Atingidos pelos Reflexos...
sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Como é difícil construir altares...
O altar no imaginário religioso e na história do Antigo Testamento simboliza a aproximação do ser humano com seu Deus. O lugar onde se deposita a oferta e entrega-se o sacrifício, onde o homem percebe-se mais próximo à divindade. No Catolicismo, por exemplo, é a mesa onde se celebra a Missa. No Protestantismo é onde os pastores pregam durante os cultos.
De exemplo prático, temos Noé, que ao final do dilúvio, em forma de gratidão e adoração à Deus, teve como primeiro gesto ao descer da arca, a edificação do altar.
E edificou Noé um altar ao Senhor. - (Gen. 8:20)
Mais altares edificados em Gênesis:
Abrão edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o seu nome – Gen 13:18
Então, Josué edificou um altar ao SENHOR, Deus de Israel, no monte de Ebal – Josué 8:30
Gosto de pensar na idéia de que ao construir um altar, posso me aproximar de Deus. Mas ao mesmo tempo, convivo com a dúvida de que nem todos os altares que tento erguer, permanecem ou permanecerão de pé.
O patriarca bíblico Abraão é um modelo de construtor de altares, temos conhecimento de que por onde ele andava as pessoas reconheciam sua marca, pois a primeira coisa que fazia quando chegava em algum lugar era construir um altar, e quando saía daquele lugar o altar ficava como para lembrar aos que ali permaneciam que ele era abençoado por Deus.
Sei que não vivo mais a época do Antigo Testamento, mas entendo pela norma teológica que podemos continuar a construir altares.
Tento construir altares quando priorizo os valores bíblicos como fonte de sabedoria.
Tento construir altares quando opto por escolha própria sacrificar desejos pessoais em prol de uma educação Cristã aos meus filhos e de um relacionamento baseado na fidelidade e sinceridade cristã com minha esposa.
Tento construir altares, quando as pessoas com quem tenho me relacionado me procuram em busca de algo diferente, e consigo fazê-las entender um pouco dos planos de Deus para suas vidas.
Porém, há os que duvidam. Aqueles para quem esses altares não os aproximam de Deus, talvez pelo contrário, os distancie ainda mais. Os quais desacreditam dos altares e também do Deus á quem tento edificá-los. Eu sei ... já aprendi que não semeio para aguardar um ganho, ...sei que edifico altares num reino onde o dar é receber, onde perder a vida é encontrá-la. Sei que devo fazer o que faço, pelo simples fato de não ficar inativo, devo continuar edificando altares, porque não posso servir a Deus sem servir as pessoas à minha volta.
Mesmo sabendo disso, fico triste quando penso que muitos não conseguem olhar os altares da mesma maneira que eu...
Li Rubem Alves... Acho que ele já pensou sobre isso também...
"Sou um construtor de altares. Construo meus altares à beira de um abismo. Eu os construo com poesia e beleza. Os fogos que acendo sobre eles iluminam o meu rosto e aquecem o meu corpo. Mas o abismo continua escuro e silencioso..."
Senhor... continuarei tentando construir altares... ajuda-me nessa difícil missão.
José B. Silva Junior
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Deus me ouve por me ouvir...
A QUARTA VIA: DEUS ME OUVE, POR ME OUVIR“Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve” – Salmo 120.1
Na angústia, e se fosse pensar em Heidegger, profunda angústia existencial da ameaça de ser, o que se tem como conteúdo é tão somente o clamor. Estar angustiada é uma condição da alma que sofre. Um motivo desperta a angústia que já estava lá, e então o que emerge é a súplica, o primeiro desejo de superação, busca de saída, porta, luz, um alguém que possa entender de alma humana, médico do profundo, analista da profundidade humana, um apenas que possa ouvir e entender de angústia. A linguagem da angústia, sem conteúdo, não precisa de conteúdo como resposta, basta apenas ser ouvida. Então, Deus me ouve, por me ouvir.
Ao sair de casa hoje você caminhará com um código na profundidade da alma, que nem você mesmo consegue dizer do que se trata, porque não há como transformá-lo em palavras. Sem dizer coisa alguma, na oração incontida que brota como súplica, há alguém capaz de entender aquela linguagem e ouvir o que não pode ser dito. Provavelmente não haverá resposta alguma, pois o ouvir já será a própria resposta.
Tenha um bom dia!
Pr. Natanael Gabriel da Silva
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Guardar

"GUARDAR"
Antonio Cícero
Filho meu, guarda as minhas palavras, e entesoura contigo os meus mandamentos. Observa os meus mandamentos e vive; guarda a minha lei, como a menina dos teus olhos. (Prov. 7:1-2)
sábado, 24 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
As flores estão perdendo...
A cada novo ano o espetáculo se renova no mês de setembro. A chegada da primavera acrescenta brilho especial ao evento.Compensa visitar a expoflora em Holambra/SP. São milhares de visitantes que passam pelo local todos os anos. Caravanas e mais caravanas. Os tamancos holandeses. As comidas típicas. Os grupos musicais. As danças dos adolescentes e jovens, com suas roupas típicas e seus ritmos holandeses, agradam e geram a leveza que só a música e as flores conseguem produzir. A parada das flores com a "chuva" de pétalas atrai a multidão hipnotizada pelo belo.
A alegria, lhaneza e empolgação dos responsáveis, cativa. A possibilidade de comprar mudas de variadas espécies, com exceção das frutíferas, proporciona excelente oportunidade para se renovar o jardim caseiro. Holambra se destaca pela produção e exportação de flores. Além de manter um pedacinho da Holanda dentro do Brasil, persiste em alimentar a ligação das novas gerações com as raízes ancestrais. Isto é excelente.
No início da expoflora a primazia era das flores. Aos poucos foram aparecendo expositores de produtos relacionados às flores e jardinagens. Hoje é possível comprar de quase tudo na expoflora. Os espaços foram "invadidos" sorrateiramente e hoje sobra pouco para as flores. Ano após ano a ênfase diminui quanto às flores. Aumenta o comércio. A sociedade consumista e fria do nosso tempo está perdendo a atração pelo belo. Já não compomos música. Não escrevemos poesias como há alguns anos. Preferimos a frieza dos torpedos à doçura de uma declaração de amor.
O mundo está cada dia mais triste. Menos comunicativo. Mais agressivo. Explode em violência em todos os setores. Até mesmo nas Igrejas, lugar onde a paz devia reinar vemos a guerra. A beleza da vida está murchando. Como as flores cortadas para formar arranjos, mas sem a seiva da vida. Como é triste um arranjo de flores murchas. A necessidade de sobreviver rouba-nos a alegria de viver. Claro que a culpa não deve ser debitada aos mantenedores da expo flora. Eles são apenas vitimas, como todos os demais humanos que formamos esta geração triste e agressiva. Não há mais tempo para cuidar de jardins. Não plantamos flores. Preferimos adquiri-las em vasos ornados sem sensibilidade.
Cuidar de uma orquídea exige paciência. Muita paciência. Aguardamos um ano e às vezes ela não floresce. No seu dormitar parece zombar das nossas expectativas de cultura de microondas. Por isso ela floresce uma vez por ano. Cultivar roseiras, nem pensar. Corremos o risco do espinho que devolve com dor o nosso labor. Eis a razão porque não temos mais jardins multicoloridos a enfeitar nossas residências. Em lugar das flores existem muros. Cercas eletrificadas. Olhos mágicos que nos auxiliam a perscrutar o desconhecido que bate a nossa porta. Até mesmo as praças das cidades não são mais ajardinadas e floridas. Prevalece o cimento frio. Algumas cercadas de grades. As entradas dos templos, há alguns anos, transmitiam mensagem de convite à paz. Hoje estão cercadas com grades. Algumas com arame farpado. O belo desapareceu das nossas retinas.
Usamos lentes escuras que nos impedem o êxtase do amanhecer ou do entardecer. Em algum lugar do caminho o ser humano deixou-se brutalizar pela frieza da violência. Jesus teria dificuldades, caso andasse com seus discípulos por nossas ruas e estradas hoje, para parar e convida-los a contemplar os lírios do campo. Não há mais lírios. Não há mais flores no viver das pessoas. Até nas Igrejas as "flores" são artificiais anunciando a tristeza do culto. Por que comprar flores? Se o dinheiro pode ser empregado em objetos frios, sem vida e nenhuma inspiração. Vale o consumo em coisas que aparentemente possuem maior longevidade, mas não transmitem o encanto da vida. Apesar da incapacidade de falar de flores. Admira-las. Deixar-se tocar por sua mensagem de amor.
A primavera continua a nos convidar a parar e olhar com emoção as flores que ainda restam. São belas e frágeis. Lembram-nos a brevidade dos nossos dias. Sem questionar enfeitam a vida e nos convidam a agradecer a existência que o Senhor nos permite viver. Importante é florir. Perfumar o ambiente onde estamos plantados. Servir, sem questionar o preço que a vida exige para sermos úteis. Flores pressupõem frutos. Transmitem fragrâncias. Dão coloridos ao ambiente. Amenizam a angústia da despedida. Geram esperança. Alegram o coração triste. Trazem recordações românticas. Marcam datas importantes. Do ramalhete que dá boas vindas ao recém nascido. Ao buquê que a noiva leva com emoção e esperança de felicidade. Os arranjos que enfeitam o altar. À coroa que torna menos lúgubre a tumba fria, com sua mensagem de saudades, às vezes gratidão, as flores, em silêncio, dizem que viver é desafio. Especialmente quando vivemos para servir sem esperar recompensa e gratidão. As flores não esperam uma palavra de apreço. Apenas enfeitam. Cumprem o seu propósito, mesmo que para consegui-lo precisem ser cortadas do caule. Separadas da seiva que mantém a vida. Morrem para sobreviver na lembrança do belo. Das emoções que geram lagrimas de gratidão pelo tempo que não volta. Ensinam-nos a não viver no passado. A não permitir a ansiedade do futuro. Pois tanto passado como futuro integram o vazio que jamais será preenchido.
Eis a razão porque Jesus nos convida a olhar as flores do campo. Convicto que o Pai criou o mundo florido para manter viva a chama poética de sua criatura. Nossos lares, ambiente de trabalho, escola e Igrejas deveriam exalar o perfume das flores. Impossível contemplar uma flor sem um sorriso de paz e alegria. A primavera é convite a esquecer o frio inverno. É tempo de cantar aquela canção, embalados pelas flores da esperança.
"Aparecem as flores na terra. O tempo de cantar chega..." Ct 2:12.
Pr. Julio de Oliveira Sanchez
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A Parábola da Montanha
Era uma vez um grupo de alpinistas cujo objetivo era escalar a Grande Montanha. Esses alpinistas, porém, queriam fazê-lo de forma diferente dos demais.Ora, até aquele dia, todos os que tinham conseguido escalar com segurança a Montanha, chegando ao seu cume, tinham seguido um manual escrito por várias antigos alpinistas que, depois de suas longas experiências com a Montanha, foram orientados por Ela (sim, a Montanha) a descreverem-na para a posteridade por meio desse manual.
Essas orientações colocadas no manual foram ditadas pela própria Montanha àqueles primeiros alpinistas, porque Ela queria ser escalada por todos os alpinistas e então explicou com prazer como fazê-lo com segurança. Mas não revelou tudo sobre si mesma. Só o essencial para a escalada segura.
Assim, os primeiros alpinistas registraram apenas os detalhes suficientes para qualquer outro alpinista que viesse depois deles pudesse conhecer bem a Grande Montanha o suficiente para escalá-la sem problemas.
Todos que seguiam o manual se maravilhavam como ele era preciso e, ao segui-lo à risca, no meio da trajetória, tinham suas próprias experiências com a Grande Montanha, decorrentes da obediência às orientações do manual. Alguns destes resolveram depois até escrever sobre o manual, dizendo como o manual era perfeito e indicando seus pontos favoritos no manual e aqueles pontos que consideravam de grande importância nele. Escreveram seus "guias do manual". Porém, esses alpinistas faziam questão de frisar que seus "guias do manual" eram só um auxílio para as pessoas que queriam estudar o manual, e que o mais importante mesmo era as pessoas estudarem o manual e seguirem-no ao pé da letra em sua escalada.
Além disso, apesar de para uns alguns pontos favoritos não serem os mesmos para outros, e alguns pontos considerados importantes não o serem para todos, todos que seguiam o manual eram de comum acordo de que (1) o manual era perfeito e que (2) havia alguns pontos bem específicos do manual que eram, sem dúvida, fundamentais, indispensáveis, os mais importantes de todos os pontos do manual. Com esses pontos específicos, todos concordavam, todos eram de comum acordo. Ao ponto de dizerem que, se esses pontos não fossem observados pelos alpinistas, poderiam levá-los a um desastre. Aliás, isso era até muito fácil de entender, já que no próprio manual havia essa orientação sobre a importância e a indispensabilidade desses pontos específicos.
Porém, os alpinistas novos não levaram a sério essa recomendação e começaram a escalada desprezando muitos pontos fundamentais do manual, valorizando só aqueles que lhes pareciam importantes. E alguns deles nem se importavam mesmo com o manual. Diziam que o mais importante era curtir a escalada sem se importar com as regras do manual de escalada, mesmo que o próprio manual dissesse que havia pontos dele que não poderiam ser desprezados, pois eram orientações fundamentais deixadas pela própria Montanha. Alguns desses novos alpinistas chegaram até a propor uma revisão na interpretação sobre quais pontos seriam mesmo os mais fundamentais. E se alguém lhes alertava do perigo de fazerem isso, diziam que essas pessoas estavam influenciadas pelo que diziam os "guias do manual" que haviam sido escritos.
Porém, no final das contas, aqueles novos alpinistas se perderam na escalada, não haviam conseguido chegar no topo da Grande Montanha. Mesmo assim, orgulhosos, alguns deles propuseram a seguinte explicação: "Na verdade, quem disse que isso aqui não é o cume da Grande Montanha?" Ao que alguém replicou: "Mas pelo manual não parece ser o cume da Grande Montanha?" Ao que responderam: "E quem disse que os alpinistas que escreveram esse manual entenderam direito quando a Grande Montanha disse como era o Seu cume e como chegar a ele? Eles podem ter se confundido. Deve haver contradições no manual, já que quem o escreveu foram alpinistas diferentes em épocas diferentes que puderam ter entendido as palavras da Grande Montanha de forma diferente. As únicas coisas que o manual diz e de que podemos estar seguros é que isto é mesmo a Grande Montanha e ela tem um cume. Só isso. No mais, é curtir a escalada sem ficar muito preso a interpretações literalistas acerca do que diz o manual sobre o cume. E mesmo que isso aqui não seja o cume, tenho certeza de que ainda estamos no caminho certo e já já chegaremos ao cume".
E todos ficaram à vontade naquele lugar pensando que era o cume mesmo ou, pelo menos, meio caminho para ele. Alguns alpinistas que passavam por perto dali até alertaram aqueles alpinistas "muito inteligentes" que desprezavam os que eram literalistas no entendimento do manual. Porém, aqueles alpinistas "muito inteligentes" não deram bola para eles.
"O quê? Isso aqui não é o cume nem a direção certa para ele? Que nada! Quem disse que estamos errados? O manual? Vocês é que ficam muito presos a uma interpretação literalista do manual. Estão influenciados por esses "guias do manual" que escreveram tempos atrás. Lembrem-se que esses guias discordam entre si em alguns pontos! Nada garante que vocês estão certos. Além do mais, estamos bem aqui!"
Alguém até explicou: "Mas todos os guias já escritos sobre o manual concordam que vocês estão no caminho errado. Isso porque trata-se de um erro fundamental, não de pontos secundários do manual. Aliás, leiam o manual! No capítulo..."
"Não! Não me venha com essa! Nós conhecemos bem o manual! Continuem seus caminhos e deixem a gente curtir a escalada do jeito que a gente bem entende."
E por ali ficaram. Até quando, ainda não se sabe.
Autor: Silas Daniel
Verba volant scripta manent
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A Parábola da Bola.
Por Ed René Kivitz– A bola é grená, disse um.
– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.
Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.
– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.
Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.
De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.
Fonte: http://outraespiritualidade.blogspot.com/2007/08/parbola-da-bola.html
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Dia do Professor...

Parabéns pelo dia do professor !
Talvez, o mergulho na busca de uma ética universal, capaz de transcender as diferenças entre culturas, é desafio ante o qual vacilaram os cérebros de um Tomás de Aquino, de um Leibniz, de um Kant, de um Schelling. Para fazermos uma idéia do gigantismo dessa pretensão, basta lembrar o versículo do Corão em que Allah, tendo prometido a salvação por igual a mulçumanos, judeus e cristão, lhe ordena: “Concorrei na prática do bem, que no juízo final nós dirimiremos as vossas divergências”.
O perigo que nos espreita é o de entrarmos numa época em que os profetas e os santos, os místicos e os sábios, a que costumávamos confiar o guiamento de nossas almas, tenham de pedir guiamento, por sua vez, a sabedoria superior dos gerentes administrativos da alma, dos engenheiros comportamentais. Contemplando-a do alto dos céus, os anjos não terão por nós piedade, mas desprezo. Para a psicologia escolástica, o sensus communis era a capacidade de aprender num objeto, para além dos traços captados pelos sentidos próprios (visão, olfato, etc.), a unidade da sua forma global, sem a qual se reduziria a um amontoado de sinais inconexos. Sem essa aptidão, não poderíamos sequer fugir de um cachorro que rosna, pois não saberíamos que o rosnado vem do cachorro.
Convido-o(a) a ler esse texto sem as lentes da miopia teológica dos nossos dias, talvez, poderemos ver sentido em algumas criticas que deram sentido ao ateísmo: sociológico de Marx, psicanalistico de Freud, niilista de Netzsche, ou mesmo o ateísmo do teísmo de Heidegger. Em suma: leia tudo, retenha o que for bom e jogue fora o que não presta! A todos, um excelente dia!
Pita
CONTARDO CALLIGARIS
Razão, crença e dúvida
Onde se manifesta a razão? Na arrogância de certezas absolutas ou na capacidade de duvidar?
MEU PRIMEIRO contato com a história que segue foi em junho passado, no blog de Richard Dawkins (www.richarddawkins.net, site que se autodenomina "um oásis de pensamento claro"). Dawkins é o evolucionista britânico que se tornou apóstolo do racionalismo ateu e cético, escrevendo, entre outros livros, o best-seller mundial "Deus - Um Delírio" (Companhia das Letras, 2007). Mas eis a história.
Em 2002, na Austrália, o casal Sam, de origem indiana, perdeu a filha, Gloria, de nove meses. A menina, a partir do quarto mês, apresentou sintomas de eczema infantil, que é uma condição alérgica que afeta mais de 10% dos bebês e, geralmente, acalma-se ou some aos seis anos ou na adolescência. As causas do eczema infantil não são bem conhecidas; a medicina administra a condição da melhor maneira possível, esperando que passe. O problema é que o eczema (pele seca com prurido) dá uma vontade de se coçar à qual as crianças não resistem, e a pele, ferida, abre-se para qualquer infecção.
Foi o que aconteceu com Gloria, que morreu de septicemia. Não foi falta de sorte: o pai de Gloria é homeopata e, em total acordo com a mulher, medicou a menina só com remédios homeopáticos (insuficientes na condição da menina). Isso até o fim, quando ela definhava pelas infecções internas e externas. Gloria foi levada a um hospital três dias antes de morrer: as bactérias já estavam destruindo suas córneas, e os médicos só puderam lhe administrar morfina para aliviar seu sofrimento.
Os pais de Gloria foram presos, acusados de homicídio por negligência e, no fim de setembro, condenados pela Justiça australiana: o pai, a oito anos de prisão, a mãe, a cinco anos e quatro meses. Segundo o juiz, Peter Johnson, ambos os pais "faltaram gravemente com suas obrigações diante da filha": o marido pela "arrogância" de sua preferência pela homeopatia e a mulher pela excessiva "deferência" às decisões do marido. Os termos da decisão de Johnson são admiráveis.
A obediência -ao marido, no caso-, seja qual for seu fundamento cultural, nunca é desculpa; ela pode ser, ao contrário, o próprio crime. E, sobretudo, o marido é condenado não por recorrer à homeopatia, mas pela "arrogância" que lhe permitiu perseverar em sua crença e em sua decisão diante do calvário pelo qual passava a menina. A sentença de Peter Johnson é, para mim, um modelo de racionalidade, porque estigmatiza a certeza independentemente do objeto de crença. Ou seja, o juiz não discute o bem fundado da autoridade do marido e, ainda menos, os méritos respectivos da homeopatia e da medicina alopática. Tampouco ele quer limitar a liberdade de opinião, garantida pela Constituição; a sentença penaliza apenas, por assim dizer, a rigidez.
Se me coloco no lugar dos pais de Gloria, não consigo imaginar uma crença, por mais que ela possa ser crucial para mim, que resista à visão do corpinho de minha filha transformado numa ferida aberta e purulenta. Antes disso, eu (embora confiando, a princípio, na medicina alopática) já teria convocado não só os homeopatas (o que, aliás, seria uma banalidade, visto que a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida) mas também todos os xamãs, feiticeiros e curandeiros que me parecessem minimamente confiáveis. E, é claro, embora agnóstico, eu rezaria, sem nenhuma vergonha e sem o sentimento de trair minhas "convicções", pois a primeira delas, a que resume minha racionalidade, diz, humildemente, que há muito no mundo que minha razão não alcança. Se fosse testemunha de Jeová, e minha filha precisasse de uma transfusão (que a religião proíbe), abriria imediatamente uma exceção. Mesma coisa se fosse cientologista, e minha filha precisasse de ajuda psiquiátrica. Sou volúvel e irracional?
O fato é que tenho poucas crenças (provavelmente, nenhuma absoluta), e acontece que, para mim, a razão é uma prática concreta, específica: um jeito de pesar e decidir em cada momento da vida. O surpreendente é que, ao ler os comentários dos leitores no blog de Dawkins, os "racionalistas" parecem tão "rígidos" quanto o pai de Gloria. "A razão" (que eles confundem com uma visão aproximativa do estado atual da arte médica) é, para eles, um objeto de fé, uma crença pela qual facilmente condenariam os "infiéis" à fogueira.
Com o juiz Johnson, pergunto: onde se manifesta a razão? Na arrogância das certezas ou na capacidade de duvidar?
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Aprendendo com as lágrimas

É bem verdade que o sofrimento intenso deixa marcas profundas em nós. Corpo, alma e espírito são atingidos. Um sentimento de abandono, uma sensação de fracasso e inutilidade invadem o coração – a alma fica ao relento.
Por conta da vida marcada por dissabores, em algumas pessoas, as lágrimas tendem a apagar as marcas da fé. Sobretudo, naquelas em que a fé não é fruto de uma experiência, mas uma tradição, uma espécie de herança cultural, familiar. Incredulidade e o fracasso andam sempre juntos. Todavia, ainda assim, a fé insiste em permanecer viva, para fazer diferença.
É aquela voz, muitas vezes abafada pelo silêncio da perplexidade e do medo, que grita dentro de nós, despertando a alma para sonhar outra vez. A fé sempre emerge, sobrevivente, dentre os escombros do coração. Essa voz inquietante, que não se deixa silenciar, é o barulho de Deus no coração da gente, nos fazendo ouvir os sons da esperança. Deus não desiste de nós!
Não faz qualquer sentido deixar-se dominar pela tristeza, pela solidão, pela apatia e pelo desejo de não viver. O descaso com a vida é uma forma disfarçada e lenta de suicídio. Só os fracos desejam morrer! Também, só eles são ávidos em desistir.
Onde, então, buscar forças necessárias para a superação da dor e para a restauração dos sonhos? Para semear a partir de onde as lágrimas estão caindo. Somente em Deus! Ele é a grande fonte de nossa vitória. Deus não desiste de nós!
Quem redescobre o caminho da fé, pega carona nas asas da esperança. Como águia, voa sobre os montes. Sobrevoa a todas as barreiras da vida. Passa a conhecer novas estradas, como que pavimentadas de luz, e adornadas pelas cores da alegria e dos sonhos. Anda segurando na mão de Deus. Sabe que é um vencedor.
(Estevam Fernandes de Oliveira,Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, PB, é Psicólogo ClínicoeTerapeuta Familiar, conferencista nas áreas de Família e Liderança; mestre e doutor em Ciências Sociais.Texto extraído do Jornal Correio da Paraiba, edição de Domingo, 28 de setembro de 2008 e divulgado entre amigos com autorização do autor).
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
A parábola da denominação rejeitada
Um dia, Deus, o Todo Poderoso, o Pai de Jesus, decidiu dar um basta. Era hora do juízo. Jesus fizera uma afirmação enfática (“E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” – Mt 24.15) e ele iria cumpri-la. Antes do juízo, haveria um grande avivamento, com seu povo proclamando ao mundo a salvação em Jesus. A obra missionária teria um avanço como nunca, em toda a história. Ele não tinha preferência por nenhuma denominação, pois aceitava a todas, mas achou que uma, bem estruturada, com séculos de existência, e com igrejas em todos os países do mundo, poderia ser a ponta de lança do movimento. No passado, ela tivera grandes evangelistas e missionários.Ele enviou seus anjos a diversos segmentos desta denominação. Eles ficaram alvoroçados. Pregar o evangelho era algo que eles mesmos quiseram fazer e Deus não deixara, confiando a tarefa à igreja (1Pe 1.12). Eles deveriam ir a vários líderes desta denominação e lhes dizer o que Deus iria fazer e o que esperava deles. Que alarido! Por fim, as coisas iriam se ajeitar. Chegara a hora!
Um grupo de anjos foi enviado a uma reunião de professores de seminários. Como pessoas que preparam pastores e pregadores, eles deveriam incutir no coração de seus alunos um profundo amor pela evangelização, paixão pelas almas perdidas, enfatizar a preparação de mensagens evangelísticas, e firmar a igreja na Palavra para ela dar um testemunho sério. Os seminários eram postos chaves.
Foi um choque. Os teólogos discutiam o alinhamento com uma ideologia política. Depois, finanças. Depois, técnicas de ensino. Depois, comentários sobre como seus seminários eram bons e como eles tinham dúvidas sobre os outros, sem o peso intelectual e acadêmico que eles tinham. Os anjos os procuraram, assim mesmo, e lhes expuseram o plano de Deus. Os líderes ficaram atônitos, sem saber o que dizer. Por fim, um deles explicou aos anjos que eles estavam defasados. Não haveria um juízo final. A graça salvara todos os homens. A obra de Jesus tinha um alcance que o céu não imaginava. Não havia uma coisa como “salvação”. A igreja não tinha que se preocupar com isto, mas em ser amiga, mais humana, mais próxima dos homens. Um dos anjos perguntou como as pessoas sem Cristo seriam salvas, se não pela cruz de Jesus. Um teólogo respondeu que era difícil sustentar o exclusivismo, a idéia de que só Jesus salva. Isto era coisa de Cipriano. Numa época de luzes, de bondade disseminada, de educação mais refinada, como sustentar que Deus iria “assar pessoas por toda a eternidade” só por não serem da igreja?
Os anjos já tinham ficado desconfiados ouvindo as palestras. Viram sistemas educacionais humanos serem apresentados como padrão para os seminários. Era pedagogia da libertação, pedagogia humanista, pedagogia iluminista e muitos pensadores perdidos mostrados como modelos. Um anjo até perguntara a outro: “Ué, por que não seguem a pedagogia de Paulo? É tão simples: ‘e o que de mim ouviste de muitas testemunhas, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros’ – 2Tm 2.2)”. Mas como não foram treinados com a habilidade verbal dos teólogos, ficaram sem ter o que dizer.Um anjo tentou argumentar, dizendo que não era isto que a Bíblia dizia. Os teólogos riram e um disse que a Bíblia expressava uma visão culturalmente limitada de escritores rudes, e que critérios hermenêuticos e pesquisas de crítica textual hoje mostravam o que eles deveriam ter dito. Aflito, um anjo jogou a última cartada. “Mas não foi isto que Deus previu!”. Os teólogos voltaram a rir. Um deles orientou o anjo a procurar as obras de Pinnock. Deus não era onisciente, estava aprendendo com os homens, e não existe algo como o futuro. Logo, o que Deus previra não aconteceria, pois o futuro está aberto. E perguntou ao anjo: “Você não conhece o teísmo aberto?”. O anjo perguntou que teologia ele sustentava, e o teólogo respondeu que era um “teólogo pós-cristão”. Anjos não costumam desmaiar, mas este quase o fez.
Os anjos desistiram de argumentar e se foram. Quando saíam, um dos mestres disse a outro: “Anjos coisa nenhuma! Esses aí se esqueceram de tomar o remédio hoje!”
Outro grupo de anjos foi a uma reunião de pastores. Era um ótimo lugar. Os pastores discutiram o novo regimento, depois liturgia e depois ordenação feminina. Nada sobre o avanço do reino. Os anjos esperaram pacientemente, e procuraram os líderes e expuseram o recado de Deus. Os pastores disseram que isto não estava em pauta. O “chefão”, por exemplo, disse que estava preocupado com uma mega-igreja e não se aliaria a colegas que tinham uma visão diferente, muito pequena. Eles até o haviam criticado. Outro disse que quando Deus o chamara pusera um sonho no seu coração: ele seria um dos “grandões”, escreveria seu nome na história da denominação. Como levaria sua igreja a sustentar um monte de pastores e missionários sem expressão em lugares insignificantes, que não davam retorno de grandes multidões? Como ter uma igreja grande assim? Um terceiro disse que chamar as pessoas de pecadoras e dizer que elas precisam se arrepender e crer era pouco produtivo. Ele fizera pesquisa no seu bairro, descobrira o que as pessoas queriam e lhes oferecia um ambiente amigo. Criara um ambiente de descontração, de liberação de energias, de camaradagem, e evangelizar era algo polêmico. O quarto disse que a prioridade era o novo sistema de som e o novo uniforme para a equipe de coreografia, além de construir uma quadra de esportes para chamar a rapaziada do bairro. Missões lá no fim do mundo? Não fazia sentido! Sua igreja nada ganharia com isto.
Boquiabertos (anjo tem boca) os anjos se retiraram. Ainda ouviram um pastor dizer: “Cada uma que aparece!”.
O grupo que foi a uma assembléia convencional se assustou com as discussões e notou que os pastores não procediam como exigiam que suas ovelhas procedessem nas assembléias das igrejas. Alguns eram grosseiros e violentos. Mas procuraram os pastores responsáveis e expuseram sua missão. Foram orientados a se inscreverem como mensageiros para terem direito a voz, pois não eram autoridades políticas a quem se franqueia a palavra. E então encaminhassem seu assunto à “Comissão de Assuntos Eventuais”. Outro pastor disse que tal nome estava errado. Deveria ser “Assuntos Especiais”. Os dois travaram longa discussão. Os anjos ficaram meio desnorteados, mas insistiram em que tinham uma mensagem de Deus e não podiam perder tempo com burocracia. Então lhes deram cinco minutos, após o programa de missões, já que o assunto deles era missões. Mas, findo o programa missionário, as pessoas se retiraram, conversando em voz alta, os adolescentes que entraram com bandeiras e trajes típicos fizeram muito barulho nos bastidores, os crentes que ficaram estavam se confraternizando e outros já estavam muito cansados. A mesa conversava entre si sobre a ordem do dia da próxima sessão, e a palavra dos anjos passou em branco.Os anjos destinados a falarem com os músicos não tiveram melhor proveito. Depois que expuseram sua missão, ouviram como resposta que músicas sobre conversão, arrependimento e cruz não atraíam os não crentes. A linguagem tinha que ser amiga, descontraída. E que compor músicas falando sobre evangelizar, contribuir, fazer missões, não dava certo. A linguagem era adorar, contemplar, ser adorador (ser servo não dava ibope), mergulhar nos rios, subir acima dos querubins, entronizar. E ritmo que levasse a pensar e refletir sobre situação espiritual era sinal de fracasso. O negócio era um ritmo agitado para as pessoas se soltarem. Foi então que um dos anjos entendeu porque o fundo musical de um momento de oração silenciosa fora a bateria violentamente espancada. O anjo se admirara da capacidade dos humanos em se concentrarem e refletirem, e cultivarem momento de oração silenciosa com aquele barulho todo. Mas agora via que era outra coisa. Outro anjo compreendeu porque não falavam de Jesus, de cruz, de perdão. Eles queriam entretenimento e levar as pessoas a terem bons momentos.
Outros anjos foram enviados a pessoas. Um empresário disse que não sustentaria missionários. Como gastar seu dinheiro assim? Ele fora abençoado materialmente porque participara de um congresso onde aprendera a saquear as riquezas dos ímpios. Ganhara muito, é verdade, mas se comprometera com o ministério de um pastor da televisão que orara por ele e levara seu nome para uma fogueira santa em Israel. Já assumira compromisso. Outro disse que não gostava de árabes nem de africanos. Por que contribuir para evangelizá-los? Um terceiro não quis receber os anjos e disse à secretária: “Dízimo é coisa da Lei e é uma exploração dos pastores insistirem nisso, e agora vêm esses camaradas dizendo que são anjos e que devo investir em missões! Meu dinheirinho é sagrado! É meu! Cada pirado!”.
Desolados, os anjos voltaram para dar relatório a Deus. Mas este, que sonda as mentes e os corações, já sabia de tudo, mesmo com Pinnock e outros dizendo que não. Agradeceu aos anjos pelo esforço, e disse: “Tudo bem. Isto apenas prova que o tempo deles passou. Eles perderam o rumo”. Mestre em escolher coisas pequenas e sem valor, Deus decidiu usar um pequeno grupo, piedoso, que não recebia muita atenção dos luminares denominacionais e eclesiásticos, e que os intelectuais evangélicos ironizavam. Ele disse: “Usarei este povo”.
Aquela denominação perdeu sua grande oportunidade. O avivamento floresce em outros segmentos, ela olha para si mesmo, seus pastores continuam pensando em megas-igrejas e hiper-ministérios, não apóiam os outros nem investem na evangelização mundial.
Deus vai usando outras pessoas. Quando o fim vier, ele acertará as contas.
Isaltino Gomes Coelho Filho
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Que dizeis do tempo ?
"Gostaríeis de medir o tempo, o ilimitado e o incomensurável. Gostaríeis de ajustar vosso comportamento e mesmo de reger o curso de vossas almas, de acordo com as horas e as estações. Do tempo gostaríeis de fazer um rio na margem do qual vos sentaríeis para observar correr as águas. Contudo, o que em vós escapa ao tempo, sabe que a vida também escapa ao tempo, e sabe que ontem é apenas a recordação de hoje, e amanhã o sonho de hoje; e que aquilo que canta e medita em vós continuará a morar dentro daquele primeiro momento em que as estrelas foram semeadas no espaço. Quem dentre vós não sente que seu poder de amar é ilimitado e contudo quem não sente esse amor embora ilimitado, circunscrito dentro de seu próprio ser e não se movendo de um pensamento amoroso à outro e de uma ação amorosa á outra. E não é o tempo exatamente como o amor: indivisível e insondável ? Se todavia, deveis dividir o tempo em estações, que cada estação envolva todas as outras estações, e que o vosso presente abrace o passado com nostalgia e o futuro, com ânsia e carinho !"
"O que ganha o trabalhador com todo o seu esforço ? Tenho visto o fardo que Deus impôs aos homens. Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade, mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez." Ec. 3:10-11
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
A igreja do Povo (qualquer semelhança com sua vida real, é mera coincidência)

Entrei pelas portas da Primeira Igreja Batista na primavera de 1995, após ter vivido como um filho pródigo por aproximadamente dez anos. Eu tinha rededicado minha vida a Cristo há pouco tempo e queria participar novamente de uma família cristã amorosa em uma igreja. Quando entrei e me sentei, a música alegre do louvor do magnífico coral e da orquestra, encheram meu coração e minha alma de admiração, emoção e de grande expectativa. Eu estava realmente sendo preparado para adorar.
Quando o pastor terminou o sermão, eu estava espiritualmente refrigerado e energizado para a semana entrante. A mensagem tinha sido clara, poderosa, convincente, bíblica e cheia do Espírito Santo. Ao longo do tempo, aprendi a amar esse irmão em Cristo, por causa de sua fidelidade e paixão pelo evangelho. Após visitar a igreja por vários meses, vi que tinha encontrado a minha igreja.
Alguns anos mais tarde, o pastor me convidou para almoçar com ele em um clube de campo que ele freqüentava. Durante o almoço, mencionou de passagem seu desejo de eventualmente remover o nome Primeira Igreja Batista e simplesmente chamá-la de "Igreja do Povo", pois afinal, era assim que todos a conheciam. Ainda impressionado com a personalidade do pastor, sorri e acenei com a cabeça em aprovação, quando ele me disse que queria levar a igreja para uma "nova direção", longe do estigma batista sulista que achava que tinha de uma certa forma atrapalhado no passado, e buscar coisas maiores. Infelizmente, ele não disse muito sobre qual seria essa "nova direção" e eu erradamente assumi que seria uma identidade não-denominacional.
Nas próximas semanas e meses uma nova mensagem começou a emanar do púlpito e que não era diferente do que estava vindo de todos os lugares, o pódio presidencial de Bill Clinton durante o auge dos seus escândalos. Um tema recorrente de tolerância, diversidade e unidade parecia permear quase todos os sermões. Tornou-se claro para mim que a "nova direção" do pastor era mundana e que ele estava agora sendo guiado por alguém ou outra coisa diferente de Deus. Ao longo do tempo, cresceu entre nós dois um certo atrito, à medida que seus sermões se afastaram do evangelho que leva ao arrependimento e à fé em Cristo, para a psicologia social do "vamos viver em harmonia". Claro, a Bíblia nos diz para vivermos em paz uns com os outros, e mantermos relacionamentos saudáveis com nossos irmãos e irmãs em Cristo, mas não à custa de Deus. O pastor que eu antigamente tinha em alta estima começou a recitar clichês de "pensamento de grupo" como: 'Você não pode estar em paz com Deus e em desarmonia com todas as pessoas', querendo dizer que agora era a hora de todos contemporizarmos em nossa consciência e convicções, pensando no bem coletivo. Esse é o "Processo do Consenso" em operação, uma técnica de lavagem cerebral de mais de duzentos anos conhecida pelos psicólogos sociais de todo o mundo como "Dialética Hegeliana", desenvolvida por George Wilhelm Friedrich Hegel, no final do século XVIII, e que envolve a prática da contemporização para obter a harmonia social entre grupos opostos e/ou sistemas de crenças. A dialética hegeliana é especialmente danosa para aqueles na fé que são compelidos no processo a aceitar o inaceitável, de modo a ganhar a aprovação do grupo. É a mentalidade do rebanho do pensamento humanista e é uma abominação diante de Deus.
Veja, a Bíblia está repleta de homens tementes a Deus que ficaram sós e morreram lutando contra a heresia da mentalidade do rebanho, incluindo o próprio Jesus Cristo. Estar "em divergência com todos" foi exatamente o que o levou a ser cravado na cruz! Ele disse, "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." [Mateus 7:13-15]. Essa certeza não é um bom indício para aqueles pastores que têm como suas principais preocupações o crescimento da igreja e os grandes números.
Não foi um Jesus tolerante quem expulsou os cambistas do templo usando um azorrague, ou um tolerante João Batista quem publicamente repreendeu o rei Herodes por se casar com a mulher de seu irmão, ou um tolerante Paulo quem chamou a atenção de Pedro por se afastar dos cristãos não-circuncidados, também não foi a tolerância que levou a maioria dos discípulos à decapitação ou à crucificação nos primeiros anos da igreja cristã. Entretanto, agora estamos entrando em um novo milênio, cruzando aquela ilustre "Ponte para o Século XXI", como uma igreja reinventada de tolerância, diversidade e unidade. Agora que as portas estão sendo escancaradas para tudo e para todos, pergunto a você, a igreja está afetando a cultura ou a cultura é que está afetando a igreja? Quem está fazendo proselitismo com quem aqui? Olhe à sua volta e diga-me o que você vê. Não demorou muito para que uma campanha vulgar de arrecadação de fundos fosse iniciada na Igreja do Povo, como se alguém estivesse concorrendo a um cargo político, com tudo, banquetes, jantares, prêmios, muitos discursos bajuladores, testemunhos, apresentações, reuniões particulares e atenção especial dada aos "grandes ofertantes" da igreja (o termo é deles, não meu), tudo para beneficiar um novo programa de construção que nos daria um "centro de adoração" de alta tecnologia e uma dívida de doze milhões de dólares.
Hoje, quando caminho por aquele centro de entretenimento em uma manhã de domingo, onde havia um santuário, vejo agora muitas poltronas de cinema almofadadas no lugar dos bancos; uma tela de projetor multimídia no lugar em que antes havia uma cruz de madeira; meia dúzia de pessoas fazendo coreografias e recebendo aplausos, onde havia antes um coral; uma banda de jazz/rock tocando solos onde havia uma orquestra; uma jovem cantora dirigindo corinhos simplistas diante de uma audiência confusa, onde havia um ministro de música que regia a congregação nos grandes hinos de adoração e de louvor a Deus, e onde um charmoso "facilitador", vestindo uma camiseta pólo, prega que todos devemos viver em harmonia, onde antes um humilde homem de Deus vestido de terno e gravata proclamava corajosamente a Palavra de Deus.
Outro dia, eu estava ouvindo um programa de rádio gravado pela Internet, chamado "Steel on Steel", apresentado por John Loeffler. Ele estava entrevistando um ex-professor e especialista em história e filosofia européias chamado Dean Gotcher sobre a "Dialética Hegeliana" ou o "Processo do Consenso" e como isso está sendo integrado com sucesso no governo, na mídia, nas forças armadas, na polícia, na educação pública, nas faculdades, nos seminários e até nas igrejas para centralizar tudo e nos unificar em uma mentalidade socialista de governança global. O objetivo global-socialista é e sempre foi um governo mundial e uma única religião global. Eles usam a dialética helegiana há vários séculos para controlar grandes populações em todo o mundo e levá-las a uma Nova Ordem Mundial. Quase no fim do programa de uma hora de duração, ele casualmente mencionou um par de organizações cristãs que eram conhecidas por seduzir as igrejas a entrarem nesse "Processo de Consenso" com "progressivos" programas de crescimento de igreja, em que a contemporização faz crescer os números. A tentação de tal fruto mundano é obviamente difícil de resistir, mesmo entre os pastores mais fiéis. Entretanto, fazer coisas profanas em nome de Cristo não as santifica.
Quando Dean Gotcher mencionou uma dessas organizações como sendo a "Associação Willow Creek", os sinos começaram a soar, as luzes começaram a piscar e, subitamente, cinco anos de confusão, atrito e controvérsia entre meu pastor e eu foram instantaneamente trazidos à completa claridade. É lógico! A igreja do Povo pertencia à Associação Willow Creek! Uma vez que meus olhos foram abertos para seus métodos carnais, por meio de pesquisa adicional, combinado com tudo o que eu já tinha aprendido ao longo dos anos sobre global-socialismo, fiquei convencido que a igreja tinha sido levada ao "Processo do Consenso" por meio de uma organização humanista e socialista fazendo-se passar como um ministério cristão, completo com "agentes de mudança" e "facilitadores" (lobos em pele de cordeiro) que eu mesmo tinha encontrado pessoalmente na Escola Dominical e na adoração no domingo. Aparentemente, essa era a "nova direção" do pastor para a Primeira Igreja Batista. Não foi surpresa descobrir mais tarde, que o fundador da Igreja da Comunidade Willow Creek, o pastor Bill Hybels, é um querido amigo e ministro pessoal do renomadíssimo socialista e "facilitador", o presidente Bill Clinton. Agora sei por que meu pastor há três ou quatro anos começou a soar tão "clintonesco" em seus sermões nas manhãs de domingo.
Ao fazer uma pesquisa sobre a Associação Willow Creek, descobri que milhares de igrejas em todo o mundo estão sendo transformadas em "igrejas daqueles que procuram", orientadas pelas emoções, exatamente como a nossa, sob a liderança e direção dessa organização, tudo com a mesma tolerância, diversidade e o tema da unidade, o formato liberal na adoração, ensino bíblico superficial, ênfase no conforto e leveza na consciência, equipado com enormes telões de projeção multimídia, grandes sistemas de som, música exótica, sem coral, com mulheres pastoras, esquetes que despertam as emoções, interpretações com dança, e oneradas por milhões de dólares de dívidas na construção de instalações de entretenimento sofisticadas, que eles chamam de "centros de adoração". Ver uma bola giratória de discoteca acima de nossas cabeças no culto de dedicação, um par de anos atrás, foi uma grande tristeza para mim pessoalmente.
"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre."[1 João 2:15-17]
Há muito tempo me desgastei com certos membros da liderança da igreja, protestando repetidamente pelo nosso envolvimento nesses movimentos ecumênicos e excentricidades carnais, começando com o "Movimento dos Homens", aquela organização orientada pelas emoções, que usa marketing agressivo, é apoiada por celebridades, é enganosa espiritualmente e agora está financeiramente quebrada, os Promise Keepers. O "Processo do Consenso", ou a dialética hegeliana, ensina os "facilitadores" a se isolarem, a intimidarem e até envergonharem seus críticos fazendo-os silenciar e cooperar com "sentimentos feridos". Isso também é carnal. Aqueles que buscam a aceitação do grupo e aprovação são impotentes contra isso. Francamente, prefiro ter a aceitação e aprovação de Deus do que aprovação do grupo. Veja, a Associação Willow Creek sempre enfatiza "as necessidades sentidas", a unidade, harmonia, paz e os relacionamentos humanos acima de todas as outras coisas... Exatamente como as Nações Unidas. No entanto, isso não é o evangelho.
O "consenso" é a contemporização em direção ao "pensamento do grupo", não ao pensamento de Deus. É conformidade ao coletivo por meio da pressão do grupo. É o centro de toda heresia. A centralização em direção ao globalismo é a razão para o consenso e explica por que tantas grandes empresas se fundiram em monopólios controlados pelo governo; por que os dois grandes partidos políticos nos EUA se tornaram quase que indistinguíveis; por que a soberania nacional está sendo entregue às Nações Unidas; por que a Constituição está sendo ignorada pelo nosso próprio presidente; por que o "Encontro do Milênio Pela Paz Mundial dos Líderes Espirituais e Religiosos" está se reunindo em agosto para lançar uma Religião Global e os líderes mundias de 160 países estão se reunindo em setembro na ONU para o "Encontro do Milênio" para iniciar o Governo Mundial, completo com seu próprio Tribunal Penal, um sistema tributário global, e um Exército permanente. Infelizmente, o pequeno e nojento segredo sobre o processo do consenso é que qualquer assunto discutido geralmente já tem uma resposta predeterminada oferecida pelo "facilitador". Imagine isto! A consciência e a contemporização nunca podem coexistir. Elas são sempre incompatíveis. Uma precisa ceder para que haja unidade com a outra. Portanto, o consenso sempre levará seus seguidores para longe dos absolutos e da autoridade bíblica (isto é, "Assim diz o SENHOR...."), de modo a obter a aceitação e aprovação do grupo. Todos queremos ser amados, certo? Alguns de nós desejam desesperadamente ser amados. Essa é a razão por que tantos entregam suas vidas à indústria do entretenimento e do cinema e fazem de Hollywood sua "Cidade Esmeralda". Eles aprenderam em todo o século XX que somente poderiam ser uma "grande estrela" se fossem amados e aceitos por todos. O desejo de ser amado é natural, mas amar aqueles que não concordam conosco não é natural e é difícil. Jesus disse, "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento." [Mateus 22:37] No entanto, milhões de crianças há mais de meio século ouviram e aprenderam o Mágico de Oz dizer ao Homem de Lata: "... um coração não é julgado pelo quanto você ama, mas pelo quanto você é amado pelos outros". Isto é consenso sobre a convicção, cobiça sobre a consciência, carne sobre o espírito, a heresia de Hollywood e os frutos de Willow Creek... seguir a multidão e a cultura para ser amado e aceito.
"Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte".[Provérbios 14:12]
A conclusão é esta: a Igreja da Comunidade de Willow Creek é como um daqueles barcos fluviais em que se davam espetáculos no rio Mississipi, está sendo vendida como se fosse um grande navio cruzeiro, mas no tempo devido será lembrada como outro Titanic. A Primeira Igreja Batista está verdadeiramente se tornando "A Igreja do Povo", pois é exatamente quem ela decidiu seguir e obedecer... o povo. É desnecessário dizer que, após cinco longos e frustrantes anos a bordo desse navio, estou saindo para procurar um humilde barco de pesca que navegue em águas calmas, cujas redes lançadas voltem cheias, cuja tripulação seja fiel, e em que Cristo seja o capitão, pois como diz Paul Harvey, "Agora conheço o resto da história".
"Nada sabem, nem entendem; porque tapou os olhos para que não vejam, e os seus corações para que não entendam."[Isaías 44:18]
Paul Proctor
Tradução: Jeremias R D P dos Santos
Data da publicação: 22/4/2002
Transferido para a área pública em: 6/9/2002
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/proc081800.asp
terça-feira, 22 de setembro de 2009
É Primavera, tempo de reflexão...

Hoje, quando celebramos o início da primavera, lembramos também de um dos mais belos trechos do sermão do monte: “Olhai as aves do céu... Olhai os lírios do campo”. É um convite de Jesus. Precioso convite acompanhado de lições preciosas.
1 – É um convite à exercitarmos um olhar contemplativo.
Na língua grega, o verbo “olhai”, tem um significado muito mais abrangente: Trata-se de um olhar contemplativo, aquele que é capaz de adentrar além do mistério da vida presente e do que está a frente de nossos olhos. É triste quando observamos que o ser humano de nosso tempo perdeu esse olhar contemplativo. Nosso olhar está infectado pelo vírus científico, técnico e calculista. Perdemos aos poucos a capacidade de valorizar o belo e simples. Para os que perderam essa percepção, as folhas de um ipê (como na foto acima), não passam de um monturo de lixo a sujar nossos monumentos. Quando consideramos que folhas de um ipê são sujas e nos agridem, algo de muito ruim está acontecendo conosco.
Mas podemos treinar esse olhar contemplativo no que chamamos de disciplina espiritual. O segredo dessa disciplina está em estarmos dispostos em nos abrir ao transcendente. É o olhar capaz de ver no pão e no vinho de nossa ceia, não apenas “pão e vinho”, mas o puro trigo colhido no campo e a vistosa uva cultivada por mãos dedicadas, que se transformam em símbolo de comunhão e ligação entre criador e criaturas.
Bom seria se nos permitíssemos sempre que Deus trabalhasse em nós e especialmente em nosso olhar, para que pudéssemos naturalmente contemplar a beleza de suas obras.
2 – É um convite de Jesus para contemplarmos a providência de Deus na criação.
“Olhai as aves do céu. Elas não semeiam nem colhem, nem ajuntam em armazéns... No entanto, o Pai que está nos céus as alimenta.”
Isso pode parecer um convite à irresponsabilidade, mas não. Antes, é uma exortação a confiarmos na providência e na graça de Deus sobre nossas existências. Muitas de nossas dificuldades no dia-a-dia seriam menores caso praticássemos essa constante contemplação da providência divina sobre nossas vidas.
Os pássaros que ás vezes percebemos voando no céu têm muito a nos ensinar. Deus, de alguma maneira os sustenta e garante a sobrevivência de sua espécie. Mas nós, geralmente nos estressamos demais com nosso sustento porque sempre estamos preocupados em ajuntar em celeiros e garantir nosso futuro. É naturalmente sábio ter algum tipo de previdência para suportar problemas futuros. Porém, quando a preocupação pela previdência ofusca a fé na Providência é sinal de que nossos valores estão invertidos. A doutrina da Providência nos ensina que Deus zela por nós, pela natureza, pela história e há de conduzir-nos sob seus cuidados. Conforme nos sugere o apóstolo Pedro:
“Coloquem nas mãos de Deus qualquer preocupação, pois é Ele quem cuida de vocês”(I Pe 5.7)
3 – É um convite de Jesus a contemplar a beleza da simplicidade.
“Olhai os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam... eu, contudo vos afirmo que nem o rei Salomão em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles”.
É interessante observar a comparação que Jesus fez aqui – Salomão o opulento e poderoso rei de Israel, que se vestia com os tecidos finos e caros da época é comparado aos lírios do campo e perde longe nessa comparação. Somos então desafiados por Jesus a contemplar a beleza da simplicidade em contraste ao nosso mundo que eleva o que é ostensivo e luxuoso, o que custa caro e que gostamos de esnobar.
Há outro detalhe importante que devemos notar com atenção. Jesus fala em lírios do campo. Não é lírio cuidado e cultivado em nossos jardins, não é o lírio que cresce nas floriculturas recebendo adubo e cuidado constante. Não é o lírio que se tornou belo e vistoso porque a mão humana colaborou nesse processo. Não é para esse lírio que devemos olhar, mas para os lírios “do campo” que crescem nas regiões mais inóspitas, sob os riscos do tempo chuvoso e árido, sob todas as ameaças da natureza. Os lírios do campo se tornaram belos porque foram cuidados e preservados somente por Deus.
É um convite a abrirmos nosso coração à surpreendente e maravilhosa providência de Deus e de seu poder ao nosso redor.
Espero que essa reflexão primaveril nos inspire a viver nesse mundo com uma perspectiva diferenciada e com um olhar diferente. Que a chegada da estação das flores se apresente a nós como uma oportunidade de recomeço, de esperança, de alegria e de fé.
José B. Silva Junior
Extratos do livro “Entre o Púlpito e a Universidade” – Carlos Eduardo Calvani
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O gol é apenas um detalhe... e nossa salvação em Cristo ?

E apesar de todos os comentários que ouvi, contrários a declaração do técnico da seleção, me esforcei para entender o que ele estava tentando dizer. Concordei com ele e passei a admirá-lo ainda mais.
Como torcedor (quase) fanático que sou, durante um bom tempo de minha adolescência e juventude freqüentei alguns estádios de futebol assistindo aos jogos do melhor time do mundo (rs). Cansei de ver esse time jogar um futebol quase sempre pouco técnico, ás vezes arrancando aquele empate suado, dando chutão de bico pela lateral ou então para o alto no meio de campo, jogadas ríspidas disputadas corpo a corpo, centímetro a centímetro do campo, enfim... Cansei de ver “jogo feio”, onde, de repente numa falta bem cobrada na entrada da área , gol ! 1x0. Torcedores iam embora felizes e satisfeitos pela vitória.
O gol nesse caso não era um detalhe. Fazia toda a diferença no resultado do jogo. Pois o que se via era um time sem organização tática ou técnica alguma. Uma correria danada onde a equipe que conseguisse colocar a bola dentro das redes adversárias saía vencedora. Em muitas dessas partidas, ninguém se aplicava em cumprir as determinações técnicas e táticas. A vitória acontecia por acaso.
Parreira quis mudar isso, ele era obcecado em organizar o time. Fazer a bola passar de pé em pé, preparar a equipe de modo que a posse de bola e a postura tática do time dentro do campo fizessem a diferença no resultado. Talvez o maior problema de Parreira com os críticos se devesse o fato de que ele era filosoficamente convencido de que a defesa era o melhor caminho para vencer um torneio. Brasileiro está acostumado com o ataque, com Zico, Pelé, Garrincha, Rivelino, Tostão e Sócrates, quer ver gols. E Parreira contrariava isso ao ser adepto do futebol planejado, pragmático, defensivo e marcador. Por ironia do destino a seleção que Parreira dirigia em 1994 foi campeã chegando ao último jogo contra a Itália, tendo o melhor ataque da copa.
Quando então Parreira afirma que o gol é apenas um detalhe, imagino que ele quis dizer que o que realmente importava era o comportamento do time em campo, da função que cada um deveria executar. Do cumprimento e da obediência tática que cada atleta deveria buscar. Feito isso, o gol naturalmente aconteceria. Como numa orquestra em que cada músico acompanha fielmente a partitura fazendo com que a melodia chegue aos ouvidos de todos. Nesse caso, o importante é ser organizado e cumprir as determinações do técnico. O resto é um detalhe... ainda que esse detalhe faça toda a diferença e seja responsável pela vitória no final da partida. Mas é um detalhe.
A essa altura você deve estar pensando, porque estou lendo isso num blog que trata sobre assuntos de teologia ?
Minha teoria é de que nossa salvação em Cristo também é um detalhe.
A Bíblia é clara em apresentar o plano de salvação para o homem. São vários os textos que indicam esse caminho. O principal talvez se encontre no evangelho de João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira , que deu seu único filho, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:16).
Ou ainda no clássico texto de Romanos:"Se, com tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo"(Rm 10:9)
Também o próprio Jesus indicou esse caminho: “Voltando do deserto, começou Jesus a pregar: Arrependei-vos, e crede no Evangelho” (Mt.4:17).
Ou seja, o ato de crer em Jesus como Aquele que morreu e ressuscitou por mim, arrepender-me da condição de praticante do pecado e confessar isso aos homens faz de mim uma pessoa salva, livre da condenação descrita na bíblia aos que assim não o fizerem. Minha teoria de que a salvação é um detalhe, deve-se ao fato de que a cultura e tradição evangélica de nossos dias, estabelecem equivocadamente ao meu ver, que uma pessoa que responde sim à pergunta : “Você aceita Jesus como seu salvador pessoal” ? Já determina o fato dela ser salva.
O apóstolo Paulo vai falar algo sobre a condição em que essa pessoa que se diz salva, deva se encontrar para ter essa certeza: “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”(2 Cor. 5:17). Olhando dessa perspectiva não é a mão levantada apenas que demonstra a evidência da salvação de uma pessoa, mas a mudança de comportamento.
Levantar a mão á um apelo, responder uma ficha de “decisão” por Cristo e dizer “eu sou salvo”, tem sido para a maioria dos evangélicos hoje em dia, o “gol de falta” que salva o time da derrota. No caso aqui, o que determina a vitória da pessoa sobre a morte eterna.
Creio que a salvação em Cristo é um detalhe, na medida em que minha vida vai tomando um rumo em direção ao evangelho. Quando sinto essa transformação de fé em fé. Quando percebo isso como um processo. Quando posso enxergar na vida da pessoa que se diz salva, os frutos que a Bíblia diz que esses indivíduos irão produzir nessas condições: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
A decisão de crer em Cristo e obter a salvação, passa pelo sentimento de termos uma vida organizada, guiada pelas exigências de Nosso Senhor Jesus Cristo. Passa também pelas evidências de uma mudança de atitude, dos frutos que a nova vida em Cristo descrita por Paulo deve produzir. É semelhante ao time organizado do Parreira. Primeiro desenvolvem-se evidências de que o gol vai sair, e ele sai naturalmente, pela aplicação ao que foi estabelecido e determinado pelo comandante. Parreira levava tão a sério o planejamento para as partidas que disputava, que chegou quase a lamentar o gol marcado na copa de 94 por Romário no início do segundo tempo do jogo com a Suécia :"Coloquei o Mazinho em campo para aumentar a pressão no ataque. Como o gol saiu logo, minha tática ficou prejudicada". Parreira temia que aquele gol, pudesse fazer com que o comportamento do time não se adequasse mais ao que fora estabelecido para se chegar à vitória.
Na cultura cristã atual, talvez a certeza que a mão levantada dá ao indivíduo sobre sua salvação, o prejudique em desenvolver uma vida cristã plena, de acordo com a vontade de Deus para sua vida. “Seu desempenho como cristão pode ficar prejudicado pelo gol fora de hora”.
Não estou aqui querendo limitar o poder do Espírito Santo na função de convencer o homem da necessidade de arrependimento, não é minha intenção justificar a salvação pelas obras e também não quero dizer que uma pessoa não possa ser salva através de um único gesto e confissão que demonstrem a crença em Jesus Cristo.
O que tento explicar é que a salvação torna-se um detalhe, quando nossas vidas sentem a necessidade de se adequarem aos ensinamentos de Jesus Cristo sobre vivermos uma vida de “fé em fé”. É uma conseqüência natural do prazer e satisfação que sentimos em realizar as ordens e nos esforçar em andar segundo a vontade daquele em quem declaramos crer e ao qual um dia decidimos receber como Senhor e salvador de nossas vidas.
Pela opinião da cultura dominante evangélica atual, basta levantar as mãos ou preencher um cartão de decisão e você é salvo. Grande parte das igrejas pregam um evangelho fácil, ao estilo “gosto do freguês”, onde a renúncia ao “eu” proposta por Jesus tem sido deixada de lado em detrimento ás opiniões, vontades e gostos do ser humano. No futebol, Parreira sujeitou-se às críticas, contrariou o estilo brasileiro, a opinião dominante, o gosto da torcida e criou um time aplicado, consciente e vitorioso.
Que Deus nos ajude a entender como indivíduos e como igreja que nossa salvação em Cristo, ainda que obtida através de uma atitude, só acontece quando um processo é desencadeado e concluído no ser humano. Um processo que pode se desenvolver ao longo de horas, dias, meses ou até mesmo em segundos, mas que precisa acontecer e ser evidenciado pelo nosso comportamento dentro de “campo”.
"Porém vocês, meus amigos, continuem a progredir na fé, que é a fé mais sagrada que existe. Orem guiados pelo Espírito Santo. E continuem vivendo no amor de Deus, esperando que o nosso Senhor Jesus Cristo, na sua misericórdia, dê a vocês a vida eterna" (Jd 20-21)
José B. Silva Junior.