Atingidos pelos Reflexos...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Pós Modernidade


Ontem à noite cheguei em casa depois de ter saído da faculdade, passava um pouco das 23:00, havia saído de casa ás 07:30 da manhã, portanto, foi nessa hora pela primeira vez no dia que fui ver minha esposa e meus filhos.


Lembro que estava com fome, um pouco cansado, tinha alguns assuntos que tinha que conversar com minha esposa, mas antes disso já estava pensando em tomar um banho, comer alguma coisa, e descansar. Ah, pensava também em algumas atividades da faculdade que já estão atrasadas e também em preparar a aula da escola bíblica no domingo. O jornal da TV noticiava alguns assuntos do dia, não me lembro bem quais, lembro também de ver algumas correspondências em cima da mesa, entre elas algumas contas para pagar.


Estava no quarto ainda trocando de roupa quando meu filho Joás perguntou: “Pai, você viu a mesa nova ?” Era uma mesa que minha esposa havia ganho de uma de nossas vizinhas e que eu ainda não havia visto por não chegar até a cozinha. Respondi ao Joás que não havia visto ainda e na mesma hora, ele trouxe a capa de um DVD, um filme que ele havia assistido durante o dia. “Pai, você já assisitu esse filme ? É legal, tem que devolver amanhã, então tem que assistir agora”. Respondi pra ele que não poderia assistir aquela hora, o filme demoraria umas duas horas e eu estava cansado e teria que trabalhar no dia seguinte. Depois fui até a cozinha, ele estava do lado da mesa nova, eu com fome, já havia até me esquecido da mesa...Minha esposa olhou em minha direção e com um sinal no olhar disse que o Joás estava esperando que eu comentasse alguma coisa. Soltei um.. “Nossa, que legal..!” meio sem graça. Fiz meu prato de comida, jantei, e quando fui ver o Joás já estava dormindo. Minha esposa comentou que ele havia passado o dia inteiro esperando pra me mostrar o filme e a mesa.


Fiquei pensando no que nossas atividades, nossos compromissos, nosso estilo de vida, nossa sociedade pós-moderna tem feito conosco. Tudo isso me rouba um relacionamento ideal, uma aproximação maior, não só com meus filhos e minha família, mas com todos aqueles que me cercam. Alguém poderá dizer que é para uma boa causa, mas será mesmo ?


Como eram as sociedades antigas, quando ainda não existia a energia elétrica, as máquinas, os carros, os livros, a televisão ? Tento imaginar uma família vivendo sem todos esses nossos recursos. A aproximação devia ser maior, em qualquer lugar que se fosse, as caminhadas juntos eram inevitáveis, pois não existiam carros, e durante essas caminhadas o diálogo certamente era algo intenso. Á noite ninguém se preocupava em estudar em faculdades ou escolas, não existia energia elétrica muito menos televisão, imagino que as conversas entre pais, mães e filhos depois que anoitecia era um momento de prazer, de troca de experiências e de ensinamentos e aprendizagem. Certamente que não existia o consumismo desenfreado de hoje, as pessoas se contentavam com a economia de subsistência, o ser era muito mais importante do que o ter. A vida era mais simples, ninguém se preocupava com a alta do euro ou do dólar, ou com a queda da bolsa, ninguém se importava em trocar de celular ou de carro. Os valores eram outros. Para onde o avanço da ciência e o progresso da sociedade estão nos levando ? O que tudo isso tem trazido de bom ou de ruim para cada um de nós ?


Estamos aos poucos nos tornando pessoas insensíveis, isoladas, programadas, não conseguimos mais parar para ouvir as pessoas. Pais e mães estão abandonando, quando não matando, os filhos. Filhos estão preocupados em ter tudo que precisam para serem aceitos nos grupos de nossa sociedade pós-moderna. Amigos sinceros, vizinhos que se ajudam, parentes que se reúnem, igrejas unidas, é algo que tem se tornado raro em nossos dias.

Vou chegar em casa hoje e ver a mesa com o Joás, comentar sobre a cor dela, sobre o tamanho, de como ficou bem no lugar onde ela está, vou perguntar se ele não teria uma sugestão de um lugar melhor para ela. Amanhã sábado, vou alugar aquele filme que ele queria que eu assistisse, quero que ele assista junto comigo. Sei que isso não vai resolver o problema.

Precisamos fazer algo !

domingo, 24 de agosto de 2008

O Fato, Deus !


Através de um artigo publicado no Jornal Folha de S. Paulo de 16.09.2001, José Saramago declara seu ceticismo em relação á Deus. O texto que tem como título “O Fator Deus”, foi escrito logo após a tragédia das torres gêmeas em Nova York no dia 11 de setembro de 2001, ainda em meio à perturbação que tudo aquilo causava ao mundo.

A perplexidade de Saramago diante de tragédias como as de 11 de setembro, da Guerra do Vietnã, do extermínio de Judeus na 2ª guerra e de outras citadas por ele, é a mesma que sentimos. Não há mesmo como entendermos tantas vidas que chegam ao fim de maneiras tão cruéis e cheias de terror. Seu questionamento sobre o posicionamento e até mesmo sua descrença sobre a existência de Deus em todas essas situações é algo perfeitamente compreensível. Assim como Saramago, ficamos tentados a atribuir a culpa de todas essas tragédias, ao criador do universo, aquele que , pelo menos em nossas idéias, é o responsável pela ordem do caminhar da humanidade. Nessas situações, nossas limitadas mentes procuram respostas muitas vezes através de perguntas: Deus existe ? Onde está Deus ? Se Deus existe e controla tudo isso, porque coisas assim acontecem ? Diante da falta de respostas temos sim o direito que Saramago reivindica. O direito de escolher dizer não à Deus, o direito à Heresia, o direito de achar que Deus só existe em nossos pensamentos. Será que temos uma resposta á essas perguntas ?

A origem do bem e do mal, a criação do homem, a construção do universo é sempre um assunto que nos remete á um debate permeado de especulações, tanto científicas quanto teológicas, mas o que podemos ver em nossos dias, é esse debate tornar-se cada vez mais interessante. O avanço da ciência nas últimas décadas tem contribuído de forma significativa para a discussão. Temos por exemplo a descoberta de dois cientistas há cerca de 30 anos atrás: Arno Penzias e Robert Wilson provaram cientificamente a existência de radiações do brilho avermelhado da explosão do chamado big bang, conhecida como radiação cósmica de fundo, descoberta aliás, que lhes rendeu um prêmio nobel. Em resumo,através deste feito, soube-se que o universo teve sim um início, através de um surgimento grandioso. Mas qual o significado disso para nossa questão sobre a existência de Deus ?

Robert Jastrow, diretor do maior observatório do mundo e fundador do instituto Goddard para estudos especiais da Nasa, autor do livro “Deus e os Astrônomos”, mesmo sendo um agnóstico confesso em relação á assuntos religiosos disse:
Os astrônomos percebem agora que se colocaram numa encruzilhada, porque provaram por seus próprios métodos que o mundo começou abruptamente, num ato de criação ao qual se pode rastrear as sementes de toda estrela , todo planeta, toda coisa viva no cosmo e na terra, eles descobriram que tudo isso aconteceu como um produto de forças que não esperavam encontrar...isso que eu e qualquer pessoa chamaria de força sobrenatural, é agora, penso eu, um fato cientificamente comprovado.

Nas últimas palavras de seu livro Jastrow ainda afirma:
Para o cientista que tem vivido pela fé no poder da razão, a história termina como um sonho ruim. Ele escalou as montanhas da ignorância, está prestes a conquistar o pico mais elevado e, quando se lança sobre a última rocha, é saudado por um grupo de teólogos que estão sentados ali há vários séculos.
O que se percebe é que se realmente estudarmos a ciência é certo que seremos levados para mais pertos de Deus.
Usando uma citação de Saramago sobre a frase de Nieztsche: “Tudo seria permitido, se Deus não existisse”, penso haver uma verdade nessa frase, pois para aquele que argumenta a favor da não existência de Deus, tudo não só seria, mas é permitido, até mesmo escrever coisas tão sem sentido. E à essa mesma pessoa que se diz ateísta, será difícil reunir uma linha de raciocínios e argumentos capazes de explicar a existência de Deus, pois conforme o próprio Nieztche (também ateu) disse, “é nossa preferência que decide contra o cristianismo, e não os argumentos.” Portanto, não importa o que eu tente responder aqui para Saramago, ele já conhece todas as possíveis explicações e até provas que indicam a existência de um criador e de uma criação sobrenaturais. Sua opção pelo “Fator Deus” é uma questão pouco inteligente de preferência pessoal.

Lendo há alguns meses atrás um artigo sobre o caso da morte da menina Isabella Nardoni, jogada pelo próprio pai pela janela do 6º andar do prédio onde morava em São Paulo, e que comoveu a opinião pública do Brasil, assim como todas as outras tragédias citadas por Saramago que chocam todo o mundo, uma pergunta chamou-me a atenção: “Onde estava Deus ?”

Penso eu, que Deus estava onde sempre esteve. Na posição que sempre assumiu desde o princípio da criação do universo e do homem, dando-lhe liberdade para fazer escolhas e agir. E é claro que essa afirmativa não deve ser um ponto final na resposta à pergunta, é claro que uma frase não vai confortar os corações aflitos nem tampouco deixar-nos livre da dor de ver tantas pessoas indefesas, incluindo crianças, morrendo de forma tão horrenda; e penso que é muito provável que nem essa e nem tantas outras frases que tentei ou tente dizer aqui serão suficientes para explicar coisas tão humanamente irracionais.

Deus , quando em sua forma humana através de Jesus, passou por este mundo, deixou marcas. Cientistas, filósofos, historiadores, teólogos, psicólogos e até mesmo ateus, reconhecem que seus ensinamentos e sua habilidade em se relacionar com aqueles que o cercavam era algo impressionante. E se atentarmos bem para sua história, veremos que o centro de suas atividades está mesmo no homem. Ao multiplicar os pães e peixes, ao transformar água em vinho, ao fazer a pesca fracassada no mar da Galiléia se transformar em um sucesso, Ele não abre mão da participação do homem em cada um desses episódios. Lembram ? “Encham as talhas de água”..., “Tragam-me os cinco pães e os dois peixes”..., “joguem a rede”... Ele poderia ter feito tudo isso do nada, bastava um estalar de dedos e tudo aconteceria. Porém ele se preocupa com o homem, quer vê-lo sentindo-se parte importante no processo de mudança. Para Jesus o homem é indispensável nessa tentativa de transformar mal em bem. Suas atitudes e ensinamentos sempre apontavam para uma única direção: o fazer o bem. Mas o ser humano insiste pelo mal. No ato da criação humana, Deus dá algumas recomendações do que devia ser feito, mas a escolha pelo erro é feita pelo homem. Jesus, muitos anos depois, volta a relacionar-se com o homem na tentativa de fazê-lo entender que ainda há tempo. O homem teima em não entender; o amor incondicional (e isso inclui amar até mesmo seu próprio inimigo), o abraçar e amar as criancinhas (Jesus demonstra essa preocupação várias vezes no evangelho), curar os doentes, se preocupar com os pobres...enfim, o homem resolve de alguma forma, que nada disso é bom...Então Jesus sofre, a humanidade sofre. Jesus porém, sofre como nenhum outro ser humano sofreu e jamais sofrerá. A cruz então, nos faz pensar e refletir sobre as trágicas mortes que citamos até aqui : Qual outra morte poderia ser tão injusta quanto á de Jesus ? Sim, ela é injusta em nossa perspectiva humana. Alguém bom e inocente não deveria sofrer, nunca deveria morrer. Mas nos esquecemos de que Deus está no controle de tudo, Sua mente divina que projetou todo o universo está no lugar onde sempre esteve e sempre vai estar, se preocupando com o homem. Querendo fazer-nos entender que aquilo que vemos nem sempre será aquilo que enxergamos.
Reconheço; a mente humana, minha mente, sua mente e a mente de Saramago são muito limitadas para entender certas coisas. A garotinha Isabella , sua inocência e fragilidade atacadas por um ser humano covarde que não entendeu os propósitos do criador para sua vida, e escolheu o mal como regra de conduta, me leva a ter vontade de chorar. Os milhões de mortos inocentes em tantas tragédias causam-nos repulsa. Quando penso na mãe de Isabella (como pai que sou), tento imaginar o sofrimento e a dor que a invadiram aquele instante. Creio que ela tenha vivido o ápice de seu sofrimento.

Jesus, o filho de Deus, no ápice de seu sofrimento clamou: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste ?” Naquele momento, Ele sentiu-se separado de Deus, enquanto tomava sobre si todo mal da humanidade, Ele, por um instante me parece , deixou de ser Deus por não poder ter parte em todo esse mal voluntário do ser humano, mas logo em seguida disse: “Está consumado”...Tudo estava cumprido, sua missão estava completa. Fez o que tinha que ser feito. E assim, a história nos conta que Ele foi á direita do Pai.
Talvez essa seja a frase ecoando na cabeça da Mãe de Isabella, “Deus meu, Deus Meu, porque me desamparaste”...Talvez ecoe nas mentes de tantos outros como Saramago através da pergunta:”Deus onde está você !”

Deus conta com o ser humano, para estabelecer o bem e a verdade no meio onde vive. O mal moral, presente no coração do ser humano não é um atributo divino nem sequer faz parte de sua criação. É fruto da escolha que o homem faz entre o certo e errado e talvez esse preço seja alto demais para mãe de Isabella , para mim e você, e talvez não seja hoje que ela e nenhum de nós entendamos isso perfeitamente, em sua plenitude. Mas Deus existe, e estava presente em cada uma dessas situações !
Li um livro do qual tirei algumas frases contidas nesse texto, e do qual tiro também o título para deixar como conclusão e resposta à Saramago e todos aqueles que tem negado algo tão evidente :

“Não tenho fé suficiente para ser ateu !” (Norman Geisler e Frank Turek)
Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, tem sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis. Romanos 1:20


José B. Silva Junior

sábado, 16 de agosto de 2008

É assim que Deus faz...

Quem poderia imaginar que o menino ia ajudar alimentar a multidão...?

Já parou para pensar que VOCÊ é importante para Deus e que VOCÊ está nos planos dele ?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Dez razões por que nunca tomo banho


Outro do Jornal Batista, achei interessante...


Dez razões por que nunca tomo banho



Escrito por ISALTINO GOMES COELHO FILHO
12-Aug-2008
As pessoas que não freqüentam a igreja apresentam argumentos curiosos em defesa de sua atitude. O adjetivo “curiosos” se aplica mais pelo seu teor simplório.

Para mostrar a inconsistência de alguns desses argumentos, alguém elaborou uma lista bem-humorada chamada “Dez razões por que nunca tomo banho”. Veja as razões e compare-as com as desculpas dadas para não freqüentar uma igreja:
1. Meus pais me forçaram a tomar banho quando eu era criança. Tomei aversão.
2. As pessoas que tomam banho são hipócritas. Elas se julgam mais limpas que as outras.
3. Há muitos tipos de sabonete. Eu nunca saberia, exatamente, qual deles usar.
4. Eu costumava tomar banho, mas tornou-se algo rotineiro e perdeu o encanto.
5. Nenhum dos meus bons amigos toma banho e eu preciso ser igual a eles. Se souberem que tomo banho vão zombar de mim. Preocupo-me mais com a opinião deles do que com minha higiene pessoal.
6. Tomo banho no Natal e na Páscoa. Isso não é suficiente?
7. Começarei a tomar banho quando ficar mais velho. A juventude não é uma época boa para se tomar banho, pois há coisas mais importantes por fazer. O banho atrapalha minhas aspirações de jovem.
8. Não tenho tempo. Ando muito ocupado, trabalhando, estudando, cuidando do meu futuro. Banho pode esperar. Um pouco de sujeira não faz tão mal assim. Na realidade, banho é para desocupado.
9. O banheiro é muito frio. Ou: “O banheiro é muito quente”. Ou, ainda: “É difícil o estacionamento para se chegar ao banheiro”.
10. Os fabricantes de sabonete estão somente atrás do meu dinheiro.
O paralelo é óbvio. As desculpas para não se ir à igreja, em sua maioria, senão totalidade, são totalmente inconsistentes. Da mesma maneira são fracas as desculpas que as pessoas utilizam como justificativa para não dar atenção à sua situação espiritual. Se um simples banho não comporta desculpas assim tão ocas, imagine a questão da vida eterna e do relacionamento com Deus. O pr. Aníbal Pereira Reis, ex-padre, pregando numa ocasião em igreja que pastoreei (PIB de Bauru) perguntou a uma pessoa, ex-colega seu, se ela não queria aceitar Jesus como Salvador. A pessoa respondeu: “Eu tenho minhas convicções!”. O dr. Aníbal, que a conhecia bem, olhou-a firmemente e disse: “Convicções ou conveniências?”. Não entrei em detalhes da discussão, mas guardei a frase: “Convicção ou conveniência?”. Muita gente não tem convicção alguma sobre coisa alguma. Apenas nutre conveniências, tendo um credo tipo “picadinho”, pegando coisas daqui e dali, mas sem sequer costurar as idéias, sem ter qualquer visão completa da vida, sem uma cosmovisão. São pessoas que se recusam a pensar e a analisar, indo ao sabor de momentos e conveniências. De argumentos fracos, suas desculpas parecem as dadas pelo sujeito com vocação para ser Cascão (o personagem de Maurício de Souza que não gosta de banho).
Pois é, você tem algum motivo sério para não cuidar do seu relacionamento com Deus? Ou eles são da mesma espécie das desculpas do avesso ao banho? Não há nenhuma desculpa válida para ignorar-se Deus.
(Elaborado a partir de um recorte encontrado nos arquivos da Igreja, sem dados identificadores.)

ISALTINO GOMES COELHO FILHO - Pastor da IB do Cambuí, Campinas (SP)

domingo, 10 de agosto de 2008

Ser Seminarista

Atendendo ao pedido de algumas pessoas coloco aqui um texto que escrevi e que foi publicado na edição de "O Jornal Batista", do dia 20/07/2008.




Ser seminarista

“Olho para dentro de mim e vejo sementes que precisam morrer, a fim de poderem dar muito fruto.”



A metafísica aristotélica procura entender a verdade e explicar as coisas, através do ser enquanto ser; trabalha com o pensamento de um mundo verdadeiro e real cuja essência é a multiplicidade de seres e a mudança incessante. (E não é que aprendi algo na aula de Filosofia!)
Comecei essa semana refletindo sobre o assunto, tentando me lembrar por quantas mudanças já tive que passar, situações às quais tive que me adaptar, convicções que deixaram de ser convicções, dúvidas que passaram a ser certeza, descobertas que fizeram a diferença para mim, e diferenças que me impediram de fazer descobertas. Desde minha entrada para o curso de Teologia, essa reflexão tem sido uma constante em minha rotina de seminarista. Uma mudança incessante dentro de um ser que absorve, a cada dia, um pouco da multiplicidade de outros seres.
O ser seminarista (é assim que chamam aquele que decide estudar teologia) é algo não tão fácil de se explicar. Somente quem já passou pelo processo ou vive no ambiente de uma faculdade teológica vai saber o que estou querendo (ou tentando) dizer. Você tem de um lado sua convicção de chamado, a certeza da vocação, a vontade de entregar-se à direção de Deus e cumprir seus desígnios; de outro, você tem a dura tarefa de sair de casa, todos os dias, 7h e chegar à meia-noite. Sua vida muda... você, inevitavelmente, será cobrado a se tornar um modelo de cristão, terá que saber dividir seu tempo e se dedicar da melhor maneira possível a ler inúmeros livros e artigos, preparar várias resenhas, fichas de leitura, trabalhos e apresentações em forma de seminário, ser submetido a testes escritos e orais, entregar todos os trabalhos e leituras nas datas pré-estabelecidas (segundo um professor, se você não faz isso, não será indicado, pelo menos por ele, como um “bom pastor”), dar atenção à sua esposa, a seus filhos e à sua família, de modo que eles não tenham do que reclamar quanto à sua postura como esposo, pai, irmão, filho, tio. (já que... “aquele que não governa bem sua própria casa...”). Também deverá ser exemplo de trabalho e dedicação na igreja, afinal, a comunidade investe em você, nada mais justo do que estar presente e ativo em todas as atividades demonstrando e provando sua vocação a todos. As críticas que você receber certamente serão para testar sua vocação e fazer você crescer. Sua vida profissional não pára, você continuará sendo cobrado e exigido segundo os padrões de competitividade do mercado, apesar de talvez não entenderem o por que de alguém que trabalha na área de administração opte por fazer um curso de Teologia. Você deverá continuar se dedicando ao máximo no trabalho, do qual você tira o sustento seu e de sua família.
Em meio a todos esses fatores externos que o cercam, você deverá saber lidar também com os conflitos internos que com certeza virão, e se existir desordem interna, certamente você experimentará frustrações, ansiedades e pouco ou nenhum crescimento. Você não conseguirá se manter em pé se não separar um tempo diário à prática da oração, conversando com Deus sobre tudo que tem feito, buscando orientação do alto sobre as decisões que deverá tomar, estar em permanente contato com sua Palavra para poder assim estar sensível à voz do Pai. Cultivando esse relacionamento com Deus podemos fazer com que nosso senso de auto-estima cresça, nossas intenções sejam renovadas. Será através dessa prática que manteremos nossa comunhão com Deus e moldaremos nosso caráter. Ocorre que nesse período, nem sempre (ou quase nunca) conseguimos atingir esse objetivo. Carecemos mesmo da misericórdia do Senhor. Que bom que elas se renovam a cada manhã!
Olho para mim e vejo sementes que precisam morrer, a fim de poderem dar muito fruto, e toda morte exige sofrimento, e sofrimento é algo indesejável para qualquer um de nós, mas se a semente nega-se a morrer ela também se nega a virar vida, não se transforma, não se multiplica. Talvez essa seja a explicação do por que as pessoas serem tão resistentes às mudanças. Mudar implica em renunciar a si mesmo, deixar que as sementes que estão dentro de você morram. Mudar dói...
O que percebo hoje é que todas essas mudanças me conduzem para um discernimento correto, aponta para uma segurança e maturidade maior do objetivo para o qual caminho, e penso que a ação de mudança contínua me leva a entender de forma mais profunda a necessidade de transformações que ainda preciso experimentar.
O processo todo faz com que a vocação seja confirmada, dia após dia, e vejo que ela é muito mais importante do que achava ser há tempos. Mais crises virão pela frente e mais crises ficarão para trás, o ser enquanto ser depende cada vez mais do Ser-Supremo.
Usando o jargão de um colega seminarista – “Tudo são pressupostos”. O que realmente importa é estarmos atentos a cumprir a missão para a qual fomos chamados

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta" (Hb 12.1).

A saída para o nosso desânimo está no alicerce que sustentava Jesus quando cada pedra, prego ou fardo era lançado sobre ele. Ânimo meu irmão!

JOSÉ B. SILVA JUNIOR - Seminarista, segundanista da FTB de Campinas (SP)


sábado, 9 de agosto de 2008

DIA DOS PAIS


Esse é o primeiro dia dos pais sem a presença do “Seu Silva”...

Dia difícil, onde as lembranças ressurgem com mais força, e a vontade de ir até sua casa abraçá-lo, aumenta. Saudade de poder subir os degraus depois do portão, e dali mesmo já vê-lo nos esperando, dar aquele costumeiro beijo em sua face, e receber o costumeiro tapinha nas costas e a saudação ... “e aí filhão, tudo bem ?”. Sentar no sofá, de frente á ele, e conversar sobre aquelas banalidades de sempre, afinal, o assunto quase sempre era um assunto qualquer, o que importava mesmo era estarmos ali perto, ver o seu sorriso, ouvir suas queixas, contar-nos sobre seu trabalho, falar de política, de futebol, sobre as coisas da igreja...

Saudade das reuniões em família, da mesa repleta de comida e dos filhos, filhas, genros, noras, netos à sua volta...da churrasqueira que não se acendeu mais..., de vê-lo com o pano de prato sobre o ombro, a tábua de carne na mão, “já parou Junior...? Há..tá esperando o segundo tempo...?” Saudade de vê-lo implicando com o barulho das crianças, com os latidos dos cachorros..., de vê-lo assobiando uma melodia qualquer, das quintas-feiras à noite (devia ter ido mais...), da costela na cebola , do pão com mortadela e da coca-cola gelada que ele tanto gostava...

É ...“Seu Silva”...quanta saudade.

Quis nosso Pai dos Céus, que assim fosse esse dia dos pais de 10/08/2008. E pensando assim, lembrei que “Seu Silva”, antes de ser o papai, era um querido filho do nosso PAI maior.

E agora lá está ele, em Sua presença. Ano passado, logo após o papai ter nos deixado, escutei uma música que me confortou. A música, falava de buscarmos uma proximidade com Deus, e do desejo que Ele tem em que façamos isso. Fez-me pensar em como Deus nos ama como Pai e do seu intento de ter um relacionamento conosco de pai para filho , e que seus propósitos, apesar de nem sempre os entendermos, são sem dúvida, os melhores pra nós. Mas a situação que estávamos vivendo fez também com que eu percebesse, que além de buscarmos ter esse contato mais próximo com Deus e podermos alcançar essa vida cheia da alegria que só Ele pode dar enquanto temos nossos pulmões cheios de ar, além disso ainda, podemos entender também, que Deus está nos esperando para um contato ainda mais próximo, para dar a cada um de nós, uma vida incomparável á essa que temos hoje: A vida que Ele deu ao nosso papai Silva. Imaginei o soberano Deus aguardando o momento de encontrá-lo, assim como nós também sempre aguardávamos encontrá-lo em sua casa. Assim como queríamos seu abraço Deus também o esperava para abraçá-lo. Posso até imaginar Deus falando com ele... “E aí filhão , tudo bem ?”. Papai, encontrou-se com Deus, e Deus o tomou no colo e deu novas vestes à ele. Nesse dia, quando ouvi essa música, imaginei Deus falando com o papai:





FELIZ dia dos pais !!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Adesão ou Conversão ?


Adesão no dicionário da língua portuguesa figura com os seguintes significados : Aderência, união, junção: força de adesão. / Fig. Consentimento, aprovação: dar sua adesão ao projeto. / Inscrição num partido, numa associação.

Aderimos á planos médicos e odontológicos, partidos políticos, provedores de Internet, operadoras de celular, Tvs à cabo, etc. Esses dias estava até pensando em fazer uma adesão á um plano funerário, me convenci de que é uma adesão necessária.

Adesão então, implica em consentirmos com ideais e projetos apresentados, estarmos inscritos como participantes e beneficiários das vantagens que esses ideais podem nos proporcionar, não importando o quanto eu participe daquilo que o plano ao qual aderi tem por meta, meu objetivo será o poder usufruir de suas vantagens, no momento em que precisar.

Penso que ás vezes, refletindo teologicamente, temos feito uma adesão ás coisas de Deus.

Aderimos á uma comunidade que prega Jesus Cristo, consentimos e aprovamos suas doutrinas e práticas, nos inscrevemos através do batismo á um grupo religioso. Nos unimos, perante a sociedade, à uma associação entre pessoas que mantém uma mesma crença , nos tornamos participantes e aguardamos pelas benesses que isso possa nos render.

Josué, reuniu pessoas que haviam feito uma adesão á um grupo, e explicou-lhes a diferença entre adesão e conversão.

Já avançado em idade e preocupado com o destino do povo Israelita, ele lembra à todo o povo de como Deus havia cuidado milagrosamente de seus antepassados, das vitórias nas guerras, da travessia do Mar Vermelho, das terras férteis e produtivas que tinham recebido das mãos Dele. Possuíam todos esses benefícios pela adesão que fizeram à cidadania Israelita.

Josué então também os lembra de que era necessário além dessa adesão,uma total conversão por parte deles. Em um dos textos mais contundentes do Antigo Testamento, Josué pede que todo o povo faça uma decisão séria, de seguirem verdadeiramente à Iavé.

“Agora temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor. Se porém não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos seus deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor”. Josué 24:14-15.

Não é incrível notarmos como todo o povo tendo passado por tantas maravilhas na presença de Deus, ainda precisasse ser alertado a quem devessem servir? No versículo 19 do mesmo capítulo Josué declara para o povo: “...vocês não tem condições de servir ao Senhor...”, e no verso 24 ele diz que o povo estava voltado para deuses estrangeiros que tinham em casa.

Penso ás vezes que assim como aquele povo, não temos condições de servir ao Senhor. Fazemos tal qual o povo de Israel naquele momento, uma adesão aos ensinos Divinos. Falta-nos uma conversão verdadeira. Nos apegamos aos nossos “deuses estrangeiros”, corremos atrás de adesão ao poder, adesão aos prazeres e adesão ás posses. Servimos ao “deus do materialismo” e por vezes ao “deus do intelectualismo”.

Deus deseja que sigamos e prossigamos além da adesão. Ele quer conversão total e compromisso sério e exclusivo com ele. Esse compromisso em nossas vidas implica em uma decisão que temos que fazer dia-a-dia, de escolher a quem servir em cada momento de nossas vidas.

Que possamos refletir e estar tomando a mesma decisão que o povo de Israel:
“E o povo disse à Josué: “Serviremos ao Senhor, o nosso Deus, e lhe obedeceremos” Josué 24:24

Que Deus nos ajude !
José B.Silva Junior

terça-feira, 29 de julho de 2008

Além da Pergunta

Essa semana é a última antes do reinício das aulas. Resolvi então aproveitar bem os momentos ao lado de minha família, e como já postei aqui as fotos da Júlia e do Joás, vou também postar um texto que escrevi uns dias atrás, mais precisamente no dia 13/06/2008, um dia após o chamado, dia dos namorados. O Texto fala sobre o amor, e é na verdade uma declaração á alguém mais do que especial prá mim...

Além da Pergunta...

Inspirado pelo dia dos namorados, e por um amigo da faculdade, que conversou comigo ontem e se disse animado com o futuro casamento, fiz a mim mesmo uma pergunta que deixa muita gente confusa: “O que é o amor” ?. Enquanto namorados (as), noivos (as), esposos (as) e companheiros (as), quando recebemos aquela tradicional e famosa pergunta: “Você me ama?, o que respondemos ? Quase que invariavelmente a resposta é sim. Mas sabemos mesmo o que é o amor ?

Já vou logo de antemão, dizendo que não serei capaz aqui, de organizar palavras ou frases que possam responder ou dar uma definição sintetizada do que seja o amor. Mesmo por que, penso ser o amor no aspecto homem/mulher , um sentimento inexplicável, uma experiência pessoal, algo que precisa ser vivido e experimentado. Vou tentar entender então, junto com você leitor, o que seria o amor.

Imagine um casal de namorados, os dois com 16 anos de idade, no auge da adolescência, criados em cidades diferentes, em famílias que nunca se viram. Com três meses de namoro separam-se pela distância, mas apesar disso, continuam o relacionamento. Durante mais de dois anos, relacionam-se por cartas, telefonemas e eventuais viagens que o namorado fazia. Completam cinco anos de namoro, e é importante destacar que a sustentação do relacionamento sempre foi baseada na sabedoria, paciência, discernimento e disposição em perdoar da namorada ante os conflitos do namoro. Ele na maioria das vezes mostrava imaturidade para resolver as questões sobre os assuntos que envolviam o casal. Decidem assim mesmo, que já estavam, aos 21 anos de idade, preparados para o casamento. Após dois anos de casamento, o agora marido, decide deixar a cidade onde moravam ,ela então abre mão do convívio com mãe, ,irmãs e sobrinhos. abre mão de suas origens, das amizades e da comunidade da qual fazia parte para dedicar-se ao relacionamento e ao casamento. Após 08 anos de casamento, já tinham 02 filhos. O convívio com a esposa, fazia com que o marido reconhecesse que dependia daquela mulher para viver. Seu exemplo de fé, sua dedicação, entrega, renúncia e doação de vida em favor do marido e dos filhos, fosse nos momentos alegres ou tristes da vida, fazia com que ele desejasse fazer a mesma coisa. Hoje, o casal já completou 15 anos de casados, 20 anos desde o primeiro beijo e do primeiro “eu te amo”. Ontem, dia dos namorados, após um dia difícil e cansativo no trabalho quando o marido chegou da faculdade, achou em seus recados no computador a seguinte mensagem:

“Amar...
Amar é olhar para dentro de si mesmo
É dizer: eu quero! É viver intensamente
É sonhar com uma gota de realidade
É realizar uma gota desse sonho
É estar presente até na ausência
Amar é ter em quem pensar
É razão que ninguém teria razão para nos tirar
É ser só de alguém, e nunca deixar esse alguém só
É pensar em você tão alto a ponto de você escutar
Amar é ir até a morte, é acordar para a realidade do sonho
É vencer através do silencio ,é ser feliz até com um pouco...quando muito não é bastante.
Amar é dar anistia ao seu coração, é sonhar o sonho de quem sonha com você
É sentir saudades...é chegar perto na distancia
Amar é a força da razão , é quando os momentos são eternos
Amar é ser adulto e se sentir criança, é viver a vida em versos...e ao inverso
É a maior experiência na vida de um homem ,mas acima de tudo ,Amar é crer em Deus...
Porque Deus é amor”

“Junior ,Te Amo ! Ass. Nilce.”

Hoje eu sei o que é amor. Fui ensinado a percebê-lo e a cultivá-lo. E quando a Nilce me pergunta: Você me ama ?, eu respondo com toda a certeza e com toda a convicção: “Sim Nilce, Eu amo você”! E agradeço a Deus pela ajudadora que me deu, por ter uma mulher que vive Sua palavra e intercede pela minha vida e dos meus filhos continuamente, sem desanimar.


“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor”
I Coríntios 13,1-13

Que Deus, abençoe a todos os casais...
E que Seu amor seja o mais importante em nossas vidas !

José B. Silva Junior

sábado, 26 de julho de 2008

Sessão Coruja !



"Como flechas na mão do guerreiro,assim são os filhos..".Salmo 127.4

Senhor, ajuda-me a acertar o alvo...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Olimpíadas


No próximo dia 08/08/08 com início da cerimônia marcada para ás 08:08 Hs, será aberta mais uma edição dos Jogos Olímpicos, em Pequim , na China . Mais de 10 mil atletas correndo atrás de superar seus limites, apresentando um espetáculo esportivo para milhões de espectadores por todo o mundo.

Confesso que sou fascinado por competições esportivas desde criança. O esporte é algo que pode fazer o ser humano conhecer seus limites, uma das formas mais belas de superação e prova de capacidade que o homem pode experimentar, quando se propõe a querer ser o melhor naquilo que faz. São várias as histórias de homens desacreditados pela sociedade, sem perspectivas nem objetivos em suas vidas, que descobriram um sentido para continuar a viver através do esporte. Quem não se lembra por exemplo, do emocionante episódio ocorrido nas olimpíadas de 2000 em Sydney, quando o nadador da Guiné Equatorial Eric Moussambini registrou o pior tempo numa prova de 100 m estilo livre em Jogos Olímpicos, (1m52s72, contra 47s84 do vencedor) mas ainda assim saiu aplaudido de pé ? Em determinado momento de sua performance, Eric começou a bater os braços ainda que desordenadamente, com toda a força que ainda tinha, e com o pouco fôlego que parecia restar-lhe, para poder completar a prova. Os espectadores presentes, percebendo que estavam diante de um desses momentos inesquecíveis que o esporte nos proporciona, se levantaram, gritando e incentivando Eric, como se ele fosse estabelecer uma nova marca de recorde mundial. Eric precisava chegar ao final da prova, naquele momento esse era o sentido da sua vida.

E apesar de reconhecer que o esporte pode fazer com que enxerguemos a vida sob uma perspectiva de superação e sentido, sabemos que em determinado momento de suas vidas esses atletas, seja um Eric Moussambini ou um Ian Thorpe, já não terão vigor físico para completarem os 100 metros rasos, seja em primeiro ou em último lugar. E caso o sentido de suas vidas, esteja somente no fato de baterem a mão na borda da piscina certamente terão problemas.

O esporte, quem diria, já existia na época de Jesus e de seus discípulos. Aliás muito antes disso, a história nos conta que um dos primeiros jogos dos quais se tem conhecimento datam de 776 a. C na Grécia Antiga. E já nos tempos de Jesus, nosso conhecido Apóstolo Paulo usou ilustrações de provas de atletismo para nos ensinar lições sobre a vida Cristã. Em sua carta aos Cristãos e provavelmente também aos atletas de Corinto ele assim escreveu:

"Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." (1 Coríntios 9:24-27)

A palavra de Deus, diz que os atletas da época corriam para alcançar um prêmio que , ao invés de nossas medalhas de ouro, era uma coroa de louros. Se preparavam, se abstinham de tudo para dedicarem-se aos treinamentos, assim como os atletas atuais.

O Apóstolo Paulo queria dizer que devemos seguir esse exemplo em nossas vidas cristãs. Devemos correr, nos dedicar, nos abster daquelas coisas que nos afastam do objetivo de alcançar nossa coroa da vitória. Não aquela coroa de louros ou aquela medalha de ouro, mas a coroa que Paulo chamou de incorruptível. O prêmio maior que nós podemos desejar. A vida eterna através de Cristo, à quem devemos subjugar nossos corpos à servi-lo, para que não corramos o risco de sermos reprovados ao final da prova. “...Correis de tal maneira que o alcanceis...”

Me preparo para assistir as competições dos jogos olímpicos da China, torcendo para que o sentido da vida dos "Erics Moussambinis" , dos "Ians Thorpes", meu e seu, não estejam somente em quebrar recordes ou em ver nosso país ganhar um grande número de medalhas , mas em nos preparar para alcançar a coroa incorruptível mencionada por Paulo.

“Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras.”II Timóteo 2:5.

Á Deus todo o louvor...
José B. Silva Junior

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Filhos...


Em nossas conversas por aí, escutei essa semana de uma mãe sua confissão de impotência frente à árdua tarefa de educar e fazer com que os filhos andem sempre por caminhos seguros. Tenho certeza que ela não está sozinha nessa luta. Em que pese hoje em dia termos fácil acesso à informações sobre o desenvolvimento psicológico e afetivo de nossos filhos, de conhecermos algumas regras básicas sobre o comportamento da criança, do adolescente e do jovem, penso ser comum a dúvida em como devemos agir nessa ou naquela situação. Como pais, apesar de sempre nos esforçarmos para dar um bom exemplo, de ensinar valores e princípios que acreditamos serem os melhores, de indicarmos sempre as melhores opções para nossos filhos, existe sim a possibilidade de errarmos, aliás diria que o que existe é a possibilidade de acertarmos. A frase que parece já feita, faz sentido para muitos pais: "Ninguém tem a receita certa para educar um filho". E isso é dito até mesmo por psicólogos especializados em aconselhamento na área do desenvolvimento da criança e do adolescente. Conversando com pessoas mais experientes, ouvimos quase que através de unanimidade, a opinião de que os dias de hoje, fizeram com que esse problema fosse potencializado por uma série de fatores. Em suma, podemos admitir com segurança, que educar filhos hoje em dia é uma missão das mais complicadas .

Porém uma coisa é certa, são os pais, os principais responsáveis pela boa educação de seus filhos. Essa tarefa não pode ser delegada às instituições de ensino e nem às religiosas, apesar de ambas poderem ajudar neste processo. E apesar de todas as dificuldades que apareçam, pai e mãe juntos, tem condições sim de vencer esse embate .


Temos um belo exemplo de como ser bem sucedido na educação dos filhos, e à essa altura você já deve estar imaginando de onde vem esse nosso exemplo. Isso mesmo, das páginas da Bíblia.


No livro de Deuteronômio, logo após Moisés ter lido os 10 mandamentos para os Israelitas, é clara a preocupação de Deus, com as famílias e com os filhos em especial. Deus já sabia das dificuldades que viriam através dos tempos, e em um dos mais belos textos da Bíblia , conhecido por "Shemá" e chamado pelos judeus até hoje como "O coração da Bíblia", Deus recomenda, a "receita" para um lar abençoado, com pais e filhos vivendo em harmonia. A palavra de Deus assim nos fala:


"Ouça ó meu povo: O Senhor , o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas essas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos, converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços, e prenda-as na testa. Escreva nos batentes das portas de sua casa e em seus portões." (Deuteronômio 6:4-9)


Tentando contextualizar, Deus parece estar dizendo: Busquem-me com todas as forças que vocês tiverem. E para que meus ensinamentos não sejam esquecidos, ensine-os sempre aos seus filhos, por todas as gerações, converse a toda hora sobre minha palavra, a Bíblia. Isso mesmo, dê um jeito de falar nela sempre, quando estiver andando , sentado, ou deitado. Se preciso for, coloque alguma coisa amarrada em você mesmo, no portão de sua casa, na porta do seu quarto, no espelho do banheiro, na frente da televisão, enfim, faça o que for...MAS NÃO DEIXE DE LER MINHA PALAVRA PARA SEUS FILHOS....


Fico impressionado, com o amor de Deus por nossos filhos. Faz-me lembrar de uma frase que postei a pouco tempo em uma das reflexões. “Que pai não faria todo o esforço para levar tamanha felicidade a um filho?”.


Que o Deus que nos deu a receita, possa nos dar forças, para aplicarmos essa verdade em nossas vidas. E que o amor que sentimos pelos nossos filhos provoque em nós a consciência da necessidade de ensinarmos a Palavra de Deus a eles...em todos os momentos.


Que Deus nos abençoe !
José Junior

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Onze Homens e Um Segredo.

E logo ordenou Jesus que os seus discípulos entrassem no barco, e fossem adiante para o outro lado, enquanto despedia a multidão. E, despedida a multidão, subiu ao monte para orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só. E o barco estava já no meio do mar, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário;Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? E, quando subiram para o barco, acalmou o vento.” Mateus 14:22-32

No episódio bíblico em que Pedro anda sobre as águas, indo ao encontro de Jesus, ele e mais onze discípulos estão no barco e passam por uma grande tempestade. Doze homens dentro de uma embarcação que já não obedece ao comando de nenhum deles, chicoteado pelas ondas, com vento contrário, no meio do mar e em total escuridão. O texto nos revela que isso tudo acontecia durante a madrugada, o que aumenta ainda mais a dramaticidade do fato. É interessante observar que tudo acontecia enquanto Jesus orava. Possuindo o atributo divino da presciência e portanto já sabendo que tudo aquilo aconteceria com eles , Ele dá uma ordem aos discípulos: “Entrem no barco, e vão adiante para o outro lado...”. Então, depois de orar, Ele aparece aos seus queridos seguidores de uma forma pouco convencional - Andando sobre as águas. Paralisados pelo pânico, aqueles homens chegam a pensar que seria um fantasma. Jesus então diz: Animem-se, sou Eu...não tenham medo ! Fiquei pensando na situação, e tentando imaginar as reações de pavor e desespero daqueles homens. Contudo, as reações não seriam todas iguais até o fim do relato.

Penso que o medo nos paralisa algumas vezes. Faz com que deixemos de tomar decisões que podem mudar nossas vidas. Provoca em nós um sentimento de frustração e nos faz pensar o que poderíamos ter conquistado se o vencêssemos. Analise os principais erros nossos e debaixo deles encontrará o medo. Aqueles conceitos e atitudes que tanto admiramos em outros e sabemos que seria bom adotarmos nem sempre é fácil de colocarmos em prática por sentirmos medo de não executarmos tão bem quanto os outros; a decisão de escolhermos ou mudarmos nossa carreira profissional que não vai bem, pode ser algo que faça com que sintamos medo pelo futuro que nos aguarda; a necessidade que sentimos em nos entregar mais aos relacionamentos com as pessoas ás vezes emperra quando tenho medo da reação delas quanto à minha aproximação. Ou até mesmo diante da necessidade que sentimos em assumir o compromisso de cuidar melhor de nossa vida espiritual faz com que fiquemos com medo da reação das pessoas que estão á minha volta em relação ao assunto. Ficamos adiando decisões, prorrogando um novo começo que nunca acontece, aguardando um novo dia que nunca chega. Muitas vezes pelo medo, pensamos mais nas críticas que podemos receber e em tudo que possa dar errado, do que nos benefícios que poderemos experimentar.

A maioria das pessoas que lêem essa passagem do livro de Mateus lembra da falta de fé que fez com que Pedro começasse a afundar. E realmente podemos mesmo tirar essa lição do texto. Mas há um outro aspecto a ser considerado e ao qual nem sempre nos atentamos. Aqueles doze homens no barco experimentaram o sentimento de pânico, porém onze permaneceram estáticos, paralisados diante do medo. Assim como os outros onze, Pedro trazia em seu coração os ensinamentos e as palavras de Jesus que antes já o haviam feito entender que seguir os passos do Mestre, seria sempre o melhor em sua vida. Há uma frase de Goethe que diz o seguinte “Nós só possuímos, o que compreendemos”. Penso que talvez, esse era o segredo de Pedro. Ele compreendeu que quando perdesse o medo, iria viver a melhor experiência de sua vida. A experiência de viver algo sobrenatural, a fantástica sensação de estar sendo sustentado, sobre as águas, pelo poder de Jesus. O segredo estava em aplicar essa verdade em sua vida. É provável, que ao passar sua perna pela borda do barco em direção ao mar agitado, Pedro tenha sido alvo de críticas por parte dos seus onze amigos. Podemos até ouvir: “Pedro você está louco, não faça isso”, “Você vai fracassar”, “você não é capaz de fazer isso”. Li um livro que chamou os outros onze discípulos de “Os bananas do barco”, talvez tenha sido um exagero, talvez não. O que eu sei, é que sou ás vezes, como um “banana”. Fico protelando minhas decisões, tenho medo de sair da zona de conforto e da segurança que ela me proporciona. Esqueço de depositar minha confiança naquele que pode fazer com que eu vença todos meus medos, dificuldades e limitações. Deixo de viver experiências maravilhosas, pelo fato de guardar um segredo tão bem, que chega a ficar escondido de mim mesmo. Pedro, apesar de ser conhecido por seu ímpeto e coragem, com certeza sentiu tanto medo quanto os outros discípulos que estavam no barco, a diferença foi que ele viu no meio daquela situação, uma oportunidade de tomar uma decisão e dar um passo que iria transformar sua vida, a de ser o único mortal a andar sobre as águas em toda história da humanidade.

E apesar da inesquecível e maravilhosa experiência de andar sobre as águas, de vencer o medo, de depositar toda a confiança no cuidado de Jesus, em determinado ponto da caminhada Pedro começou a afundar. O texto diz que Pedro “reparou no vento”. O detalhe é muito importante para nós, pois quando você tomar a decisão de vencer seus medos, de sair de sua área de conforto, você poderá sim viver algo sublime, mas isso não será a garantia de que as coisas sempre andarão bem. A possibilidade de adversidades continuarem ao seu redor é grande, mas o segredo nessas horas será “não reparar no vento”. Se Pedro continuasse com seus olhos fitos em Jesus, certamente não começaria a afundar, por isso, na hora de ir à direção de Jesus não tenha dúvidas, aconteça o que acontecer, mantenha-se sempre na direção Dele. Mas ainda mesmo assim, se você reparar no vento e começar a afundar , se aquela decisão que você estava adiando foi tomada e nem tudo saiu como você esperava, lembre-se que é o próprio Jesus quem pede para você “ir adiante, para o outro lado” e também é Ele, que sabe tudo que você precisa e precisará. Ele estará ao seu lado para te socorrer, para te ajudar, para tomá-lo nos braços e o conduzir sobre as águas.

Então, o que está esperando? Venha andar sobre as águas. Pode ser que você passe apuros durante a caminhada, que precise da ajuda de Jesus para te socorrer, mas sem dúvida alguma, você viverá uma experiência única, maravilhosa e sem igual em sua vida.

José Junior


“O que conta não é o crítico, aquele que diz em que ponto o forte tropeça ou em que aspecto alguém poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que de fato ocupa a arena. [...] Que, na melhor das hipóteses, no final conhece o triunfo da grande conquista, e na pior, se fracassar, ao menos fracassou por ter ousado muito. De forma que seu lugar jamais será entre as almas tímidas e inexpressivas, que não conhecem nem a vitória, nem a derrota.”
Theodore Roosevelt

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Acalma Meu Passo, Senhor !

"Acalma meu passo, Senhor! Desacelere as batidas do meu coração, acalmando minha mente. Diminua meu ritmo apressado com uma visão de eternidade do tempo.Em meio às confusões do dia, dê-me a tranqüilidade das montanhas.Retire a tensão dos meus músculos e nervos com a música tranqüilizante dos rios de águas constantes que vivem em minhas lembranças.Ajude-me a conhecer o poder mágico e reparador do sono. Ensina-me a arte de tirar pequenas férias, reduzir meu ritmo para contemplar uma flor, papear com um amigo, afagar uma criança, ler um poema, ouvir minha música preferida.Acalme meu passo, Senhor...para que eu possa perceber no meio do incessante labor cotidiano dos ruídos, lutas, alegrias, cansaços ou desalentos, a Tua presença constante no meu coração.Acalme meu passo, Senhor...para que eu possa entoar o cântico da esperança, sorrir para o meu próximo e calar-me para escutar Tua voz.Acalme meu passo, Senhor...e inspire-me a enterrar minhas raízes no solo dos valores duradouros da vida, para que eu possa crescer até as estrelas do meu destino maior.Obrigado, Senhor, pelo dia de hoje, pela família que me destes, pelo meu trabalho, pelos meus amigos e, sobretudo, pela Tua presença em minha vida."



Texto de Ivete Tayar.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Filosofando

Recebi um e-mail uns dias atrás, que trazia um verso em seu rodapé. Achei interessante a mensagem, e também passei a fazer uso da frase no final de minhas mensagens eletrônicas. O verso está contido na bíblia, mais precisamente na carta escrita aos cristãos da cidade de Corinto. O apóstolo Paulo assim escreveu inspirado por Deus: “A pessoa que pensa que sabe alguma coisa, ainda não tem a sabedoria que precisa”. (1ª Coríntios 8:2) NVI.

Sócrates , filósofo grego, disse na mesma linha de pensamento: “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância....” e o também filósofo Platão, discípulo de Sócrates, defendia a idéia de que deveríamos para obter o saber algo, ir sempre além daquilo que estivéssemos vendo ou percebendo.

As palavras de Paulo na epístola aos Coríntios, alertava cristãos da época, sobre a correta utilização do saber e do agir em suas vidas. A liberdade de que os Cristãos de Corinto agora desfrutavam, ao descobrirem que Jesus os tornara novas criaturas, estava gerando problemas entre aqueles que ainda não haviam descoberto essa nova vida em Cristo. Paulo estava querendo dizer em outras palavras, que quando achamos que temos convicção de alguma coisa, precisamos ter discernimento para usar esse conhecimento de uma maneira correta, sem que isso possa de algum modo prejudicar aquele que não tem essa sabedoria.

Temos visto parte de pessoas que se dizem cristãs, ostentarem uma posição de privilégio pelo fato de poderem dizer que são novas criaturas em Cristo. Parece que olham os outros sempre de cima para baixo, como se fossem as pessoas mais sábias e mais perfeitas do mundo. Apressam-se mais em julgar, do que em estender a mão. Se estamos agindo assim, talvez seja bom lembrarmos da recomendação bíblica :
“Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo”. Efésios 4:32

Para que buscamos a Deus? Para uma vida espiritual saudável, cheia de alegria e bênçãos ou para mostrar que somos mais religiosos do que os outros? Colocamos nossas vidas a se esforçar em fazer a vontade do Senhor para receber dele a graça e a capacitação para melhor servi-Lo ou para mostrar nossa pretensa superioridade e sabedoria diante dos erros e falhas de nossos irmãos?

Ser uma nova criatura em Cristo, é sim um grande privilégio, aliás, é o maior dos privilégios que o ser humano pode experimentar. Todos somos dependentes e carentes dessa transformação em nossas vidas, que ocorre quando reconhecemos que a morte de Jesus na cruz, teve esse propósito – de perdoar nossos pecados e dar-nos vida completa. Eu e você nunca merecemos e nem vamos merecer tamanho sacrifício. Ele fez por amor. Amor esse, que deve ser a principal característica do cristão.

Tanto Sócrates como Platão, pensavam no conhecimento de forma mais contemplativa. Já para Aristóteles, discípulo de Platão, o conhecimento representa uma nova etapa. Em seu pensamento encontramos a sabedoria em sua forma aplicada, prática. E essa práxis, para nós cristãos, consiste na busca da verdade , do conhecimento e da sabedoria naquele que é a própria verdade, e onde está o início de todo e qualquer saber. Que todos possamos continuar a buscar a sabedoria que precisamos, indo sempre além daquilo que vemos ou percebemos.

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Provérbios 9:10

José B. Silva Junior

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Networking

Estive lendo sobre a importância da comunicação no ambiente empresarial, e de como a troca de informações em nosso mundo “internético”, podem fazer a diferença em termos de aumento de produtividade e melhores resultados entre os grupos de trabalho. A idéia do individualismo, onde se valorizava aquele que detinha um grande conhecimento em determinada área, que tinha as soluções para tudo e que centralizava as informações e os serviços, praticamente já não existe mais. As empresas hoje buscam aqueles que valorizam o trabalho em equipe, que sabem perceber suas carências e virtudes, e tem habilidade para aplicá-las dentro de um grupo, onde certamente encontrará alguém que o suprirá naquilo em que possui limitações e vice-versa. O termo “networking”, aplica-se a definir uma rede de contatos e relacionamentos, que geralmente aponta para a área profissional, onde cada um compartilha necessidades e oportunidades visando extrair desses relacionamentos, algum tipo de benefício.

Assim, a comunicação entre as pessoas torna-se cada vez mais indispensável, e a Internet é hoje, uma das ferramentas mais usadas nessa troca de informações. Existem atualmente vários cursos que ensinam como se aprimorar na arte de redigir e-mails de forma objetiva, coerente e eficaz. Tudo para que os resultados, sejam dentro da empresa ou em seus assuntos pessoais, atingidos de forma satisfatória.


Pensando no assunto em uma esfera mais abrangente, podemos perceber que realmente, nós, seres humanos, não fomos criados para vivermos sozinhos, com nossas idéias e conhecimentos servindo somente a nós mesmos. Mesmo porque, qualquer idéia ou conhecimento que possuímos, são formados a partir de idéias e pensamentos que outras pessoas já desenvolveram.

O desejo de não vivermos sozinhos já começou com o próprio Deus, quando ao criar o homem , e perceber que estava só disse: “não é bom que o homem esteja só, farei uma ajudadora para ele ...”(Gênesis 2:18), Aí estava instituída a família, o primeiro grupo comunitário. No novo testamento também, vemos no livro de Atos, o progresso dos cristãos e a criação de uma comunidade onde: “Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum.” (Atos 2:44). A união é uma das características marcantes da comunidade Cristã do Novo Testamento, comunidade que seguia o exemplo do próprio Cristo, que sempre procurou o relacionamento com todas as pessoas. Fossem os fariseus hipócritas, os publicanos cobradores de impostos, os enfermos discriminados, os ladrões e as prostitutas, fosse com os discípulos, as criancinhas, os sacerdotes do templo, os soldados romanos e até mesmo com os que o traíam...Jesus sempre buscou (e ainda busca) o relacionamento com todos. Ele quer estar perto do ser humano, ouví-lo, entendê-lo, ajudá-lo e acima de tudo, perdoá-lo e amá-lo. Jesus nos ensinou o princípio do Networking.

Tenho ouvido, não raro, pessoas dizendo que não precisam estar inseridos dentro de uma comunidade cristã, para desenvolverem sua fé e relacionamento com Deus. Afirmam que podem desenvolver sua busca por Deus individualmente e alguns tem justificado essa posição com o argumento de que “ existem muitos hipócritas dentro da igreja”. Concordo, não temos como evitar que a hipocrisia esteja presente entre membros de uma comunidade Cristã, aliás, não temos como evitar a hipocrisia de alguns não só na Igreja, mas em qualquer comunidade onde o ser humano esteja presente. Mas que bom saber, que Jesus ama e se relaciona também com o hipócrita, e o melhor lugar para que seja transformado pelo ensinamento de Cristo é ali mesmo, dentro da igreja. Em casa, dificilmente ele terá a oportunidade de estudar sobre os ensinos da Bíblia de forma mais aprofundada, em casa ele não terá oportunidade de coletivamente adorar o Deus criador de todos e de tudo, não conseguirá sentir o abraço, a preocupação de quem compartilha a mesma fé que ele, talvez não será alvo de intercessões e nem terá também o privilegio de conhecer a necessidade e orar pelo seu próximo. Não terá também, o prazer de cumprir a ordem de Deus apresentada na carta aos Hebreus: “Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros” (Hebreus 10:25 NTLH). A recomendação de não abandonar “as nossas reuniões”, eram dirigidas aos cristãos, que talvez estivessem achando que não devessem se misturar com hipócritas. Mas Deus ensina que o que se devia buscar era o contrário: “animem-se uns aos outros...”.

Como já vimos, o exemplo de Cristo é focado nos relacionamentos. Ele ajunta primeiro três amigos, com quem mantinha uma aproximação mais estreita, (Pedro, Tiago e João), forma também um grupo de trabalho de 12 homens, que deverão transmitir seus ensinamentos e dar testemunho do que viram e ouviram pessoalmente. A partir daí, serão setenta os que serão treinados e enviados a lugares mais distantes a fim de fazer com que a rede de relacionamentos seja cada vez maior. Mais de dois mil anos se passaram, e essa rede continua crescendo. O Networking de Deus, não precisou da Internet e nem de cursos para aprimorar a redação de e-mails. Ele cresce e se desenvolve dentro dos inúmeros grupos que não deixaram de lado o princípio de comunidade e relacionamento ensinados por Jesus e que certamente não aprenderam esses princípios dentro de suas casas, mas buscando sempre a comunhão e crescimento em comunidade.

A igreja é, e continuará sendo o meio pelo qual, Deus reúne o seu “grupo de trabalho”.


“E, quando chegaram e reuniram a igreja, relataram quão grandes coisas Deus fizera por eles...” (Atos 14:27)

José B. Silva Junior

domingo, 29 de junho de 2008

Você Pode !



“Pai, durante a corrida, eu sinto como se minha deficiência desaparecesse”

“Que pai não faria todo o esforço para levar tamanha felicidade a um filho?”


A história de Rick Hoyt, é mesmo de comover. Uma pessoa que, desde o nascimento, apresenta necessidades especiais que limitam quase que todos os seus movimentos. Seu pai ouve de médicos: “Livre-se dele. É melhor interná-lo. Ele vai ser um vegetal o resto da vida”.

Mas seu pai não aceita os conselhos, acredita que Rick é uma pessoa como as outras, e durante sua vida, dedica-se à cuidar desse filho. Através de um sistema criado especialmente para comunicação de Rick, que possui somente os movimentos da face, um dia fica sabendo que o filho sente um prazer enorme em participar de provas de atletismo,em especial, as corridas: - “Pai, durante a corrida, eu sinto como se minha deficiência desaparecesse” - e a partir desse dia decide em fazer com que o filho participasse de todas as corridas que fossem possíveis. E qual o pai que não faria todo o esforço para levar tamanha felicidade a um filho ?

As imagens, para quem viu a reportagem, é algo que expressa muito bem o amor de um pai pelo filho. Muito emocionante.

Não tive como não pensar nas atitudes do pai de Rick, a partir de uma visão Teológica. Do que um pai é capaz, para trazer felicidade a um filho ?

Espiritualmente falando, á luz dos ensinos da bíblia, que cremos e temos provas históricas de ser a Palavra de Deus aos homens, somos todos como Rick Hoyt. Sim, eu e você, possuímos uma deficiência em comum, descrita na carta de Paulo aos Romanos: “Porque todos pecamos e separados estamos da glória de Deus.”(Rom. 3.23). É algo que nos impede de sermos felizes, de sentirmos aquele vento da corrida no rosto. Somos incapazes de superarmos nossas deficiências e dificuldades por nós mesmos.

Freddie Mercury, o líder da conhecida banda de rock “Queen”, que morreu no final de 1991, escreveu em uma de suas últimas músicas no álbum “The Miracle”: “Será que alguém sabe para que vivemos ?” Apesar de ter acumulado uma enorme fortuna e atraído milhares de fãs, ele admitiu numa entrevista, logo antes de sua morte que era uma pessoa desesperadamente triste: “A gente pode ter tudo no mundo e ainda assim ser a pessoa mais triste de todas, e esta é a forma mais amarga da tristeza.”, declarou. “ O sucesso fez de mim um ídolo mundial e me rendeu milhões de dólares, mas me impediu de ter a única coisa que todos necessitamos: um relacionamento amoroso duradouro.”

A deficiência que existe em todos nós, é a deficiência pela qual Jesus Cristo morreu na cruz. Nossa natureza humana, falha, pecadora, nos separa do verdadeiro amor e da real alegria que podemos experimentar e é somente através desse gesto de amor de Jesus, morrendo por nossos pecados, é que podemos alcançar esse verdadeiro relacionamento que traz alegria.

Freddie Mercury estava certo quando disse que necessitamos de um relacionamento amoroso e duradouro, e apesar de precisarmos sim de relacionamentos humanos que nos ajudem, não serão esses que nos trarão a alegria completa e sim o relacionamento com aquele que nos criou. O Deus que nos ama e nos chama a um relacionamento consistente.

Algumas pessoas parecem bem felizes com seus relacionamentos humanos, mas quando descobrem que o relacionamento com Deus preenche tudo aquilo que antes estava incompleto, o objetivo e o sentido da vida ganham clareza.

Deus nos deu a condição de experimentarmos a verdadeira felicidade através do sacrifício de Jesus na cruz. Embora tenhamos uma grave limitação em fazermos as coisas sozinhos, nos deu a chance de participarmos da corrida. Ele acredita em nós, mesmo quando alguém diz que nós não valemos nada, e nos carrega no colo e faz com que experimentemos a maravilhosa sensação de ter o vento batendo em nossas faces. Nos dá o privilégio de abrirmos um sorriso como um daqueles que Rick abre ao final de cada corrida com seu pai. Tudo o que precisamos fazer, assim como Rick fez com seu pai, é darmos um jeito de conversar com Deus e falar: “Senhor, faze com que minha deficiência desapareça, reconheço que sozinho, nunca conseguirei alcançar a verdadeira felicidade. Através do sacrifício de Jesus na cruz, que morreu por mim, e levou sobre si minhas deficiências, meus pecados, sei que podes me levar a caminhar todos os dias de minha vida contigo.”

E Que pai não faria todo o esforço para levar tamanha felicidade a um filho?

Usando as palavras de João 3.16 :

Por que Deus amou o mundo tal maneira, que deu seu único filho, para que todo aquele que nele crê não morra, mas tenha a vida eterna .

Á Deus todo o Louvor ,Por dar-nos alegria completa !

José B. Silva Junior

Para que servem os irmãos mais velhos ?















Ontem meu irmão mais velho, Sérgio, completou mais um ano de existência. Tivemos uma confraternização em família, e durante esses momentos agradáveis que passamos juntos e refletindo sobre tudo que falamos e ouvimos ali, me perguntei: Para que servem os irmãos mais velhos ?

Imagino, que as respostas e opiniões sobre a pergunta serão as mais variadas. Seria preciso muita pesquisa e muitas entrevistas com muitos irmãos, para podermos chegar perto de algum ponto em comum sobre a utilidade que um irmão mais velho tem. Vou começar aqui então, expondo meu ponto de vista sobre a questão...

Sou o terceiro filho do “Seu Silva”. Antes de mim, nasceram o Sérgio e o Silvio e depois vieram a Sandra, o Samuel e a Suélen. Então creio que dos seis que citei, cinco tem condições de, por experiência própria pelo menos, tentar responder a pergunta que fizemos no início. Porém um deles, não tem o privilégio de usar sua experiência de vida para responder à pergunta. Pelo menos, não à essa. E penso que talvez, Deus tenha mesmo privado o irmão mais velho de saber o que é isso, pelo fato de ter dado uma missão especial para ele. Missão de usar essa experiência de vida, da qual falamos, não para experimentar ou sentir o que seja ter um irmão mais velho. Mas para, naturalmente, através dessa experiência, poder ser alguém que transmita aos mais novos, a sabedoria de vida que eles ainda não têm.

Se tivesse que definir meu irmão mais velho com uma palavra, definiria-o como “2º Pai”. Pois sinto que ele se preocupou conosco assim como “Seu Silva” também sempre se preocupou.

Desde pequeno me lembro do Sérgio, como uma pessoa responsável. Enquanto a maioria dos adolescentes, se preocupavam em jogar bola, namorarem e se divertirem aos sábados à noite, o que via, era um jovem que procurava com muito esforço dedicar-se aos estudos. Quantos não foram os finais de semana que o via debruçado sobre os livros, fosse em nosso quarto, fosse no quintal dos fundos de nossa casa na Rua N.Sra. Auxiliadora, lá estava o Sérgio estudando...dando-nos o exemplo de que , quem quiser ser alguém na vida, deve estudar. Já nessa época, havíamos perdido a companhia de nossa mãe, que nos deixava devido á uma grave enfermidade; e sempre que recordo esse momento, lembro-me (já com lágrima nos olhos), de uma atitude do Sérgio que fica até hoje gravada em minha mente. Mamãe, já em seus últimos dias, havia dito à ele que não gostaria que chorássemos no dia de sua partida. Pois naquele dia, lá estava o Sérgio...fazendo toda força do mundo...para que o pedido de mamãe fosse atendido. Ele talvez não tenha percebido, mas ali, nos dava o exemplo de força e de obediência.

O esforço empenhado nos estudos durante a adolescência e juventude, e até mesmo depois de casado, rendem frutos. Hoje, ele tem uma linda família, esposa e três filhos. Conseguiu através de sua grande dedicação concluir duas faculdades, (Educação Física e Direito). É exemplo de caráter, honestidade e responsabilidade.

Poderia aqui, passar meses escrevendo sobre todas as experiências que vivi ao lado do meu irmão mais velho e de meus outros quatro irmãos. Creio que daria um livro com uma bela história. E por falar em bela história, a Bíblia, palavra de Deus na epístola de Hebreus, nos dá um conselho precioso referente ao amor entre os irmãos:


“Seja constante o amor fraternal”...Hebreus 13:1. É o conselho de Deus, para que cultivemos sempre o amor entre nós, nos ajudando, nos corrigindo, mostrando e ensinado o caminho pelo qual já passamos, para aqueles que ainda hão de passar por eles. O texto bíblico faz também com que eu me lembre de uma outra história que me parece ilustrar bem essa constância que devemos ter pelo amor entre irmãos:

É a história de três irmãos que resolveram aproveitar um dia de folga para uma pescaria. Já no barco, começaram a remar para o meio do lago. Foi então que um dos irmãos (o mais velho) se deu conta de que havia esquecido a vara de pescar. Calmamente desceu do barco e caminhou em direção à margem. Na seqüência, outro dos irmãos reparou que havia esquecido as minhocas. Ele também desceu do barco e caminhou em direção à margem. O terceiro irmão que era o mais novo permaneceu no barco, estupefato e admirado pelo fato dos irmãos mais velhos terem andado sobre as águas. Quando os dois irmãos voltaram, ele disse: - Se vocês foram capazes de caminharem sobre a água, eu também posso! E foi só pisar fora do barco para começar a afundar. Os dois irmãos se olharam e o mais velho disse: - Você não acha que deveríamos ter mostrado para ele onde é que as pedras estão?

Que como irmãos mais velhos possamos mostrar as pedras, e como mais novos ouvir atentamente e aprender com a experiência dos mais velhos a andar em caminhos seguros.

Sergião..Parabéns !! e obrigado por tudo..!!

Ah..ia me esquecendo...Irmão mais velho, também nos ensina a torcer para o melhor time !

Que Deus abençoe as famílias !!
José B. Silva Junior.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Hyperekperissou

Quando o pouco é muito !

Há alguns anos atrás, quando minha filha Julia ainda era quase um bebê perguntava a ela , se me amava muito ou pouco. Ela respondia sem saber direito o que estava dizendo: “muito e pouco” ! Mas entendia o que queria dizer, em sua mente se ela dissesse que amava só muito, iria faltar o amar pouco, então ela queria dizer que amava o máximo que podia...tanto que logo depois de responder me abraçava com toda força.

Isso me fez pensar que ás vezes, fazemos essa mesma confusão com as palavras “muito” e “pouco”. Afinal, o que é “muito” ? Quando tentamos definir, por exemplo, a grandeza de Deus que palavra usamos ? Poderíamos responder: Ele é Grande. Não...Ele é muito Grande. Não... Ele é Grandíssimo. Seja qual for o adjetivo que usarmos para tentar definir a grandeza de Deus, fará com que Ele diminua, porque não conseguimos dimensionar com palavras a majestade e grandiosidade do Criador. Nesse aspecto o muito sempre será pouco.

E o que é “pouco” ? Imaginemos um trabalhador brasileiro, tendo como salário mensal a quantia de R$ 415,00, que é o salário mínimo hoje no Brasil. Podemos dizer que, se pensarmos no que esse salário pode comprar, por quanto tempo ele poderá se sustentar, e até mesmo por chamarmos o salário de “mínimo”, afirmaríamos que ele ganha pouco. Mas na perspectiva de quem não tem um emprego há muito tempo e não possui nenhuma fonte de renda, o salário mínimo seria muito bem-vindo. Ou seja, neste aspecto, o pouco é muito.

O apóstolo Paulo falou sobre esse assunto aos seus amigos de Filipos. É uma passagem bem conhecida de todos: “Tudo posso, naquele que me fortalece.”(Filipenses 10:13). Numa análise mais rápida da frase, podemos pensar que Paulo quis dizer que podemos muito...naquele que nos fortalece, pois “tudo” dá mesmo a idéia de muito. Mas se olharmos bem para o que Paulo diz no parágrafo anterior da carta, veremos que ele diz que aprendeu a viver tanto passando necessidades, como tendo abundância. Paulo escrevia isso privado de sua liberdade, em uma prisão. Escreveu isso, depois de passar fome e ser açoitado. Paulo havia sofrido e estava sofrendo. Por isso ele diz, que podia TUDO, no sentido de passar necessidade e ter fartura, pois quem o fortalecia era Jesus. A idéia não é de poder tudo no sentido de ter o que quisermos, é passar por situações que não desejamos com a mesma força e alegria que temos quando recebemos o que queremos. Nesse caso, o pouco é muito e o muito... é muito. Aliás, tanto o pouco quanto o muito será mais do que muito. Uma das palavras usadas na língua grega, para indicar o muito da vida abundante que Jesus oferece é: Hyperekperissou, e significa: MUITO MAIS QUE ABUNDANTE.

Sim, em Jesus encontramos a vida muito mais que abundante, vida que nos completa, que faz com que o pouco seja sempre muito. Que faz com que nossa alegria não esteja no fato de ganharmos um ótimo salário, termos uma boa casa, ou um bom carro. E quantas pessoas temos conhecido que mesmo com todo conforto e recursos materiais, reclamam a falta de paz ? Também não fará que fiquemos angustiados ou desanimados pelo fato de ganharmos um salário mínimo, pagarmos aluguel e andarmos de ônibus. Temos sempre força e podemos passar por tudo através daquele que nos dá a força - Jesus Cristo. Vida completa, vida plena, vida alegre, vida abundante.

A Julinha diria que Jesus nos ama muito e pouco. E eu, que podemos medir seu amor, não com palavras, mas através do seu forte abraço e seu cuidado pela nossas vidas, quando nos entregamos à Ele.

Porque eu vim para que tenham vida, e vida em abundância. João 10:10.

Que a vida muito mais que abundante de Jesus, esteja com todos nós !
José B. Silva Junior
Seminarista

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Final do 1º Semestre...

Boas Férias !!



Quem sobrou na classe (rs), após o intervalo e apresentação do Trabalho de Exegese, em nossa última aula do 1º semestre...Marcelo,Mariene,Fred, Larissa, Heré..ops..Mauricio, Alexandre and me.









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