desigrejados" que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os "desigrejados", que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.


O Evangelho e a pessoa de Jesus Cristo não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos.


Se essa percentagem é típica entre igrejas "ao gosto do freguês", o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para "desigrejados". Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair "João e Maria", fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a "igreja ao gosto do freguês", evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que "João e Maria" continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.


A maior parte dos que freqüentam as "igrejas ao gosto do freguês" professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, "alimento" contaminado com "falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam" (2 Tm 6.20). Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.


Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a "igreja ao gosto do freguês", alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!


Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os "desigrejados". Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma "igreja ao gosto do freguês" onde isso acontecesse. As "refeições espirituais" oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um "best-seller" psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.
Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os "desigrejados" ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:
...em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels" (p. 156).



Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): "Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)"!



Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a "todas as coisas que conduzem à vida e à piedade" (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão.


A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como "Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas", "Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação" e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém "em recuperação" e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como "Sansão era dependente".


A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.



Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num "Titanic espiritual". Os pastores de "igrejas ao gosto do freguês" (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram "ricos e abastados" e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram "infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus". Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade! (TBC - http://www.chamada.com.br)


Que Deus, pela sua misericórdia, nos dê discernimento !



José Junior



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