Atingidos pelos Reflexos...

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Novo Ateu

por
Rev. Ricardo Barbosa de Souza


Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador"

Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno, etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.

Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.

No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.

Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.

Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.

Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.

Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.

A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.

As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.

A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.

Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.

domingo, 14 de março de 2010

Evidências de um Designer Inteligente.

Assisti o vídeo abaixo no curso do qual estou participando que tem como tema: Fé e Ciência. 

Faz parte de um documentário elaborado para alunos do curso de biologia de Harvard, e mostra o que acontece no interior de uma célula do corpo humano. O transporte de proteínas, as "estradas" usadas nesse processo... enfim... o que impressiona é achar tanta complexidade em tão pouco espaço. 

A reflexão é inevitável: Como podem os darwinistas defenderem que estes mecanismos e tanta organização no interior da célula surgiram através de mutações cegas filtradas pela mutação natural ?

É... certamente que os "meninos de Darwin", têm muito trabalho pela frente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

EXPECTATIVAS DE UM BATISTA EM RELAÇÃO À SUA DENOMINAÇÃO

Tenho refletido bastante acerca dos caminhos por onde anda a nossa denominação tão amada. Caminhos de organização em detrimento do organismo. A ênfase na competência humana e não na dependência do Pai. Vivemos em compartimentos estanques. Cada igreja cuidando do seu quintal. Cada obreiro buscando projetar-se a si mesmo a partir do seu trabalho. Glória pessoal em prejuízo da glória do Senhor. Estamos desunidos e não temos projetos de unidade. Na verdade, temos sido autônomos, isto é, vivendo debaixo da nossa própria lei. A nossa cosmovisão não está partindo da unidade. Consultamos mais os ‘manuais de administração’ e ‘princípios de liderança’ (eles têm o seu lugar) do que o Senhor que é dono da obra.

Trabalhamos mais em reuniões administrativas do que inspirativas. Mais reuniões de negócios do que encontros de oração. Queremos fazer a revolução mais pela razão do que pela fé. Buscamos ‘consultores’ humanos em vez de buscarmos a consultoria do Espírito Santo. Temos tido mais reuniões formais do que um rasgar de coração. Os líderes denominacionais não se conhecem direito, não têm comunhão profunda. Como precisamos entender e perdoar uns aos outros! Carecemos mais de celebrações marcadas pelos princípios do Reino de Deus. Faz-se necessário um clamor pelo país e pelos povos sem Cristo. Um envolvimento cada vez maior com as comunidades pobres, miseráveis.

O povo batista sempre foi o povo da comunhão, do partir do pão, das orações e dos envolvimentos evangelísticos, sociais e missionários. Como me recordo com gratidão dos intercâmbios, dos cultos nas praças, das incursões evangelísticas, das carreatas evangelísticas, dos retiros mais espirituais e de outros movimentos de crescimento espiritual! Deus quer que sejamos crentes das celebrações do batismo e da ceia do Senhor com profunda alegria e não meramente formais, aguardando a Sua volta.

Um povo que celebra a sua morte e a sua ressurreição com Cristo, identificado plenamente com Ele, comprometido com a ética do Reino de Deus, exercendo um voluntariado mais abrangente, fazendo isso com gosto! Não um cristianismo reduzido a eventos, mas um cristianismo como estilo de vida que produza atividades consistentes.

Que espécie de povo batista devemos ser? Um povo comprometido com as mudanças profundas na sociedade. Que levanta a bandeira da moralidade cristã. Que ergue a voz contra a corrupção, contra o aborto, contra o divórcio, contra toda a imoralidade que aí está (inclusive dentro de nossas igrejas) e toda sorte de males.

Povo corajoso, trabalhador, articulador e catalisador, tomado por um ‘descontentamento santo’ para fazer toda a diferença neste país e no mundo. O povo batista historicamente é um povo ordeiro, hospitaleiro, empreendedor, revolucionário, comprometido com os ensinos do Mestre para a implantação do ensino bíblico em cada lugar.

Sonho com uma denominação batista que se reúna não para cumprir uma agenda meramente administrativa (ela tem o seu lugar), mas uma agenda cujo conteúdo seja de edificação, de crescimento, fortalecimento da comunhão e de um arrependimento profundo por termos sido tão omissos. Agenda que contemple a aspiração pela santificação, pois sem ela ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). Desenvolvamos uma agenda forte de oração e de reconciliação a partir do perdão de Deus em Cristo. Sejamos o povo a olhar para o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, cheio de temor, que chora as suas mazelas diante do Senhor, que pede misericórdia e que experimenta e agradece a provisão e a proteção o Senhor a cada dia.

Povo batista comprometido com os excluídos, com os párias da sociedade e com toda sorte de trapo humano. Sejamos um povo de intercessão, de compromisso com a leitura e meditação na Palavra e com um discipulado tão bem ensinado por Jesus. Sejamos unidos de alma, participantes efetivos da vida denominacional, criticando de forma construtiva, apresentando soluções coerentes com os ensinos do Pai, com atitudes e atos que O glorificam.

Oswaldo Luiz Gomes Jacob, pastor.

domingo, 7 de março de 2010

Como Jesus se relaciona com os pecadores ?

Ontem na Igreja Batista Elienai, ouvi a pregação do Pr. Júlio Oliveira Sanches, por ocasião da comemoração dos 10 anos daquela querida igreja. Aproveito para deixar meu forte abraço aos amigos e irmãos que conheci ali e que hoje fazem parte de minha vida.

O sermão que ouvimos falou sobre o relacionamento de Jesus com os pecadores. O convite de Jesus ao pecador Mateus. O "sim", que Mateus disse, e que Jesus espera ouvir de cada um de nós !

Algumas frases do sermão que ficaram na minha mente: "Jesus não convida os santos para andar com Ele"... "Jesus, não procurou os religiosos de Jerusalém para ficar em sua companhia"... "Jesus espera e convida, aquele que reconhece a si próprio, como o pior dos pecadores".

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Duas importantes perguntas




De que modo lidamos com aquilo que é diferente, com o que é estranho aos nossos costumes?

Como reagimos diante de pessoas ou situações que não seguem a normalidade com a qual estamos habituados?

São perguntas importantes que requerem de nós um auto-exame, e as respostas que dermos revelarão muito sobre nós.

Há uma história bíblica que todos conhecemos e nos ajuda a pensar sobre as perguntas. É a história de Jonas, o profeta que foi enviado à grande cidade de Nínive, capital da Assíria. Recusando-se a pregar em terras pagãs, foi tragado por um grande peixe, experimentando o isolamento e depois disso resolveu seguir para completar sua missão. Porém, chegando à cidade de Nínive, só anunciou condenação aos seus habitantes. Jonas, infelizmente era preconceituoso demais para se apaixonar por aquelas pessoas.

Os textos bíblicos que falam do profeta Jonas, tanto no Antigo como no Novo Testamento, provoca em nós uma reflexão sobre o universalismo de Deus, e o particularismo dos grupos judaicos, que na época do Velho Testamento eram ligados à Esdras e Neemias, que nos tempos de pós exílio foram os responsáveis por iniciar o processo de expulsão de estrangeiros e a dissolvição de casamentos mistos no meio do povo de Israel.

A história do profeta Jonas então é um contra ponto ao projeto de Esdras e Neemias. É um texto que nos convida hoje a refletir sobre como encaramos aquilo que nos é estranho, aquilo que é diferente, aquilo com o que não estamos acostumados. É um texto que nos esbofeteia denunciando nossos preconceitos e a visão limitada que temos do amor de Deus.

Encarar o que é estranho e diferente nunca é fácil. Nossa primeira reação é sempre a rejeição. Mas por que será que isso acontece? Por que reagimos assim? Infelizmente temos essa tendência de só admirarmos o que se parece conosco, só simpatizar com o que é semelhante a nós.

Boa parte dos Judeus que lideraram a reconstrução de Israel após o exílio na Babilônia partilhava de forte sentimento de rejeição para com as demais culturas. Desenvolveu-se nessa época acentuado preconceito na cultura judaica sobre tudo o que fosse diferente. Todas as outras culturas eram vistas de forma suspeita, principalmente suas religiões.

Deus, porém não permaneceu quieto diante desse aumento de mediocridade. Deus chama e envia Jonas para ser benção para todos os povos. O profeta luta contra essa missão, a ponto de se sentar no alto de um monte para contemplar a destruição daquela cidade, ao invés disso, contempla desolado, o oposto. A conversão dos habitantes de Nínive.

Cabe aqui uma forte crítica ao fundamentalismo que foge das doutrinas bíblicas, seja ele de qualquer origem – judaico, islâmico ou cristão. Para muitas pessoas é preferível morrer a ver seus “inimigos” ou os diferentes serem aceitos por Deus. Contemplar nesse caso, a benção divina a povos de outras religiões ou culturas é vergonhoso e angustiante.

No evangelho de Mateus, lemos uma parábola onde Jesus diz que uma certa pessoa, representando Deus decide ter misericórdia de diaristas que foram chamados a trabalhar no final do dia, pagando-lhes pelo trabalho a mesma quantia que havia combinado com os outros que cumpriram toda a jornada diária. A primeira reação que temos frente a essa história é rejeitá-la. Dentro da lógica humana regulada pelas relações de troca e recompensa, a narrativa de Mateus soa como uma grande injustiça.

Isso acontece porque vivemos contaminados pelo valores desse mundo, onde não há espaço para compaixão, onde gestos de desprendimento e doação são vistos como loucura e assim imaginamos que Deus deva agir exatamente como agimos.Se nossa primeira reação diante da parábola é de estranhá-la e considerá-la injusta, é porque nossa lógica é a mesma dos fariseus, é sinal de que ainda não compreendemos a profundidade da justificação que ensina que Jesus justifica aos injustos e não aos “bons”. Ao final da parábola Jesus lança uma pergunta aos ouvintes: “os teus olhos são maus, porque eu sou bom?”, numa outra tradução poderíamos encontrar: “Porque você se incomoda tanto diante de minha bondade?”

O livro de Jonas é o único das escrituras que não termina com uma afirmação. Mas com uma interrogação, assim como curiosamente a parábola ensinada por Jesus também. E assim não sabemos se tanto Jonas como as pessoas que ouviam Jesus conseguiram ver as coisas com novos olhos e compreenderem a lógica da misericórdia.

O fato do livro de Jonas terminar com uma pergunta indica que a interpretação não está dada e que essa pergunta é feita a cada um de nós.

Jonas sou eu e Jonas é você. Os ouvintes da parábola somos todos nós. Por isso para ser fiel ao estilo das escrituras, essa postagem não tem uma conclusão como de costume. Ao final de meus textos geralmente tento deixar alguma afirmação, algum direcionamento, alguma orientação clara e precisa... (assim aprendemos nas aulas de homilética). Mas dessa vez não vou terminar dizendo o que devem fazer ou pensar. As perguntas que vimos na leitura foram dirigidas a cada um de nós e exigem respostas pessoais.

“Não terei eu compaixão dos diferentes?”
“Os teus olhos são maus porque eu sou bom?”

Como você responderá a essas perguntas ?


José B. SIlva Junior



Extratos do livro:
Entre o Púlpito e a Universidade
Carlos E.B. Calvani.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ide à Galiléia... Lá O vereis !



“Como está escrito na palavra... os que se dizem mestres quando vacilam, ou os que tem mais, devem receber duro castigo pra servir como exemplo...”


O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o que não a soube, e fez coisas que mereciam castigo, com poucos açoites será castigado. Daquele a quem muito é dado, muito se lhe requererá; e a quem muito é confiado, mais ainda se lhe pedirá... Lucas 12:47-48.


Pois nunca deixará de haver pobres na terra; pelo que eu te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra... Dt 15:11.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Onde você tem ido para encontrar Jesus ?


Há um cântico tradicional, cantado na maioria das igrejas evangélicas que diz: “ Nesta noite feliz, neste santo lugar, eu marquei um encontro com Deus”. A teologia desse cântico é de duvidosa qualidade, por pressupor que eu e você é que tomamos a iniciativa de marcar um encontro com Deus. Como que o intimando a comparecer “nesse santo lugar” que geralmente é a igreja onde nos encontramos.

Porém, inspirados pela palavra do Evangelho, é necessário admitir que, de fato há um encontro marcado há séculos entre nós e Jesus. Mas um encontro marcado não por nós e sim pelo próprio Cristo ressuscitado.

Por isso, o convite feito a cada um de nós é o de ir ao encontro do Cristo ressuscitado e descobrir onde Ele atua hoje, partindo do princípio de que Sua vida se manifesta onde quer que os valores do Reino sejam vividos e pregados. Porém, ainda que saibamos disso, corremos o risco de imaginar que Cristo atua somente onde nós facilmente o identificamos: Na pregação da Palavra, dentro de um templo cristão, na celebração da ceia, ou nos trabalhos da igreja que tradicionalmente desempenhamos.

É certo que a amplitude da ação do Cristo ressuscitado é muito maior do que imaginamos. E podemos considerar com convicção que Jesus está vivo e ativo em lugares que geralmente não consideramos.

Um trecho do evangelho de Mateus nos orienta a respeito disso:

“Ide à Galiléia... Lá o vereis” Mt 28:7

Foi na Galiléia onde o Cristo ressuscitado se mostrou aos discípulos, e poucas vezes prestamos atenção a esse detalhe. A Galiléia mais do que um lugar geográfico, é também um lugar simbólico de onde podemos nos encontrar com o Cristo vivo hoje.

A Galiléia era uma região muito pobre, de pouquíssima importância nos dias de Jesus. Era o lugar menos significativo e mais desprezado pela elite judaica. Era conhecida como a “Galiléia dos gentios”, do “povo que não conhece a lei”, a “ Galiléia dos pecadores”, habitada por um povo sincrético e que aos olhos dos habitantes de Jerusalém, eram pessoas de moral duvidosa. Muitos judeus consideravam esse lugar a vergonha da nação, tanto que Natanael disse á Filipe as seguintes palavras: “Acaso de Nazaré pode sair algo de bom ?” Era um fato, na mente de muitos judeus: nada de bom poderia vir da Galiléia. (Jo 7:41,52)

Talvez a nossa dificuldade em compreender o Cristo ressuscitado hoje e de encontrá-lo mais vivo do que nunca, resida no fato de que não estamos dispostos a pôr os pés na nossa Galiléia. Preferimos procurá-lo no templo, entre os sacerdotes, padres e pastores. Por isso é mais cômodo “marcar um encontro com Jesus” no “santo lugar” que é a igreja.

Mas não foi a Jerusalém, centro do poder político, econômico e religioso, que o anjo recomendou encontrar o Cristo vivo. Foi à Galiléia. Foi para lá que o poder de Cristo migrou após a ressurreição. Ele nos precede exatamente ali, onde temos tantas dificuldades para ir: ao encontro dos pecadores, dos sofredores, dos desempregados, dos sincréticos, das pessoas cuja ética e religião não se enquadram em nosso padrão burguês de igreja.

É interessante a expressão: “Ele vos precede...” Significa que Ele já está lá... nos esperando. Quando aceitarmos o fato de que Cristo está vivo na Galiléia e atualizarmos essa grande verdade em nossas vidas, certamente compreenderemos algumas coisas determinantes para identificarmos a presença de Cristo em nosso mundo.

A Galiléia é a periferia social de nosso tempo, o lugar onde as grandes cidades tentam esconder os excluídos e proscritos, aqueles que não têm acesso aos bens de consumo e aos privilégios dos grandes centros urbanos. A Galiléia é a periferia onde se encontram os desempregados, os que não receberam qualificação para o mercado de trabalho, os que vivem das sobras de lixo reciclável e os doentes que nunca são devidamente atendidos na rede de saúde pública. Pode parecer estranho, mas é lá que o Cristo ressuscitado está agindo. É lá na periferia que Ele nos espera. Lá é o local do encontro que Ele marcou conosco, o “santo lugar”.

Cristo hoje está vivo não na segurança de Jerusalém, mas na insegurança representada pela Galiléia. Por isso também a Galiléia é símbolo da pós-modernidade. Cristo está naquilo que é incerto, naquilo que é desconhecido, naquilo que não queremos aceitar, naquelas práticas que não ousamos realizar, naquilo que nos envergonhamos. Essa talvez seja uma estranha mensagem para os que celebram a adoração em um templo. Mas é a mensagem central da ressurreição de Cristo. Ao saírem dos templos de suas igrejas no domingo, corram para a Galiléia, porque Ele está lá nos esperando.

Ide à Galiléia, lá o vereis !

Que possamos então procurar Cristo lá onde nunca pensamos encontrá-lo. Lá Ele nos espera. Lá, surpreendentemente, o veremos.

O encontro com Ele, não é simplesmente “neste santo lugar’. É lá naqueles lugares considerados sujos e impuros. É lá na Galiléia dos pecadores.

Ide à Galiléia. Lá o vereis !

Extratos do livro:
Entre o Púlpito e a Universidade
Carlos Eduardo B. Calvani
Editora Aste

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Porque Escrevo ?


Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.

Por Vergílio Ferreira – In “Pensar”.


E disse o Senhor a Moisés: “Escreve isto para lembrar...” Êxodo 17:14

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O assunto é...Ciência e Fé... !



As pesquisas com células-tronco pela comunidade científica e médica, e a discussão sobre seu uso e aplicação em benefício da humanidade, provoca uma discussão global em torno da questão: Onde e quando tem início a vida ? Seria correto o uso de tais células ? Estaríamos com isso beneficiando vidas em detrimento de outras ?

Se fossemos aqui partir de uma visão metabólica, poderíamos pensar que, o que sustenta a vida é um processo contínuo. Portanto, não faria sentido pensarmos na questão sobre o início da vida, já que o óvulo e o espermatozóide são apenas o meio da cadeia vital, ou seja, se a vida começa da vida, então ela nunca acaba, tão somente se reproduz, não é necessário se extinguir uma vida para que outra comece. Mas a discussão, é claro, está muito longe de se resumir a essa idéia.

Abordando o aspecto científico do assunto, convém tentarmos entender o conceito de “célula-tronco”: A célula-tronco (aquela que origina todas as outras células) é o óvulo fertilizado (zigoto). Essa única célula é capaz de gerar todos os tipos celulares existentes em um organismo adulto, até os gametas — óvulos e espermatozóides — que darão origem a novos zigotos, que por sua vez darão origem ao embrião, que dará origem ao feto.

Entender em detalhes como um organismo completo, com inúmeros tipos diferentes de células, forma-se a partir de apenas uma célula - o óvulo fertilizado (zigoto) - ainda é um desafio para a ciência. O desafio das pesquisas com as CT, consiste em dominar o processo pelo qual elas dão origem a cada tipo de tecido e a partir daí se utilizar essas descobertas para cura de doenças através de uma medicina preventiva e regenerativa. Na prática, os cientistas ainda não sabem que comandos determinam se uma CT vai , por exemplo, se transformar em osso, fígado ou sangue.

Enquanto a comunidade médica e científica, ocupa-se com as pesquisas, uma discussão ético-religiosa forma-se na sociedade. Estaria a humanidade entrando em um campo perigoso, onde a determinação da continuidade ou não da vida estaria em suas mãos? Observando pela ótica religiosa seria esse um ato imoral? Ou seja, se temos uma célula-tronco que se localiza dentro de um zigoto, que se transforma em um embrião, e se entendermos que tanto o zigoto como o embrião podem ser considerados um ser vivo; teríamos nós o direito de interromper essa vida ?


Vejamos a opinião de Antonio Carlos Campos de Carvalho pesquisador do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e professor de fisiologia e biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro :

“Diante de questões tão polêmicas, é preciso que a sociedade como um todo se manifeste, através de seus legisladores, e defina o que é socialmente aceitável no uso de células-tronco embrionárias humanas para fins médicos. Inaceitável é impedir o progresso científico baseado na premissa de que o uso do conhecimento pode infringir conceitos religiosos ou morais. O Congresso dos Estados Unidos parece ter chegado a essa conclusão ao autorizar recentemente o uso de células tronco humanas nas pesquisas financiadas pelo National Institutes of Health).


Dúvidas também aparecem na igreja. Segundo o pastor da Igreja Batista do Bacacheri, Nathaniel Brandão, pela Convenção Batista Brasileira ainda não existe uma decisão formada:

“Os batistas brasileiros sempre apoiaram os programas que visam ao progresso da ciência, pois Deus criou o homem e deu-lhe inteligência. Se for da vontade dele e as pesquisas trouxerem benefícios para a sociedade, não temos como nos opor”, opinou.

Diante das dúvidas, e dos debates sobre o assunto que está longe de ser uma questão pacífica. Podemos sim ter uma certeza em relação à vida e seu início.

Cristo disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10:10).Cristo para nós, recebido pela fé, é a origem da vida , da vida mais abundante. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é”, e é aí mesmo que poderemos encontrar a verdadeira vida. Vida que não depende de pesquisas com células tronco, vida aliás, que é eterna, não corre o risco de degeneração e nem deixa dúvidas quanto ao momento de seu início, pois é garantida pelo próprio autor da vida !

Ainda refletindo sob a ótica religiosa e cristã, o que podem significar as palavras do apóstolo quando, referindo-se a pessoas regeneradas, que já descobriram o início da vida abundante, disse: “Filhinhos, por quem de novo sofro dores de parto, até ser Cristo formado em vós” . (Gl 4:19) Essas dores de parto pelos que já receberam a vida plena – o que significa? Será uma metáfora ou será uma indicação de alguma obra mais profunda de renovação divina, por aqueles que, tendo começado a verdadeira vida, estão em perigo de procurar tornar-se perfeitos pela carne?

Que Deus nos dê discernimento...

José B. Silva Junior

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Entrevista com Marcos Eberlin sobre criacionismo

Entrevista do meu mais novo professor do curso que estou participando na 1ª Igreja Batista de Campinas, que trata do tema Fé e Ciência. Suas colocações são muito interessantes e considero valer a pena a leitura.




Marcos N. Eberlin é, desde 1982, professor doutor titular da Universidade Estadual de Campinas. Realizou pós-doutorado na Purdue University, Estados Unidos, e orientou diversos mestres, doutores e pós-doutores. Entre as pesquisas realizadas por seu grupo, destacam-se os estudos de reatividade de íons na fase gasosa, que levaram à descoberta de vários novos íons e novas reações com diferentes aplicações analíticas e sintéticas. Uma dessas reações hoje leva seu nome: Reação de Eberlin.

Membro da Academia Brasileira de Ciências, o Dr. Eberlin é comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e autor de mais de 300 artigos científicos com mais de três mil citações.

Nascido em Campinas, SP, é casado com Elisabeth Eberlin e tem duas filhas: Thaís e Lívia.

Nesta entrevista, concedida a Michelson Borges, o Dr. Eberlin, que é batista, fala de suas pesquisas e de sua fé no Criador.

Ao recomendar um livro criacionista, o senhor escreveu: “Como químico, percebo a assinatura do Criador em tudo, nos átomos e nas moléculas, na periodicidade dos elementos, na singularidade da água e do carbono, nos aminoácidos, proteínas e enzimas, nas máquinas moleculares e na obra-prima maior, a molécula de DNA.” Poderia falar um pouco sobre como cada um desses detalhes corresponde à “assinatura de Deus”?

A vida, quando observada “mais de longe”, superficialmente, já se mostra extremamente bela, complexa, simétrica, sincronizada, uma obra de arte, um esplendor absoluto. Veja as flores, os pássaros, a Lua e as estrelas, o homem e os animais, um espetáculo indefinível que nos apresenta, através da criação, um pouco de beleza, inteligência, engenhosidade; atributos inigualáveis de nosso Deus. Mas como cientista e mais particularmente como químico, tenho a oportunidade de observar a obra de Deus de um ponto de vista mais próximo, mais detalhado, em nível molecular.

Como químico, estudo a arquitetura da matéria, como foram formados os átomos, as moléculas, quais são as leis que regem o mundo atômico e molecular e suas transformações. Percebo, então, em uma dimensão atômica e molecular, como Deus é realmente um Ser de suprema inteligência e elegância, o Arquiteto, o Artista sem-par. Nessa dimensão, percebo uma riqueza extraordinária de detalhes, uma arquitetura constituída das mais diferentes formas geométricas, lindas, harmônicas, periódicas, perfeitas. Como a água, com sua estrutura angular simples, mas única, que rege suas propriedades também únicas, impressionantes, e que forma lindos cristais de gelo, de um design sem igual.

Veja os átomos e o balé sincronizado de seus elétrons em orbitais. As proteínas, outro espetáculo, uma arquitetura química tridimensional e com pontos de encaixe engenhosamente posicionados que confere a essas moléculas propriedades diversas, uma eficiência extraordinária como aceleradores de reações jamais igualada por qualquer outra espécie química. Beleza, simetria, design, engenhosidade, sincronismo, ordem, linguagem e periodicidade, quantização, tridimensionalidade – são assinaturas inquestionáveis de um Deus em tudo absolutamente espetacular! Evidências que nos tornam a todos, cientistas ou não, inescusáveis.

É um delírio duvidar desse Deus e questionar Sua existência. É um devaneio não admitir Sua majestade; uma insanidade zombar de Seu poder e glória.

O senhor e sua equipe do Laboratório Thomson, do Instituto de Química da Unicamp, têm se destacado por suas pesquisas sobre homoquiralidade. Do que se trata isso?

Algumas moléculas, como os aminoácidos e os açúcares, que são constituintes básicos de todos os seres vivos, podem se apresentar na forma de isômeros chamados de isômeros óticos ou enantiômeros. Esses isômeros diferem apenas pelo posicionamento de seus átomos em um espaço tridimensional (um Deus trino e um espaço tridimensional!). Em um desses isômeros, por exemplo, um átomo X está à direita e outro átomo Y à esquerda. No outro isômero, as posições estão trocadas, invertidas. Essas moléculas são “quase” idênticas, e pela lei das probabilidades em um sistema não controlado, teriam a mesma chance de se formar em uma reação química. Mas, por decisão do Criador, que em nós quis adicionar uma “assinatura química” que autenticaria Sua obra, todos os aminoácidos do corpo humano são de um único tipo, do tipo L, sem exceção, e 100% puros. E, para confundir ainda mais os “sábios deste mundo”, todos os açúcares também são de um único tipo, sem exceção, mas do tipo oposto, ou seja, D. Somos, portanto, seres únicos, enantiomericamente puros, homoquirais! Escolhidos pelo nosso Criador a dedo, entre alternativas muito mais prováveis, mas menos interessantes, para assim sermos. Entre a possibilidade maior, a possibilidade caótica de sermos metade L e metade D (racêmicos), ou entre as quatro improváveis LL, DD, LD ou DL, Ele escolheu que seríamos todos LD, e 100%! Pelo poder de Sua Palavra! Um enigma e tanto que estonteia os naturalistas e que cala os céticos!

Por que o senhor vê, especialmente nas moléculas quirais, as digitais do Criador?

Em todas as moléculas vemos “a mão e a mente” de nosso Criador. Mas as moléculas quirais são especiais, pois o acaso, o tempo, o caos, os “deuses naturalistas” nenhuma possibilidade teriam de criar seres 100% puros, homoquirais, especificamente seres exclusivamente LD. Os seres criados pelos “deuses naturalistas” seriam, no máximo, racêmicos (misturas 1:1 de L e D), ou talvez um pouquinho mais pra L ou mais pra D, ou misturas de LD e LL. Mas 100% LD, para todos os aminoácidos e açúcares? Por isso, sabemos que não há no Céu e não há na Terra Deus como o Senhor!

Quando Charles Darwin elaborou e publicou sua teoria, a bioquímica ainda ensaiava seus primeiros passos, já que a descoberta da primeira enzima ocorreu em 1833. De lá para cá, tanto a bioquímica quanto a biologia molecular se desenvolveram muito e foram feitas descobertas que mostraram que a vida é muito mais complexa do que Darwin poderia sequer supor. Em sua opinião, por que, a despeito disso, a idéia da origem espontânea da vida ainda persiste?

Na época de Darwin, o “equipamento científico” mais utilizado era a cadeira de balanço, onde Darwin e outros pensadores e filósofos elaboraram as teorias naturalistas sobre a origem da vida. Porém, o trabalho árduo e sério de muitos cientistas utilizando métodos modernos, equipamentos científicos cada vez mais poderosos, desvendou uma vida muitíssimas e muitíssimas vezes mais complexa, organizada, sincronizada e elaborada do que os “vaivéns” das cadeiras de balanço ou as viagens de barco poderiam revelar. Mas a evolução foi contada com tanto entusiasmo por mais de 150 anos, foi pregada com tanto fervor, foi catequizada com tanta veemência, está estampada e detalhada em tantos livros científicos com tanta pompa, deu tantos prêmios a tantos, serviu de alívio a tantos que tentam escapar da iminência de um encontro face a face com Deus, foi apregoada por céus e mares como cientificamente provada em todos os seus aspectos, foi apresentada como a verdade mais cristalina frente à ignorância dos religiosos, foi adotada como o evangelho-mor dos naturalistas, está permeada em tantos conceitos e projetos científicos, que seria uma catástrofe sem precedência na história científica admitir sua falha, sua total inconsistência frente à química e a bioquímica modernas. Mas, quando a caixa preta de Darwin foi aberta, quando foram desvendados os segredos da máquina mais complexa e espetacular deste planeta (a célula), a verdade foi, pouco a pouco, sendo revelada.

Deus “deu corda”, mas hoje Ele está dirigindo o processo de desmontagem do castelo naturalista, imenso, gigante, monstruoso, mas que precisa e vai cair.

Por que o senhor acha que teorias como a panspermia cósmica (origem espacial) têm conquistado espaço no meio científico, a despeito de todas as improbabilidades com que elas têm que lidar?

Qualquer explicação para a vida e o Universo que não inclua a intervenção de nosso Criador, de Deus, será assim mesmo um delírio. Mesmo assim, homens acreditarão nelas e com elas se embriagarão, pois muitos se recusam a admitir que Ele existe e que comanda o Universo.

O senhor declarou a um jornal que sua grande motivação para fazer ciência é entender como Deus cria as coisas, usando as próprias leis da química e da física. Esse tipo de postura não lhe causa problemas no meio acadêmico? Como seus colegas cientistas encaram sua postura religiosa?

Até hoje não tem causado, não. Deus tem me livrado pela Sua misericórdia e poder. Ao contrário, tenho tido o privilégio único de fazer amigos que, apesar de se declararem ateus ou descrentes, têm com sinceridade encontrado em mim uma voz com um discurso diferente, um discurso de esperança, um discurso de alegria, de reconciliação, que fala do amor sublime do Criador Supremo pelos Seus filhos, que mostra nossa importância como seres criados à semelhança de Deus, para Seu louvor e glória; seres com propósito, com destino, um destino de glória e honra, ao lado dEle.

É possível harmonizar ciência e religião? Como cada uma delas pode contribuir na busca da verdade?

Sem dúvida. A ciência é uma dádiva de Deus. Ela existe para minimizar os males causados pela queda do homem, e que se agravam a cada dia. A ciência pura e verdadeira deve ser exercida para o bem do homem e a preservação da obra de nosso Criador. Deve ser usada também para que o homem, imagem e semelhança de Deus, tenha a oportunidade de criar, de influenciar, de mudar um pouco o curso deste mundo. A ciência mostra que Deus existe, mas as religiões nos apresentam formas de nos relacionarmos com deuses ou com o Deus verdadeiro. Cabe a nós, cientistas, remover da ciência a religião naturalista que dela se apoderou e exercer uma ciência desvinculada de amarras religiosas de qualquer tipo. E cabe aos religiosos a busca pelo Deus verdadeiro e a observância de Seus mandamentos.

Por que o naturalismo filosófico tem tanta força no meio científico hoje, quando sabemos que os fundadores do método científico tiveram boa convivência com a fé?

Em determinado momento do desenvolvimento da ciência, baseado em informações imprecisas e incompletas, percebeu-se que a ciência poderia ser o berço do nascimento de uma religião conhecida hoje como naturalismo. Essa “religião” prega que a vida é obra de um “deus trino” (o acaso, o tempo e as mutações) e teve sua gênese em uma explosão cósmica, o Big Bang. Infelizmente, isso ocorreu de uma forma intensa, e muitos têm se convertido a essa crença. Mas Deus, que até hoje “deu corda”, que com ela confundiu os sábios deste mundo, Se cansou dessa situação e está revertendo tudo e restabelecendo a verdade, livrando a ciência ¬– que tanto bem tem trazido a todos nós – desse empecilho que prejudica um avanço científico ainda maior.

A controvérsia entre criacionismo e evolucionismo está crescendo e ganhando cada vez mais espaço na mídia. A que o senhor atribui essa tendência e onde isso vai parar?

Deus, que por 150 anos “deu corda”, resolveu dar um basta! O vento está soprando, e o castelo de areia naturalista vai cair.

Fonte: Blog Criacionismo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Provações, adversidades, sofrimentos e disciplina de Deus. Há lugar para isso na vida do Cristão ?


Escrevo hoje inspirado pelo sermão que ouvi dia 24/01/2010 na 1ª Igreja Batista de Campinas, proferido pelo Pr. Adalberto F. Lima. Entre os textos lidos, que serviram de base para a exposição bíblica, ficaram gravados em minha memória os seguintes:

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações... (Tiago 1:2)

Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida... (Tiago 1:12)

Mas a minha graça é suficiente para você. Pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza... Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois quando sou fraco, é que sou forte! (II Cor 9-10)

Meditei nos dias seguintes sobre a importância das provações e da disciplina de Deus como agentes indispensáveis á formação do caráter e amadurecimento da personalidade Cristã. Caminhei para o texto do livro de Hebreus... Tentei elaborar uma breve exegese que me auxiliasse a compreender a necessidade da disciplina de Deus em minha vida.

Uma breve análise exegética de Hebreus 12:7-11

7 Suportem as dificuldades, recebendo-as como disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado por seu pai ? 8 Se vocês não são disciplinados, e a disciplina é para todos os filhos, então vocês não são filhos legítimos, mas sim ilegítimos.9Além disso, tínhamos pais humanos que nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Quanto mais devemos submeter-nos ao Pai dos espíritos, para assim vivermos!10Nossos pais nos disciplinavam por curto período, segundo lhes parecia melhor; mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos de sua santidade.11Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados.”

Comentário do Texto (Hb 12.7-11).

O escritor de Hebreus aplica a idéia contida no livro de Provérbios (3.11-12). Ele sabe que os filhos de Deus passam por períodos de sofrimento e necessitam de encorajamento.

. “É para disciplina que perseverais...” Nos textos sagrados a palavra disciplina (paideian), vem carregada com a idéia de ensino/educação. Logo a direção do texto segue para um caminho que deseja apontar à idéia de que por trás das adversidades que os filhos enfrentam, está um Pai amoroso que está lhes dando o que é melhor. Os filhos então devem sempre olhar além das adversidades e sofrimentos, e entender que é o próprio Pai (Deus) quem está trabalhando em suas vidas. O versículo é entendido como afirmação de um fato e nos informa que os destinatários da carta suportaram sofrimentos como disciplina.

7b – “Pois que filho há que o Pai não corrige ?” É claro que um filho se submete às regras de seu pai, do contrário não seria um filho de verdade. O que o versículo 7 nos diz, é que o próprio Deus está educando seus filhos. Deus os ensina como filhos, para que possam tomar lugar próximo ao filho de Deus.

8 – Este versículo pode ser interpretado como significando que os leitores eram filhos ilegítimos, espiritualmente. Mas não é esse o caso. O escritor já afirmara anteriormente que eles são filhos de Deus. Ele chama a atenção das pessoas por causa de seu descuido em aceitar a disciplina divina.

9 – No versículo anterior o autor dirige-se ao leitor diretamente ao usar “vós”, no versículo 9 o sábio conselheiro inclui-se e usa “nós”. Ele Ilustra a explicação com a vida familiar, uma situação comum na vida de todos os seus ouvintes e leitores. Comum também a você e a mim.

10 – a comparação continua... Os filhos estão na casa do pai, durante sua infância e adolescência, os anos nos quais eles recebem disciplina (poucos anos).

11 – Contrasta a disciplina do presente com os resultados que serão colhidos no futuro. Os sofrimentos e provações que você experimenta são dolorosos, mas quando o período de agonia terminar, você verá os resultados. Seu prêmio será um relacionamento reto com Deus e o homem no qual a paz reina suprema.

Aplicações:


Quando Deus envia provações, sofrimentos ou doenças, nós muitas vezes podemos ouvir os mais aflitos questionarem, POR QUE EU ? Eles examinam o próprio coração e mente e tentam encontrar o motivo pelo qual Deus está descontente com eles. A escritura fala diretamente sobre essas perguntas e dá a seguinte resposta: “Pois o Senhor disciplina aos que ama”. Que grande conforto saber que em meio à disciplina de Deus em minha vida, conto com seu cuidado, atenção e amor, preparando para mim, coisas que minha mente ainda não pode pensar, meu coração ainda não pode sentir e meu olhos ainda não podem ver.

Há um sábio adágio popular que diz o seguinte: “Não use a disciplina e perca a criança”. Alguns pais podem ter a errada noção de que não precisam disciplinar seus filhos. Segundo a visão destes, a disciplina é contrária ao amor e assim nunca deveria ser aplicada. Não é assim com Deus no relacionamento com seus filhos. Exemplos nos mostram que quando a falta de disciplina leva à falta de respeito, os resultados podem ser trágicos para a criança, para seus pais e para a sociedade. Deus entretanto , disciplina seus filhos e filhas porque os ama. Nesta vida eles colhem os frutos da justiça e da paz, e na vida do porvir eles compartilharão da santidade de Deus.


“Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados.”Hb 7:11


José B. Silva Junior

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nem toda verdade está na Bíblia. (?)


“Tudo o que está na Bíblia é verdade, mas nem tudo que é verdade está na Bíblia”.

Li essa frase um uma entrevista de Ed Renè Kivitz, que a atribuiu como de autoria de um professor de teologia com quem teve aula. Fiquei por alguns momentos, lendo e relendo o pensamento, tentando achar a “verdade” dessa afirmação. A pergunta que fiz a mim mesmo foi inevitável, “se tudo o que está na bíblia é verdade, como pode acontecer de nem toda verdade, estar na bíblia?” E continuei pensando comigo mesmo: “Mas na verdade... de qual verdade estamos falando?”

Para os mais afeitos à filosofia, talvez não haja pergunta mais apreciada do que esta: “ O que é a verdade” ?

Aliás a própria filosofia ao tentar estabelecer um consenso para a questão acabou em algum momento por se conflitar, pois há um antigo conceito filosófico que preceitua que a verdade absoluta não existe. Porém, ao admitirmos essa afirmação como uma verdade, deveremos também entender que a verdade de que a verdade absoluta não existe, não pode ser uma verdade absoluta, pelo simples fato de que essa não seria segundo a própria premissa apresentada, uma verdade absoluta. É amigo..., se explicar o pensamento é complicado, imagine trilhar o caminho e chegar á conclusão do que é a verdade...

Platão é outro que vivia fazendo perguntas a si mesmo sobre o problema da verdade. Através de um dos seus diálogos, o “Eutidemo”, onde se ocupando da retórica , analisava e se propunha a provar algumas questões através de um diálogo entre dois irmãos (Eristic e Dionysodorus), onde uma das discussões apresentadas seria a de que toda hipótese deveria ser imediatamente confirmada, ou seja, entendida a priori, como uma verdade. Eristic, usa como argumento para tal entendimento a crença no fundamento de que o erro não é possível, logo tudo o que você pensa ou diz é verdade. Platão não aceita esse argumento, e então, critica duramente a Eristic com um meio pelo qual é impossível compreender a verdade dizendo isso, pois que se em princípio cada coisa é verdade, não haveria nada a ensinar e nada a aprender.

Aproximadamente quatrocentos anos depois desses diálogos Platônicos, vivia-se a realidade de uma sociedade influenciada agora por filósofos epicureus e estóicos que reuniam-se nas praças de atenas - as ágoras - , afim de discutirem sobre o conhecimento da verdade. Entre eles Dionísio, o Areopagita, com quem o apóstolo Paulo travou alguns diálogos e segundo a história, seria um dos que foram convertidos à fé cristã pelo Apóstolo dos Gentios. (Atos 17:34).


Nesse contexto do mundo helênico da época neo-testamentária, João, o discípulo amado, narra um diálogo de Jesus com alguns judeus que criam nEle. Jesus aqui parece também entrar na discussão platônica sobre o conhecimento da verdade, e a indica como um caminho de libertação, Ele diz:: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará...” João 8:32


Penso eu: Estaria Jesus, fazendo através dessa afirmação uma exortação à filosofia e ao inquérito homem interior ? Afinal, qual seria essa verdade libertadora apresentada por Jesus à seus ouvintes ? Devemos nos lembrar, que a frase não foi dita para pessoas que não criam em Jesus, é o próprio texto bíblico que nos garante que Ele.. “disse (aquilo) aos judeus que haviam crido nele...” Mal comparando, Jesus fala sobre o conhecimento da verdade aquelas pessoas que já haviam “levantado suas mãos” e “ o aceitado como Senhor e Salvador de suas vidas”.
Mas então, de qual verdade Jesus estava falando ?

Entendo que essa verdade, aponta para o sentido da vida plena e abundante (hyperekperissou) que Jesus oferecia às pessoas. Uma vida que envolveria a fé no filho de Deus e o questionamento do homem pelo verdadeiro sentido da vida. Vida que não deveria ficar presa às leis e rituais, mas sim, estar submissa à prática do amor . Os judeus (fariseus?) que haviam crido em Jesus e simpatizado com sua pregação no capitulo 8 de João, ainda não haviam descoberto toda a verdade da qual necessitavam para serem livres ( pelo contrário, estavam muito distantes dela). Eles ainda precisavam de muletas, eram dependentes do cumprimento de uma série de rituais estabelecidos pela religião judaica. Eram prisioneiros de mentes e olhos que pensavam e enxergavam por eles. Haviam crido, mas creram sem entender o que Jesus pregava. Sobre isso o próprio Jesus lhes pergunta:“Por que não entendeis a minha linguagem?” É também o próprio Jesus que responde de forma retórica: “Vocês não entendem, por não poderem ouvir a minha palavra – (João8:43).” E na continuação dos argumentos Jesus de forma enfática faz ainda outra pergunta: “Se vos digo a verdade porque não acreditam?”(João 8:46b).O que mais me deixa perplexo nesse diálogos de Jesus com aqueles Judeus, é o texto bíblico afirmar que eles CRIAM n’ELE. Uma crença inútil, que os fazia estarem distantes da libertação que Jesus pregava.

Entendo que a verdade que liberta, é a verdade da pregação e da vida de Jesus. Uma verdade que se estabelece através das atitudes que Ele teve quando passou por esse mundo em relação ao ser humano. Verdade que não se baseava em vãs discussões filosóficas , discursos hipócritas sobre fazer o bem ou em cumprimento de rituais. Jesus é a personificação e realização dessa verdade, Ele é a teoria e a prática dessa verdade que sempre indicou a busca pelo real interesse em amar e ajudar ao próximo em sua plenitude. Essa é a verdade transcendente e absoluta que tem a capacidade de transformar e libertar totalmente o ser-humano em todas as esferas de sua existência, nessa e na outra vida.


Concluindo meu pensamento, sobre a leitura de Ed René Kivitz, e compartilhando do pensamento dele, eu diria que por mais abrangente que eu queira ser nessa minha abordagem sobre a verdade , antes de ter a pretensão de querer convencer ou falar com qualquer pessoa eu falo comigo mesmo. Os textos que tenho escrito, os escrevo buscando respostas para mim. Quando eu as encontro, as que me satisfazem ainda que minimamente, eu compartilho e expando. Mas estou falando primeiro para mim e depois para os outros.
Sempre em busca da verdade que liberta... em todas as esferas da vida !

José B. Silva Junior - Fev/2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Música - O Sonho


O Sonho - Stenio Marcius

Sonhei que eu tinha morrido
Não lembro direito de quê
Me vi frente a um alto e belo portão
Com uma placa escrito: Céu

Bati com um certo receio
Um anjo saiu pra atender
Me disse: “ Pois não ? “ – eu falei; quero entrar
Pois aí é o meu lugar

O anjo me disse: “curioso,
Eu não acho o seu nome em nossos registros”
Eu disse: procure num livro antigo
Escrito antes que houvesse mundo
E ali achará com a letra do Rei
Meu nome com tinta vermelha


Alguém entregou para o anjo
Registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei
E os pecados que cometi

O anjo olhava os registros
Visivelmente assustado
E me perguntou: “ Foi assim que viveu? “
E eu então respondi que sim

“ Então como é que você tem coragem
De vir nessa Porta bater? “
Eu disse: olhe bem no final dessa lista
Você reconhece esta letra?
E o anjo sorrindo me disse:
“ É verdade!!! O Rei escreveu: Perdoado! “


E ao som dessa bela palavra
Aquele portão se abriu
Então eu entrava cantando um hino
Que pena que o sonho acabou
Ficaram comigo aquelas palavras:
“ Primeiro eu quero ver meu Salvador”

sábado, 23 de janeiro de 2010

Por Deus...tenham um blog ! Diz Papa aos padres.

VATICANO - Por de Deus, tenham um blog!, disse o papa Bento XVI aos padres católicos neste sábado, afirmando que eles devem aprender a usar novas formas de comunicação para disseminar as mensagens do evangelho.
Em sua mensagem para a Igreja Católica no Dia Mundial da Comunicação, o papa, de 82 anos e conhecido por não amar computadores ou a internet, reconheceu que os padres devem aproveitar ao máximo o "rico menu de opções" oferecido pelas novas tecnologias.

"Os padres são assim desafiados a proclamar o evangelho empregando as últimas gerações de recursos audiovisuais - imagens, vídeos, atributos animados, blogs, sites - que, juntamente com os meios tradicionais, podem abrir novas visões para o diálogo, evangelização e catequização", disse ele.

Os padres, disse ele, precisam responder aos desafios das "mudanças culturais de hoje" se quiserem chegar aos mais jovens.

Mas Bento XVI alertou os padres de que não tentem se tornar estrelas da nova mídia. "Os padres no mundo das comunicações digitais devem ser mais chamativos pelos seus corações religiosos do que por seus talentos comunicativos", disse ele.

No ano passado, um novo site do Vaticano, www.pope2you.net, foi lançado, oferecendo um novo aplicativo chamado "O Papa se encontra com você no Facebook" e outro permitindo acesso aos discursos e mensagens do papa nos iPhones ou iPods dos fiéis.

Bento XVI também escreve a maior parte de seus discursos à mão, em alemão, e seus ajudantes mais jovens ficam encarregados de colocá-los em conteúdo digital.

Fonte: IG

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Diakonos Haitianos


Li, já há algum tempo, o livro do renomado escritor contemporâneo, James C. Hunter: “Liderança Servidora”. Em alguns trechos do livro, Hunter fala sobre as atividades que desenvolve junto á executivos de grandes empresas, ministrando palestras sobre como ser um líder que influencia seus liderados através de algumas atitudes que demonstrem a disposição prática do servir ao próximo. Ele observou, que todos esses executivos, ficavam empolgados com as idéias apresentadas durante as palestras, mas ao voltarem para seus postos de trabalho na rotina de suas atividades diárias não conseguiam colocar em prática o que haviam aprendido. O colocarem-se em atitude de servos, prontos a ajudarem seus liderados, era algo que os incomodava e se tornava para eles um peso difícil de ser carregado para que os resultados fossem alcançados. Em uma última análise, estavam presos á idéia de que um líder não poderia estar em uma posição que demonstrasse igualdade com aqueles a quem lideravam. Para a maioria, assumir uma atitude de ajuda ao próximo, era submeter-se a algo humilhante, e que não combinava com seus ternos “Armanis” e suas gravatas italianas .

Já nas páginas da Bíblia, no Novo Testamento a idéia de serviço e ajuda ao próximo, entendida pelos apóstolos como uma necessidade da comunidade cristã, e que teria como representante dessa prática a pessoa do >διάκονος<(diákonos - palavra grega, que significa ajudador, servidor), mirava-se no exemplo do próprio Jesus. Aquele que através do serviço, do amor ao próximo e da preocupação com o problema humano, conseguia não só colocar em prática esses princípios, mas, além disso, influenciar o comportamento de seus seguidores para que um objetivo maior e sublime fosse alcançado. Tanto que uma das principais características da comunidade de cristãos do primeiro século era o de “terem tudo em comum e repartirem tudo que possuíam”. Esse exemplo de Jesus, me parece ser o princípio de liderança que Hunter tentava passar aos seus esforçados (mas orgulhosos) executivos. A verdadeira missão do diácono talvez seja ainda melhor entendida e explicada quando olhamos para a raiz da palavra grega, (para quem gosta de filigranas lingüísticas como eu...) e que revela algo bem prosaico: "passado através da poeira" (de "dia" = por, pelo, pela, e "konos" = poeira, pó). Isso mostra como a simplicidade revela a grandeza da função: o verdadeiro ajudador não se importa em passar através da poeira se necessário for, dá a idéia de se curvar a ponto de chegar próximo ao solo e ao pó... humilhar-se para exemplificar e praticar o real sentido do servir . Ao me deparar com esse significado da palavra diácono, me lembrei da tragédia no Haiti onde um terremoto de enormes proporções ceifou a vida de dezenas de milhares de pessoas e deixou muitas outras feridas, desabrigadas e sem uma perspectiva de uma vida digna no futuro. Enquanto via as imagens da tragédia pela televisão, vi também um enorme número de “diákonos” que passavam em frente ás câmeras... Médicos, enfermeiros, militares, missionários, repórteres, civis, profissionais dos mais diversos segmentos da sociedade e até mesmo crianças... com o corpo, o rosto, os cabelos, os lábios... cobertos de pó, na desesperada tentativa de prestar ajuda ao próximo... Pessoas “passadas através da poeira”... diákonos no exercício de suas missões em terras haitianas.



Assim como a função do ajudador do novo testamento não se limitava ao dar algo nem em se dar a alguém, mas principal e fundamentalmente em intermediar as misericórdias de Deus e ser “um braço” dEle para quem necessitasse; também isso, foi o que consegui enxergar nas vidas daqueles diákonos do Haiti: O canal de transmissão das misericórdias de Deus, “um braço” dEle estendido aos que sofriam com tamanha tragédia.

Entendo assim que a prática do serviço exige de nós, mais do que um título e capacidade cognitiva. Vai além do que a maioria dos ouvintes de Hunter entendeu sobre liderança servidora. Passa pela idéia de que nosso terno e gravata, nossa farda de militar, nosso uniforme branco de médico ou enfermeiro , e até mesmo nossos crachás com a inscrição “Diácono” (assim com “c” mesmo; um pouco mais distante do original grego), não determinam se somos mesmo diákonos
ou não... mas sobretudo, o que determina essa condição é a disposição em nos colocarmos em submissão ao Mestre do serviço, e através do seu exemplo e dependência, termos a graça de socorrer e servir aqueles que necessitam. Seja no Haiti ou em nossas comunidades.

Hunter deve ter compreendido que servir e ajudar são uma arte muito difícil!

E que só Deus pode ensiná-las de maneira plena...

“Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus"(1 Timóteo 3: 13).

José B. Silva Junior – Jan/2010.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Caminhos da Vida


Por Natanael Gabriel da Silva

“Ouça, meu filho, e seja sábio; guie o seu coração pelo bom caminho. Não ande com os que se encharcam de vinho, nem com os que se empanturram de carne. Pois os bêbados e os glutões se empobrecerão, e a sonolência os vestirá de trapos.” – Provérbios 23.19-21

Não ande com quem não tem um sentido para viver, esse é o conselho. O exemplo vem dos ébrios e glutões, algo próprio para um final de ano. É, numa cultura como na nossa, quando o comer é apenas um detalhe para estar juntos, parece ser um bom conselho.

Só que não o tome ao pé da letra. Quem vive para comer e beber perde o que tem, ou fica pesado por conta do excesso ou perde o rumo por conta da bebida. É uma metáfora de ausência de direção. Se você anda com quem não sabe para onde vai, também irá para lugar nenhum. Parece coisa boa, em princípio, mas depois ou perde-se o rumo da casa, ou fica-se caído encostado em algum poste. E olha que tem gente que não sabe para onde vai, com muita segurança. Uma vez escutei uma pessoa que me disse: “Você tem que aproveitar a vida, como eu”. Disse isso com tanta autoridade, honestidade e convicção, que eu quase acreditei.

Não é preciso haver estradas para que haja caminhos. Foi assim com o povo andando pelo deserto, e uma vez Pedro fez uma pergunta para Jesus: “Para quem iremos nós?” Pedro estaria perdido, sem estrada ou caminho, caso não andasse nas pisadas de Jesus. Também Jesus disse: “Eu sou o caminho...” Não há estradas para a eternidade, mas caminhos que às vezes por “lugares” inimagináveis. Terá que pegar a trilha, pra saber do que estou falando.

Os caminhos de Deus, Jesus como caminho e o sentido da vida se constituem numa única direção, cuja estação e bilhete de viagem encontram-se no coração. É lá que você decide quem vai ser e o que pretende da vida. E só você pode fazer isso.


Tenha um bom dia!

Pr. Natanael Gabriel da Silva

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Crônicas Saxônicas"

Recebi de um grande amigo essa semana uma sugestão de leitura. Trata-se da obra de Bernard Cornwell, intitulada “As Crônicas Saxônicas”, publicada em 4 volumes: O Último Reino, O Cavaleiro da Morte, Os Senhores do Norte e a Canção da Espada. Em um breve resumo do contexto e da principal personagem do livro lemos o seguinte:

Estamos tratando da época entre 870-880, na formação da Grã-Bretanha, época em que fora invadida pelos “vikings” dinamarqueses, e vivia uma luta atrás da outra.A personagem principal das crônicas de Cornwell é Uhtred. Ele era filho de uma importante família britânica, que dominava sua região.


Num dos confrontos entre britânicos e dinamarqueses, houve grande perda no lado britânico e o pai de Uhtred (também chamado Uhtred) morreu.


Uhtred, um garoto na época, foi capturado (ou adotado, como queira) pelos dinamarqueses e ali educado em suas tradições e costumes, tornando-se um grande guerreiro.Participou de inúmeras batalhas tanto do lado dinamarquês quanto do lado britânico. Do ponto de vista religioso, nasceu como cristão mas, quando educado pelos dinamarqueses, optou pela religião local e, ao longo das narrativas encontramos muitas pérolas em suas reflexões sobre a questão religiosa.


Em determinado trecho das narrativas encontramos as palavras abaixo:


“Eu não sou cristão. Hoje em dia não é bom confessar isso, porque os bispos e abades têm influências demais e é mais fácil fingir uma fé do que lutar contra idéias furiosas. Fui criado como cristão, mas aos dez anos, quando fui levado para a família de Ragnar, descobri os antigos deuses saxões que também eram deuses dos dinamarqueses e nórdicos, e seu culto sempre fez mais sentido para mim do que me curvar para um deus que pertence a um país tão distante que não conheci ninguém que já tenha estado lá. Tor e Odin caminhavam por nossos morros, dormiam em nossos vales, amavam nossas mulheres e bebiam em nossos riachos, e isso faz com que pareçam vizinhos.A outra coisa de que gosto em nossos deuses é que eles não são obcecados conosco. Têm suas próprias brigas, seus casos amorosos e parecem nos ignorar na maior parte do tempo, mas o deus cristão não tem nada de melhor a fazer do que criar regras para nós. Ele cria regras, mais regras, proibições e mandamentos, e precisa de centenas de sacerdotes e monges com mantos pretos para garantir que obedeçamos a essas leis. Parece-me um deus muito rabugento, esse, ainda que seus padres vivam afirmando que ele nos ama.
Nunca fui idiota a ponto de achar que Tor, Odin ou Oder me amavam, mas às vezes espero que me considerem digno deles.”

(CORNWELL, Bernard.
Os Senhores do Norte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 76-7)


Respeitado o devido cuidado com as heresias que se apresentam, mas seguindo sempre a recomendação de observarmos tudo, reter o que for bom e jogar fora o que não presta, apresenta-se a pergunta: Será que, através de nossas pregações, temos colaborado para que as pessoas vejam um deus rabugento?


Começo minhas ponderações sobre os parágrafos acima dizendo que essa reflexão sobre apresentarmos em nossa pregação “um deus rabugento”, tem sido para mim...mais freqüente do que eu gostaria que fosse. Nessa hora vem a minha mente as palavras de Jesus no evangelho de João: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará..*” pois bem... Desde que comecei a tentar me aplicar de forma mais dedicada ao estudo da bíblia tenho percebido muita coisa que não bate com os ensinos de alguns de nossos “sacerdotes e monges com mantos pretos”...


Parece que a maioria deles, agem mais como os fariseus do novo testamento do que como Jesus. Adoram uma lista de “regras, proibições e mandamentos...” para que o sistema e o poder religioso estabelecido permaneça nos trilhos ... Sei que não posso e não devo generalizar... Conheço um bom número de líderes que buscam pregar a mensagem do amor, a libertadora, piedosa e fraternal mensagem do verdadeiro evangelho do Cristo. Mas que não é fácil, perceber tanta coisa acontecendo dentro das igrejas, convenções e alianças...ah..não é não.


Escutei de uma pessoa algum tempo atrás,o comentário de que apesar da insatisfação com essa situação dentro da igreja, sentia não estar preparado para assumir o “viés profético” ... Pois é..acho que também não estou. “...os bispos e abades têm influências demais e é mais fácil fingir uma fé do que lutar contra idéias furiosas”....É muito difícil “dar a cara pra bater”... Emitir sua opinião baseada em uma exegese coerente e clara das escrituras, e perceber que as pessoas te perseguem ou te ignoram por causa disso, e quando questionadas, evitam respostas por não conseguirem argumentar com a bíblia. E é muito cruel também perceber que esses “sacerdotes da pós-modernidade”fazem questão de que os “incautos” continuem ignorantes á respeito da verdade que liberta , sentados nos bancos das igrejas... aceitando tudo que é imposto, por aqueles que dependem da lei para seguir em frente.


Não....esses “sacerdotes e monges”, não conseguiriam sobreviver sem a presença desse “deus rabugento”... Que outro deus afinal poderia criar tantas regras e nomeá-los a serem os vigias e guardiões da garantia de que essas regras fossem cumpridas? ...


Parece até a história daquele sujeito que comprou o inferno e decidiu fechá-lo pra sempre, impedindo a entrada de quem quer que fosse lá, mas logo, teve que revendê-lo à Igreja, pois se assim não fosse, o que seria daqueles que ameaçavam as pessoas de não irem para o céu, por causa da existência do inferno?


Eu aqui com minhas reflexões, já cheguei muitas vezes á pensar como o Uhtred.... Mas ainda que ele prefira fingir uma fé, tenho comigo a idéia de que lutar contra idéias furiosas tem acompanhado os cristãos através dos séculos. E eu sou um cristão. O preço é Indesejável, porém necessário. E vamos prosseguindo pela graça e pela misericórdia de Deus...
Após dizer o que disse, volto ao início de minhas ponderações onde citei o texto de João 8:32, e deixo uma pergunta, para que eu e você possamos pensar juntos sobre a resposta:


Jesus disse a frase sobre o conhecimento da verdade, conforme o texto de João.... à Judeus que já haviam crido nEle, isso, talvez equivaleria em nossos dias, aqueles que levantam as mãos e preenchem cartões de decisão “aceitando à Jesus” nas igrejas. O “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, indicaria então o conhecimento de uma verdade libertadora... pois então, de qual verdade Jesus estava falando ?


E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará... ( João 8:32)


Que Deus, tenha misericórdia de nós, e nos revele a verdade.


José B. Silva Junior, com a colaboração de Sandro A. Nascimento
.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails